O caso Paulinho serviu de base para a instalaçao da CPI do Trafico de orgaos que foi instalada em Brasilia, no ano de 2004. A CPI chegou a conclusao que 9 medicos deveriam ser processados pela morte de Paulinho indiciando os mesmos, e encaminhando o relatorio para o Ministerio Publico Federal para as devidas providencias.
Em uma gravaçao realizada ha 10 anos por telefone, o presidente da CPI, o Deputado Federal Neucimar Fraga, revelou como foi a pressao praticada pelos medicos da CPI para que os acusados nao fossem indiciados. A tentativa de exclui-los nao foi aceita. Entao, pediram para que fosse alterado um trecho do relatorio onde incluiram o seguinte texto na pagina 129:
Reparem acima que o relatorio cita os nomes dos medicos que foram excluidos das denuncias do Ministerio Publico Federal sem qualquer explicaçao.Esta CPI, no caso Paulo Pavesi, encaminha ao Ministério Público para que, após análise, se for o caso, proponha ação penal contra os médicos abaixo mencionados, por terem, em tese, realizado procedimento de transplante e captação de órgãos em desacordo com as normas da Lei nº 9.434/97: Álvaro Ianhez, Odilon Trefligio Netto, Celso Roberto Frassion Scaffi, Sérgio Poli Gaspar e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes, Dr. Gustavo Abreu e Dra Sandra Fiorentini, José Luiz Gomes da Silva e José Luiz Bonfitto.
Como ha um acordo entre a Mafia e o Ministerio Publico Federal, a simples inserçao deste pequeno texto que revela destes medicos, permitiu ao MPF ignorar o relatorio completamente. No relatorio, estao descritas todas as irregularidades praticadas pelos medicos, e comprovadas durante a CPI.
O acordo do Ministerio Publico com a Mafia, previa tambem que eu nao pudesse participar do processo de homicidio que no ato da CPI ja estava em andamento, pois seria registrado ali, em meu depoimento, informaçoes e questoes que deveriam ser esclarecidas. Como a justiça nao pode responder a estas questoes, o caminho encontrado foi proibir a minha participaçao como testemunha.
Em uma reportagem do jornal Correio Braziliense na epoca, revela que, por email, Procuradores Federais pediram para o presidente nao instalar a CPI.
O presidente menciona a interferencia de Angela Guadagnin, deputada federal pelo PT na epoca e que nao participou de nenhuma audiencia da CPI. Alias, a CPI era esvaziada, como se diz em Brasilia. Os participantes assinavam o livro de presença e saiam da sala, para dar a impressao que a CPI nao merecia ser acompanhada. Tenho outros videos que mostram deputados medicos assinando e saindo em seguida. Sobre a deputada federal Angela Guadagnin, que foi a protagonista da dança da impunidade durante o mensalao, é importante dizer algumas coisas.
Voce deve ter ouvido falar do caso de Taubate, em que 4 medicos devem ir a juri popular depois de 24 anos de um processo lento e cheio de influencias politicas, por terem praticado homicidio de doadores para fins de trafico de orgaos. O caso aconteceu nos anos 80 no hospital Santa Isabel de Clinicas em Taubaté. Atualmente Angela Guadagnin é medica pediatrica. Olhando seu curriculum publicado no site da camara dos deputados podemos ver o seguinte:
Estudos e Graus Universitários:
Medicina, Fac. de Medicina de Taubaté, SP, 1968-1974; Mestrado em Saúde Pública, USP, São Paulo, 1987-1988. I Curso de Antibioticoterapia, I Curso de Cirurgia de Urgência e I Curso sobre Choque, 1972, e I e II Cursos de Moléstias Infecciosas em Pediatria, 1973, Fac. de Medicina de Taubaté, SP; UTI, Pronto-Socorro de Adultos, Pronto-Socorro Infantil, Enfermaria de Clínica Médica e Hospital Santa Isabel, Fac. de Medicina de Taubaté, SP, 1974;
Obviamente que nao posso afirmar que Angela faz parte da Mafia que vitimou meu filho, mas acho estranho que ela tenha solicitado a exclusao do caso Pavesi do relatorio da CPI, sem ao menos participar de uma so sessao, sem conhecer os fatos e sem um real proposito, exceto o de proporcionar a impunidade aos acusados.
Assistam o video. Ele estava sendo reservado para este momento, junto com outros que ainda serao publicados, a medida que o processo se desenrolar. Ainda tenho muitas coisas para mostrar. Nao é a toa que consegui asilo na Italia. Provas da existencia desta mafia, nao faltam.
