Desembargadores comprados

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terça-feira, 14 de abril de 2009

Eles negam, mas a CPI do tráfico de órgãos comprovou.

O jornal acima denunciou na década de 80, a retirada de órgãos de pacientes vivos. Os órgãos retirados eram enviados para Emil Sabbaga em São Paulo para implantes em pacientes particulares. 

Emil Sabbaga era o presidente da ABTO na época em que os crimes aconteceram.

Os fatos geraram um processo de homicídio onde 4 médicos responderam pela morte de 4 pacientes, entre eles, uma criança. 

Após 20 anos, a "justiça" brasileira não conseguiu chegar a uma sentença. Repito: 20 anos depois, nenhuma sentença foi dada e o processo prescreveu. Emil Sabbaga não foi denunciado pois o tráfico de órgãos não foi investigado. Pessoas poderosas e renomadas da medicina, impediram o avanço das investigações.

Nesta semana, em nome do "dom da vida", Dráuzio Varella insistiu em afirmar que isso é impossível, e que isso não acontece. Pois bem. Vejamos então o depoimento do perito que trabalhou neste caso. Trata-se do Neurologista Luis Alcides Manreza, que narrou à CPI no dia 23/06/2004 o que apurou:
O SR. LUÍS ALCIDES MANREZA - Nós temos um processo extremamente grave, que ainda está em processo judiciário, e São Paulo ganhou muita notícia quando houve a denúncia de uma série de transplantes feitos num hospital em Taubaté. Não sei se o senhor está lembrado.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO - É, conheço.

O SR. LUÍS ALCIDES MANREZA - Nessa época, foram encaminhados para lá 6 pacientes. A denúncia foi feita por um médico, então a notícia acabou tendo até um pouco mais de consistência, já que era uma queixa técnica. Eram várias as queixas, e tinham sido feitas até na maternidade, onde havia um índice de infecção menor. Falaram até de tráfico de órgãos, na época, e fizeram a acusação de que os doentes não preenchiam os conceitos de morte encefálica. Eu fiz parte da câmara técnica, ou melhor, da perícia, eu e 2 outros neurocirurgiões, que analisamos os 6 casos. Isso está escrito. O Conselho Federal de Medicina tem um relatório nosso. Infelizmente, desses 6 casos, 4 não preenchiam os conceitos de morte encefálica, não havia comprovação... Enfim, não preenchiam.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO - Quatro casos.

O SR. LUÍS ALCIDES MANREZA - Quatro casos. Isso não quer dizer que tenha havido uma conivência, uma precipitação. Acredito até que o caso tenha sido de incapacidade, mas, enfim, não cabe a nós julgar isso. Eu sei que o processo ainda está em andamento, pela morosidade, e que o caso é extremamente desagradável. De qualquer forma, nós demos o parecer, eu e outros 2 colegas, o Prof. Gilberto Machado de Almeida e o Dr. Sérgio Pittelli, que hoje, além de neurocirurgião, é também advogado. Mas esse é o único processo de que eu tenho notícia. É extremamente desagradável, mas ainda não teve um final.
Entenderam? 6 casos foram denunciados e pelo menos 4 não preenchiam os conceitos de morte encefálica, ou seja, estavam vivos. Prestem atenção, pois é sério. O perito afirmou que 4 não estavam mortos. E o processo não deu em nada. 

Mas a CPI não apurou isso? 

Sim, mas o relatório final está nas gavetas do Procurador Geral da República que se nega levá-lo adiante e processar os indiciados. O Procurador Geral da República se negá invetigá-los. O Procurador Geral da República se limita a dizer que não vê indícios. A perícia não vale como prova. A máfia do tráfico de órgãos do Brasil é muito poderosa e atravessa anos e anos sem que nada lhe caiba.

Vale a pena ler o que disse um dos acusados, em relação a perícia:
O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - O Dr. Alcides... Luiz Alcides Manreza é um neurocirurgião de renome, especialista em diagnóstico de morte encefálica, que foi assistente técnico no meu depoimento — meu, especificamente, não sei se no do Dr. Aurélio — no Conselho Regional de Medicina.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - O senhor acha que ele é uma pessoa preparada para a função?

O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - Ele é preparado, mas ele não é aquiescente a informações externas. Aquilo que para ele é correto, é correto, e só para isso. Ele não muda muito mesmo. Ele não aceita informações estranhas a isso daí. Isso eu percebi na própria perícia. Sabe como foi feita a perícia do CRM?

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - Não, não sei.

O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - O senhor não tem a mínima idéia.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - O senhor poderia nos contar como é que foi feita a perícia.

O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - Foi feita em 2 horas mais ou menos.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - Se o senhor pudesse falar perto do microfone...

O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - Em mais ou menos 2 horas, a perícia foi feita. Os peritos foram: Luiz Alcides Manreza, Dr. Gilberto Machado de Almeida, Dr. Pitelli, que hoje é Promotor Público — eu não me lembro o nome da Santa Casa, eu não vou me lembrar do nome —, e o Dr. Ronaldo Abraham, que nos representava naquele instante, um médico neurologista de Taubaté. A perícia foi feita em 2 horas. Umas 3 semanas antes da perícia, tivemos um encontro de neurocirurgiões em São Roque. Eu perguntei ao Dr. Luiz Alcides Manreza: “E daí? O que você está achando da situação toda?” “Olha, os outros vão escrever o que eu falar”. E, normalmente, é isso daí. Agora, se o senhor tiver uma noção. O chefe era Dr. Gilberto; Dr. Manreza era assistente dele; Dr. Pitelli era assistente dele; o relatório foi produzido por Dr. Luzio, que era assistente do Dr. Gilberto. Uma escola só, com todo o fornecimento do material que nós demos. Eu creio que isso se chama vício de perícia. E isso eu conheço. Faz 27 anos que eu faço isso.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - Então, o senhor acredita que o relatório do Manreza foi viciado?

O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - Vicioso, porque se vicia a perícia se você não tomar necessárias cautelas. Quando cai um caso para eu estudar, o que eu faço? Eu levo isso para casa, estudo, procuro tudo, coloco-me no lugar do médico, vejo toda bibliografia que tem sobre o assunto, discuto, escrevo tudo e não só respondo aos quesitos; eu faço pormenorizadamente a descrição dos fatos para, depois, responder os quesitos. Não é assim que está escrito desse jeito.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - E o senhor acredita, então, que o Conselho Federal de Medicina errou quando indicou o Dr. Manreza para fazer parte da câmara técnica do conselho de morte encefálica, que hoje está em vigor na legislação de transplante?

O SR. MARIANO FIORE JÚNIOR - Não, não acredito não. Acredito que foi certíssima. Acredito que ele é um profissional competente. Ele teve vício de perícia nessa perícia. É diferente. Eu posso ter vício de perícia. Posso ser um excelente médico, mas, numa perícia, eu posso ter um vício. Naquela, eles cometeram um vício.
Se você leu, deve ter entendido. A perícia não valeu. Tinha vícios. As chapas que demonstram fluxo sanguineo no cérebro da vítima não servem para nada. O Conselho Federal de Medicina absolveu os médicos e ignorou a perícia. A máfia de tráfico de órgãos é assim. E se você insistir, terá que pedir asilo em outro país, como eu fiz.

É isso que a imensa publicidade de transplantes deseja esconder. Tráfico de órgãos e assassinatos de doadores de órgãos. Salva sua vida. Não seja doador de órgãos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mortos acordam em seus velórios


Drauzio Varella disse no Fantástico que o diagnóstico de morte encefália errado não muda o destino de ninguém. Segundo ele, antes do diagnóstico a pessoa já esta morta. Esta afirmação é porque os médicos fazem a análise clínica da morte, ou seja, observam o estado do paciente. Trata-se de um procedimento nada agradável.

Primeiro o corpo é analisado visualmente por um médico que desconfia que o paciente está morto. O próximo passo é iniciar uma sessão de tortura. O médico espeta o corpo do paciente com agulhas, despeja soro congelado em seu ouvido e até corta o respirador artificial para ver se o paciente respira sozinho. 

Se o paciente não gritar, é porque está morto. 

Funciona? Não! Um paciente que recebeu doses de benzodiazepínicos (dormonid) ou barbitúricos não darão qualquer sinal de vida. Prova disso, é que o próprio diagnóstico veta a execução destes testes em pacientes sedados - Drauzio não falou disso. Mas podemos ver na prática os casos relacionados abaixo. Clique nos títulos para ver as reportagens.

Bebê dado como morto chora durante o próprio velório no RS - Após chorar e se mexer durante o seu velório, o bebê foi levado as pressas para a UTI, mas era tarde. Ele faleceu. Este caso comprova que um diagnóstico errado muda sim o destino de um paciente. O bebê foi exumado depois de tudo isso, mas não deu em nada. Diagnosticar a morte erroneamente não causa problemas? Se ele fosse doador, os órgãos não teriam sido removidos ainda com vida, como fizeram com meu filho?

Homem de 81 anos acorda durante o próprio velório - Este caso é o da foto deste post. Um idoso de 81 anos acordou no meio de seu próprio velório, para a surpresa de amigos e familiares que choravam sua morte na pequena cidade chilena de Angol. Os familiares de Felisberto Carrasco pensavam que o homem estava morto porque o corpo dele estava frio e imóvel. Em vez de chamarem um médico para comprovar a morte, chamaram uma funerária, que o levou vestido com sua melhor roupa para o velório. Qual a explicação? 

Um homem de 87 anos fintou o destino no seu próprio funeral, ao despertar daquilo que os seus familiares pensavam ser a morte. O insólito incidente, contado pelo jornal chinês Shanghai Daily aconteceu em Taiwan. De acordo com o diário, o homem encontrava-se há já muito tempo ligado a uma máquina de respiração assistida, sem a qual não podia viver, segundo os médicos. A família, budista de religião, na eminência da morte do idoso, decidiu que este deveria morrer em casa, de acordo com as tradições locais. O homem foi por isso separado do ventilador que o mantinha com vida. Posterioremente, segundo relata o Shanghai Daily, julgando-o morto, a família vestiu-lhe roupas para a cerimónia fúnebre e colocou-o num local adequado para o velório. Enquanto eram recitados textos religiosos, os presentes foram surpreendidos pelo despertar do senhor, que começou a respirar de repente. A família levou-o de imediato para o hospital. Depois de o terem observado, os médicos afirmaram que não conseguem explicar o que aconteceu, refere o jornal chinês. 

Eu poderia citar mais algumas dezenas de casos, mas fica um link interessante para todos lerem.
O momento mais triste na vida de uma pessoa: a morte de um ente ou um amigo querido. O velório, o enterro, situações pela qual ninguém quer passar. A única coisa que poderia acabar com essa situação seria o retorno da pessoa que morreu. Bem, pois isso não é impossível.

Um taiuanês de 87 anos, por exemplo, acordou durante o próprio funeral. A família levou um susto ao ver o corpo engasgar e, de repente, "voltar à vida" em um centro budista. Os médicos haviam informado que a única coisa que lhe mantinha vivo eram os tubos de oxigênio. Os parentes decidiram então desligá-los. Surpreendentemente, o idoso "reviveu", ao invés de morrer.

Já o chileno Feliberto Carrasco, 81 anos, assustou a família ao levantar do caixão. Um sobrinho do idoso afirma que não conseguia ver a cena, "Eu não conseguia acreditar. Eu achei que era um engano e fechei meus olhos", afirma o familiar ao jornal Últimas Noticias. O primeiro pedido ao voltar aos vivos? Carrasco quis apenas um copo d'água.


Esse é o lado feliz da história, porque, para o venezuelano Carlos Camejo, 33 anos, foi mais complicado. Camejo acordou com fortes dores e descobriu que estava no meio de uma necrópsia, a dele mesmo. Após ser declarado morto depois de um acidente de carro, os médicos legistas decidiram começar o exame.

A mulher de Camejo foi ao necrotério para identificar o marido, mas acabou vendo o "morto" caminhando pelos corredores do prédio. Segundo o venezuelano, ele acordou devido às fortes dores provocadas pelos cortes no rosto durante o exame.

Contudo, os enganos não são recentes. Segundo o publicitário Bruno Maestrini, na década de 50, um caso semelhante ocorreu em Pelotas, sul do Rio Grande do Sul. Uma senhora levantou do próprio caixão e se deparou com os familiares e amigos durante o velório. Segundo Maestrini, a familiar viveu mais duas décadas após a "primeira" morte.

Os casos de confusão atingem também os animais de estimação. Dudu, um cão chinês, teve de sair da própria cova após ser enterrado. Acontece que a dona do animal achou que ele não tinha sobrevivido após ser atropelado por uma van em Nanjing. No dia seguinte, o zelador do prédio onde morava avisou que Dudu esperava por ela em frente à porta do prédio, sujo de terra. Segundo os veterinários, ele deve ter passado por um estado de choque, o que fez com que enrijecesse os músculos e enganasse a dona.

Catalepsia

E como alguém pode ser dado como morto? Uma causa para alguns desses enganos é a catalepsia. O distúrbio impede o doente de se movimentar. O ataque cataléptico pode durar de minutos a dias e faz com quem vê ache que a pessoa possa está morta. Várias podem ser as causas, tanto neurológicas quanto emocionais.

E então Varella? Isto é impossível de acontecer? 
O diagnóstico clínico é seguro? 
Um erro destes não pode mudar o destino de uma pessoa?

Até quando vocês vão mentir para continuar angariando doações de órgãos. Doar órgão é importante, mas se não há transparência e verdade, siga o meu conselho para permanecer vivo: 

Não divulgue que é doador.

Drauzio Varella: Diagnóstico de Morte Encefálica é inútil

Para ler mais sobre este assunto, acesse: Desvendando a farsa de Drauzio - Parte I

Drauzio Varella demonstrou em seu primeiro episódio da série sobre transplantes, que o diagnóstico de morte encefálica, fundamental para os transplantes, é simplesmente ignorado. É inútil e não serve para nada.
Médicos não estão preparados
“Os médicos, de modo geral, não sabem fazer o exame neurológico. O cara tem o título e não sabe fazer o exame. Tem neurocirurgião e neurologista que não sabem fazer. Aí, você imagina os outros, os clínicos. É um negócio muito mais profundo. É um problema de formação. Começa na formação”, comenta o neurocirurgião Dr. Jéferson Júnior.

“A maioria dos cursos de medicina não contempla esse tema no currículo regular, no seu currículo regular”, afirma o neurologista Dr. Pedro Antônio Pereira.
Ou seja, eles não aprendem nada sobre o diagnóstico numa faculdade. O diagnóstico que é algo tão sério, não é ensinado! Mas você deve confiar no médico, porque os transplantes não podem parar.
Drauzio Varella - Ao longo da tua carreira, você acha que os médicos - não os especialistas, mas os médicos de um modo geral - recebem uma formação adequada? Eles estão a par desses detalhes todos que cercam a morte cerebral?

Dr. Eduardo Mutarelli, neurologista e professor da USP – Eu posso falar da faculdade de medicina. Eu sei que na faculdade de medicina da Universidade de São Paulo a gente tem até, em partes da aula de coma, como se faz o diagnóstico de morte encefálica. Mas é um pedaço de uma aula. Os alunos hoje têm que aprender tantas coisas, no sentido de salvar e de curar. Então, é possível que um não neurologista se sinta muito inseguro de orientar e discutir essa possibilidade de morte encefálica.
"... a gente tem até, em partes da aula de coma, como se faz o diagnóstico de morte encefálica. Mas é um pedaço da aula." Apenas um pedaço da aula. Nada importante. Banal. E os transplantadores afirmam que o diagnóstico de morte encefálica é seguro! E você, candidato a doador, acredita. 

Talvez seja por isso que centenas de pessoas estão acordando durante o seu próprio funeral. 

Procure pelo google notícias sobre pessoas que acordam durante o seu funeral e supreenda-se com a quantidade de relatos. Por sorte, eles não foram doadores, pois se fossem não acordariam uma vez que estariam sem os órgãos internos.
Um estudo feito com médicos intensivistas em Porto Alegre, em 2006, concluiu que 16% desconheciam o conceito de morte cerebral. E 29% não foram capazes de determinar a que horas o cérebro parou de funcionar, e 53% não se consideram seguros para explicar para a família o que significa a morte do cérebro.
Vejam: 16% desconheciam o conceito morte cerebral (e por consequência encefálica - que é a importante - também). 29% não foram capazes de determinar o conceito de morte cerebral (e por consequência também a encefálica). E por último 53% não se consideram seguros para explicar a família o que significa a morte do cérebro, mas apesar de tudo isso, eles dizem: DOEM ÓRGÃOS, é extremamente seguro!
“O nosso estudo, então, mostrou que o conhecimento sobre o tema morte encefálica é insuficiente entre os profissionais que atuam diretamente com esses pacientes”, aponta o médico intensivista pediátrico Dr. Alaor Schein, autor da pesquisa. 
O estudo comprova: o conhecimento sobre o tema morte encefálica é insuficiente. Mas os transplantes não podem parar. Veja agora o que diz Drauzio Varella.
Quando dizemos que há médicos inseguros sobre o diagnóstico de morte cerebral, isso não quer dizer que algum órgão pode ser retirado de uma pessoa ainda com vida. Não existe a menor possibilidade, em hipótese alguma. Identificar ou não a morte cerebral não muda o destino de ninguém. A pessoa já está morta. O problema é que, sem fazer o diagnóstico, a oportunidade de doação de órgãos está perdida. 
Entendeu? O diagnóstico não serve para nada. Segundo os médicos que desconhecem o critério de morte encefálica e não sabem sequer explicá-la, já assumiram que a pessoa está morta, mesmo sem que seja submetida a um diagnóstico tão importante e que ninguém sabe fazer. O diagnóstico deve ser aplicado só para efeitos de transplantes, e livrar os médicos de ações de homicídio. É uma forma de colocar no papel que o paciente está morto e que a família concorda. Nada mais do que isso.

Em Taubaté e Poços de Caldas, as análises de prontuários de mais de 20 pacientes doadores, constatou-se que seus órgãos foram retirados quando ainda estavam vivos. Os processos de homicídios gerados por estes prontuários foram abafados pela rede de transplantadores para que Drauzio pudesse falar que isso é impossível. A inteligência dos doadores está sendo ignorada e tolhida. Dizer que ninguém sabe ao certo como é o diagnóstico de morte encefálica e em seguida afirmar que ele não serve para nada, e ainda que a morte é um processo seguro de se diagnosticar é duvidar da capacidade intelectual de um doador.

sábado, 11 de abril de 2009

Drauzio Varella e Transplantes: mentir para prosperar!

Amanhã estréia no Fantástico da Rede Globo, uma série de reportagens sobre transplantes de órgãos, cujo título é "O dom da vida". O programa já começa com um tremendo equívoco. Transplantes é o dom da morte. Vida para alguns, e morte para muitos. Mas as histórias de sobreviventes são as que chegam aos brasileiros pela imprensa. Os mortos são enterrados e esquecidos, como devem ser. E que sirvam de exemplo.

Falar de tráfico de órgãos e assassinato de doadores, Drauzio Varella não vai. E explico os motivos. O mesmo programa Fantástico falou do caso do meu filho por duas vezes (veja a última reportagem abaixo). As investigações naquele momento, versavam sobre a extorsão da conta do hospital onde me obrigaram a pagar despesas referentes à doação, que segunda a rígida lei dos transplantes, é gratuita. Porém, quando as investigações desnudaram uma rede mafiosa de traficantes de órgãos, envolvendo políticos e médicos renomados, o Fantástico desapareceu. Negou-se a falar do assunto. Fechou as portas e desligou a tv.


O silêncio da emissora se perpetua até hoje, mas o crime cometido continuou acontecendo. No Brasil, segundo médicos e políticos, não existe tráfico de órgãos. É lenda urbana.

Na Itália, onde estou asilado por ter denunciado esta quadrilha, frequentemente se discute publicamente sobre casos de pessoas em coma a mais de 5 ou 10 anos. No Brasil, você já viu este tipo de discussão? Não? E sabe por que? Porque no Brasil, nenhum paciente em UTI pública consegue ficar ligado a equipamentos por mais de 7 dias. Eles são desligados embora a legislação considere isto homicídio. Muitos se tornam doadores, e as autoridades brasileiras sabem disso. E não é só isso. As autoridades são coniventes e fazem o que podem para acobertar estes crimes.

É o caso, por exemplo, dos assassinatos em Taubaté na década de 80. Vários pacientes foram mortos para alimentar uma rede de transplantes particular comandada por Emil Sabbaga. O processo de homicídio de vários doadores durou 20 anos até expirar o prazo para julgamento. Emil Sabbaga era presidente da ABTO (organização que alega que no Brasil não há tráfico de órgãos) exatamente na época em que os crimes foram cometidos e implantava os órgãos provenientes dos assassinatos em pacientes particulares. No processo que não deu em nada, uma das vítimas era uma criança. Um livro sobre o caso de Taubaté foi escrito pelo médico que o denunciou, mas a publicação foi recolhida das livrarias e a editora foi fechada. Veja o vídeo abaixo.

A história se repete. Em 2000, Paulinho Pavesi teve os órgãos retirados mediante anestesia geral enquanto ainda estava vivo. Outro médico descreveu de próprio punho que Paulinho estava sem morte encefálica. Celso Roberto Frasson Scafi é sócio do deputado estadual Carlos Mosconi, mentor desta máfia e que criou uma central clandestina para realizar transplantes naquela cidade. Scafi foi indiciado, mas escapou do processo de homicídio. Seu nome foi substituído pelo nome de outro médico que atendeu na emergência. Alguém que tenha como sócio um deputado federal, não chega aos tribunais. Ao contrário. Scafi foi conduzido a Campinas para integrar a equipe da UNICAMP e continuar a fazendo o que faz.

O crime contra o meu filho está repleto de provas. Os assassinos criaram uma central clandestina de transplantes. Mosconi, que possuia naquela época uma grande amizade com o Ministro da Saúde José Serra, conseguia com que os transplantes fossem pagos sem que houvesse sequer um CNPJ da central. Não havia nem mesmo autorização, conforme pode-se ver na reportagem acima do Fantástico.

A quadrilha criou também uma ONG chamda PRO RIM onde as pessoas que pretendiam receber um rim deveriam ser inscritas. Estas pessoas eram obrigadas a "doar dinheiro" em troca de um transplante fora da fila. O depoimento abaixo não deixa dúvida.


Os crimes cometidos pela quadrilha de Poços de Caldas não limitou-se ao assassinato de doadores. Os hospitais da cidade atuavam sem alvará da vigilância sanitária. Falsificaram provas e documentos com a ajuda de Procuradores Federais, em especial, José Jairo Gomes que hoje ocupa o cargo de Procurador Regional Eleitoral em Minas Gerais. Desviavam dinheiro do SUS e cobravam por internações que nunca fizeram. Segundo o delegado da Polícia Federal Célio Jacinto dos Santos, que investigou o caso, havia até um rodízio de clínicas particulares que recebiam as córneas captadas em Poços de Caldas e as transplantava sem autorização em pacientes particulares. Célio Jacinto dos Santos, mais tarde foi cooptado pela máfia e ignorou todas as investigações, passando a me perseguir.

José Jairo Gomes e mais 8 procuradores federais, uniram-se ao delegado Célio Jacinto e me processaram criminalmente por injúria, calúnia e difamação. Eu os chamei de corruptos, vagabundos e outras coisas mais. A pena, caso fosse condenado, chegava a 60 anos de cadeia. Fui absolvido e a justiça solicitou que minhas acusações fossem investigadas. A juíza que me absolveu citou no processo que achou estranho que nomes como o de Celso Scafi e Sergio Poli Gaspar (o anestesista de cadáveres) tivessem sido excluídos do rol de acusados. Mas nada foi além. A máfia não permite.

Drauzio Varella tem um papel importante no cenário artístico do mundinho médico brasileiro. Ele é o garoto mídia. "Ele é o cara", como diz Obama. Drauzio emprestou seu blog em 2004 para o médico Elias David Neto dizer que a CPI do tráfico de órgãos não era para investigar tráfico de órgãos e sim tráfico de pessoas. Foi neste blog que o Elias David Neto também disse que no Brasil não há tráfico de órgãos. Chegou a citar um relatório do FBI que dizia que no mundo, histórias de tráfico de órgãos são todas iguais e mentirosas. Não trocavam, segundo Elias, sequer os nomes das vítimas.

Eu escrevi para o FBI que me respondeu prontamente. O tal relatório foi produzido em 1992, mas o FBI não sabia do que se tratava. O FBI NUNCA produziu tal relatório. O relatório foi produzido por uma instituição cujo objetivo é desinformar. Nas mãos de Elias, o relatório ganhou peso de FBI. Era mentira. Mas Drauzio assinou em baixo.

Não é estranho se observarmos que Elias David Neto e Luiz Estevam Ianhez foram acusados de desviar órgãos de um hospital público para um hospital particular. A acusação ganhou fóro público quando Elio Gaspari os acusou de privatistas dos transplantes num artigo da Folha de S.Paulo. Mas nada foi investigado. Alguns anos depois, Elias David Neto foi acusado novamente, desta vez, pelo apresentador de televisão Athaide Patrezze por ter lhe oferertado um rim por 50 mil dólares. Elias David Neto novamente não foi investigado. Athaide disse em uma reportagem da TV Band que na fila de espera de Osmar Medina só tem milionários. O estranho não são os milionários. O estranho é que Medina tenha uma fila.


Neide Barriguelli e Athaide Patrezze morreram após a CPI.

Elias David Neto, Luis Estevam Ianhez e Osmar Medina têm várias coisas em comum. São médicos transplantistas, defendem principal acusado do assassinato do meu filho Álvaro Ianhez e pertencem a ABTO. Não como meros membros participantes, mas foram presidente da instituição e a controlam com punhos de ferro.

Luis Estevam Ianhez tem uma particularidade. É irmão de Álvaro que responde pelo homicídio do meu filho. O médico Álvaro Ianhez tem uma proteção especial. Mesmo respondendo por homicídio, o SUS o contratou para atuar na área de transplantes em Manaus. Ianhez fechou seu escritório em Poços de Caldas e atuou em naquela cidade durante algum tempo. Até que notícias de tráfico de órgãos de indígenas Manauras começaram a aparecer pela mídia. Ianhez saiu de Manaus e novamente foi agraciado pelo SUS a transplantar desta vez em São Paulo, e está planejando junto com o deputado Mosconi montar uma nova central em Poços de Caldas.

O processo de homicídio do meu filho está para acabar. Depois de 7 anos de recursos para retardar o processo, o processo está acabando. Enquanto eu estava pedindo asilo político na Itália por estar sendo perseguido por autoridades brasileiras, Mosconi conseguiu fazer com que o processo deixasse a esfera federal e fosse remetido para Poços de Caldas, justiça comum, onde ele domina todas as esferas. Eu fui impedido de ser testemunha de acusação e o processo só possui testemunhas de defesa. É verdadeiramente um processo num estado de direito democrático. Outros 3 processos sobre o assassinato de outros 8 doadores também tomaram o mesmo caminho. Todos foram levados para o campo onde Mosconi domina.

Vale lembrar que o Conselho Federal de Medicina, sem me ouvir também absolveu os envolvidos no caso do meu filho de todas acusações. Não só no âmbito médico, mas absolvendo também do estelionato, da falsificação de documentos, da criação ilegal de uma central clandestina e coisas do gênero. Este CFM é tudo de bom. O vídeo abaixo mostra como médicos estão preocupados com transplantes.

Desde o começo, Mosconi afirma que os médicos serão inocentados e que a verdade virá à tona. Como dizem aqui na Itália, não é pela justiça que o Brasil é conhecido aqui fora. Mas pelas dançarinas. E isto sim é verdade.

Traficantes de órgãos nunca são investigados pois fazem parte de um grupo seleto de médicos e políticos intocáveis. Jamais sentarão em um banco dos réus. E os depoimentos abaixo extraídos da CPI em 2004 dizem tudo o que eu gostaria de dizer neste momento.


Se você está achando pesado, preciso lembrá-lo que não é só doadores que este grupo matou. Carlos Henrique Marcondes, administrador do hospital onde meu filho foi assassinado, instalou escutas telefônicas no centro cirúrgico e precisou ser suicidado. Na foto abaixo é possível vê-lo com as mãos raspadas com ácido para que não fosse possível afirmar com precisão que ele teria disparado 3 tiros contra si mesmo. Este caso também foi abafado e o Ministério Público Federal não quer investigá-lo por nada neste mundo.

Este é o trabalho que Drauzio Varella tem pela frente. Dizer que o transplante salva vidas, que tráfico de órgãos não existe e que não devemos acreditar em tudo o que lemos na internet. Devemos acreditar no Fantástico e no Blog de Varella. Devemos acreditar que em um país onde a corrupção faz parte da cultura, o sistema de transplantes vive imune a qualquer safadeza. Devemos acreditar que a verdade sobre transplantes é esta que Varella transformará - quem sabe - em um novo sucesso como o Carandirú.

A única certeza que eu tenho é que você não ouvirá e nem verá nada do que eu te contei agora no Fantástico ou numa série de Varella.

É uma história bastante triste e que o público brasileiro não deve e não pode saber. Os transplantes não podem parar. Não por aqueles que estão na fila, pois estes pouco importam para os traficantes. Mas o dinheiro que movimenta este mercado, sem doadores, seria reduzido e muito. E reduzir dinheiro de traficante durante esta crise econômica não é legal.

Agora, que venham os processos. Seria ótimo discutir minhas denúncias num tribunal italiano, com direito a observadores da ONU. Vamos lá!!!

Vocês são todos - médicos, procuradores e autoridades em geral - um bando de canalhas.

sábado, 4 de abril de 2009

Atenção traficantes de órgãos no Brasil

Preparem seus advogados.
 
É hora de todos conhecerem nomes, organizações e histórias que a imprensa não tem coragem de falar. É hora de conhecer aqueles que estão ganhando alguns milhares de reais todos os anos vendendo pessoas. É hora de conhecer autoridades que estão mantendo uma redoma de vidro em torno de médicos e políticos que matam pacientes em leitos de UTI - inclusive crianças - para vender seus órgãos. É hora de saber em que instituições estão acontecendo o roubo de órgãos. 
Preparem seus advogados para me processar, pois não precisa deles para se defenderem. E aqui, todos entenderão o motivo.
Que venham os processos.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Apesar de asilado, as ameaças continuam

Não basta estar asilado e a impunidade dos acusados. Eles querem meu sangue.

Aproveite para ler o meu blog pois ele corre o risco de ser retirado do ar em breve, segundo ameaças de Mosconi. Conforme venho denunciando há mais de 7 anos, o grupo criado na década de 90 por Carlos Eduardo Venturelli Mosconi, uma ONG que recebeu o nome de MG SUL TRANSPLANTES, assassinou uma criança de 10 anos para fins de venda de órgãos. A venda de órgãos não foi comprovada porque o Ministério Público Federal se negou a aprofundar as investigações, embora existam provas concretas, o que envolveria políticos e médicos renomados brasileiros que se utilizam da fragilidade das leis (que Mosconi diz ter ajudado a criar) para perpetuar o tráfico de órgãos, e ganhar alguns milhares de reais, além de muita fama.

De fato, Mosconi colaborou como relator da lei da doação presumida de órgãos, onde você brasileiro que está lendo este texto, tornou-se doador mesmo contra a sua vontade, sendo obrigado a escrever em seu documento que não desejaria tornar-se doador, nem enquanto morto, nem enquanto vivo.

Vale lembrar de um carta apreendida (e depois desaparecida) onde Mosconi pedia que fosse implantado um rim num cumpadre do prefeito de Campanha, obviamente, fora da fila. O transplante foi feito pelo seu sócio, conforme depoimento da Polícia Federal em que o delegado questiona porque teria cobrado 8 mil reais pelo transplante. Tudo isso foi abafado.

Em 2000, a ONG (conforme revista da ABTO), transformou-se sem qualquer legalidade em uma central de transplantes que distribuía órgãos a revelia e controlava uma fila paralela de transplantes. (tenho depoimento em vídeo confirmando esta afirmação).

Em 2004 foi instalada uma CPI Federal onde o caso foi apurado e 9 médicos foram indiciados, entre eles o sócio de Mosconi Celso Roberto Frasson Scafi que antes mesmo de ser processado (embora indiciado), foi substituído do rol de acusados por médicos que participaram na emergência. Scafi mesmo indiciado foi inserido na equipe da Unicamp onde está até hoje, como se nada tivesse acontecido. Lembro que o crime aconteceu quando os órgãos foram retirados de Paulinho, 10 anos, quando ainda estava vivo. Estava tão vivo que foi submetido a massivas doses de Dormonid além de uma anestesia geral, conforme anotações no prontuário dos próprios médicos.

Infelizmente, o Ministério Público Federal está até hoje com o relatório desta CPI em uma gaveta para que o sócio de Mosconi e outros membros de sua Máfia não sejam incomodados. Mosconi é um mafioso perigoso e goza de grande influência e poder político.

Os áudios e notas taquigráficas desta CPI, bem como o relatório final, estão à disposição de qualquer cidadão brasileiro na Câmara dos Deputados Federais.

As ações movidas segundo Mosconi, dele contra mim, jamais me intimaram para depor. Em nenhum momento recusei qualquer depoimento que tivesse conhecimento. Tal fato pode ser comprovado facilmente para quem tiver acesso ao processo que ele diz existir. Aliás, em um processo movido pelo diretor da Rede Record Luiz Gonzaga Mineiro contra mim, o advogado de Mineiro citou tal processo e a justiça não conseguiu localizar. O número usado pelo advogado de Luiz Gonzaga Mineiro - Luiz Flávio Dúrso, se referia na verdade a um processo do Ministério Público Federal contra mim, do qual eu fui absolvido e a juíza reconheceu que eu estava com a razão. Diga-se de passagem, o processo de Luiz Gonzaga Mineiro, também eu venci.

Para situar os leitores, Luiz Gonzaga Mineiro era diretor de jornalismo da Rede Record quando fizeram um programa sobre tráfico de órgãos e minimizaram todas as acusações no caso do Paulinho, impedindo ainda que eu fizesse um depoimento. Na matéria, o Mineiro afirma, assim como Mosconi faz agora, que eu me neguei a dar entrevista. Por sorte eu havia gravado uma conversa minha com o repórter que fez a matéria onde ele confirma esta manobra feita por Mineiro. Vale ainda lembrar que Luiz Gonzaga Mineiro é irmão do atual prefeito de Poços de Caldas, Paulinho Courominas que tem como uma de suas secretárias, a esposa de Mosconi. Neste parágrafo pode-se ter uma idéia do poder deste mafioso.

As acusações que este mafioso faz contra mim, não são verídicas. Na verdade, são completamente inversas. Lembro que na CPI foi discutido várias vezes (e está nas notas taquigráficas), sua convocação para depor na CPI. Aliás, na mesma CPI que depus por duas vezes sem fugir a qualquer chamado. Ainda a bem da verdade, o segundo depoimento, foi eu quem pediu para ser chamado. Mosconi conseguiu "convencer" a comissão a não chamá-lo pois usaria sua influência política para tumultuar a sessão, e assim foi feito.

Em relação ao processo de homicídio do meu filho e que o mafioso já comemora antecipadamente a absolvição, devo lembrar que após 6 anos no fórum da justiça federal de Belo Horizonte, nenhum depoimento meu foi permitido apesar de diversas insistências da minha parte. O processo possui somente testemunhas de defesa, e apenas uma testemunha de acusação que é a nora de uma dos acusados. Vale lembrar também que além do Paulinho, 10 anos, outras 8 vítimas foram assassinadas pelo mesmo grupo. Todos os processos, inclusive o processo do Paulinho foram retirados da justiça federal de Belo Horizonte no ano passado (2008) e encaminhados para o fórum de Poços de Caldas onde serão sumariamente absolvidos, conforme afirma Mosconi.

Eu poderia também falar do assassinato de Carlos Henrique Marcondes, que após grampear o centro cirúrgico do hospital onde meu filho Paulinho morreu, e que foi encontrado morto. Marcondes foi morto com o disparo de 3 tiros. Marcondes ameaçou tornar público o que havia descoberto. O carro onde Marcondes foi encontrado foi lavado duas vezes após o crime, e o fato deu-se como suicídio. Suas mãos foram raspadas para que nenhum exame pudesse comprovar a tese de suicídio, já que não foi possível encontrar pólvora nas mãos do administrador. A equipe que atendeu Marcondes, foi a mesma que matou meu filho. Estes dados e fatos sequer chegaram a justiça. O inquérito policial foi aberto por várias vezes e encerrado de forma leviana pela polícia civil daquela cidade que fazia grandes esforços para abafar o crime. A justiça, porém, reconheceu que o caso de Marcondes é um crime a ser esclarecido, mas quem o fará? Quem foi o maior beneficiado com este assassinato?

A esposa de Marcondes conseguiu um depoimento na polícia federal em São Paulo, mas o Ministério Público Federal afirmando que Marcondes havia desviado dinheiro do hospital, e confiscou todos os bens da família. A esposa de Marcondes negou-se a depor em São Paulo e em seguida seus bens foram liberados, como se fizessem uma mágica!

Atualmente eu estou sob proteção do governo italiano, concedido em setembro de 2008 quando apresentei o pedido de asilo político. Por não estar em guerra, o governo italiano me concedeu asilo humanitário após analisar todas as provas que apresentei inclusive na CPI do Tráfico de Órgãos. Foram necessários pouco mais de uma hora e trinta minutos para que o tribunal internacional julgasse e concedesse por hunanimidade o asilo. As provas são indiscutíveis.

Aqui na Itália estou percorrendo especialistas médicos que estão analisando prontuários e documentos para que a verdade venha à tona. Mosconi pode falar o que bem quiser, pois como ele mesmo destaca em seu e-mail, ele é inatingível.

Quem não se lembra da agenda de APS onde o nome de Mosconi aparecia várias vezes com valores de 50 mil para facilitar o acesso do lobista dentro do Ministério da Saúde, e que não deu em nada?

Quem não se lembra da compra de carros de luxo com notas frias na câmara dos deputados, quando Mosconi adquiriu um Fiat Marea e que não deu em nada?

Mas os fatos verdadeiros estão documentados. Mosconi - o mafioso - e sua grande influência política conseguiram abafar este caso, dentre tantos outros que existem no Brasil, mas querer me calar, é uma missão impossível.

Vocês mataram meu filho. Destruíram a minha vida, e vão se safar de mais essa. Nenhuma novidade para um país como o Brasil. Me processe canalha! Tire até o último sangue.

Todas as informações acima, podem ser comprovadas pois tenho cópias de documentos oficiais, áudios, vídeos, fotos e notas taquigráficas. O resto é uso abusivo de poder.

Caro mafioso. Me processe aqui na Itália. Vamos deixar um tribunal isento onde você não tenha influência decidir quem está com a razão, se é que sem usar o seu poder, lhe resta alguma coragem.

Paulo Pavesi

Abaixo mensagem de Mosconi
ESCLARECIMENTO SOBRE A MENSAGEM DISTRIBUÍDA PELA INTERNET NO DIA 11.03.09
O Deputado Carlos Mosconi não responde às acusações delirantes constantes na mensagem. Porém, em consideração às pessoas que receberam o e-mail, o Deputado esclarece que já processou o remetente na Justiça, que intimou o referido individuo várias vezes para comparecer e se pronunciar, não tendo o mesmo comparecido a nenhuma das audiências, desobedecendo, reiteradas vezes, as ordens do Poder Judiciário.

O Deputado Mosconi contribuiu de forma significativa para a formalização da legislação vigente sobre transplantes, sendo de sua autoria o dispositivo constitucional que proíbe a comercialização de órgãos no Brasil. (art.199 § 4º da Constituição Federal)

Quando exerceu a presidência do então INAMPS de 1992 a 1993, o Deputado Carlos Mosconi foi responsável pelo credenciamento de serviço de transplantes em vários hospitais no Brasil, serviços esses que continuam até hoje salvando vidas de milhares de brasileiros.

O Deputado Mosconi sempre manifestou seu orgulho por ter feito parte da equipe de transplantes de Poços de Caldas, quando da implantação daquele serviço na cidade.

Sabe que cumpriu com seu dever de médico e parlamentar, quando defendeu desde o início, e defende até hoje, aquela equipe médica, vítima de absurda calúnia. Essa defesa intransigente, corajosa e incansável, que começou na Tribuna da Câmara dos Deputados, parece ser o fator desencadeador da ira e fúria desmedida e inconseqüente daquele individuo. Esse seria, assim, o único elo de ligação do Deputado ao caso.

O Deputado Carlos Mosconi deixa claro que jamais foi citado pela Justiça, nem responde a qualquer processo, inquérito ou representação relacionados a esses fatos caluniosos.

O Deputado Mosconi, mais uma vez acionará a Justiça, buscando reparação pelas renovadas calunias apresentadas.

Finalmente, esclarece que nenhum dos membros daquela equipe médica sofreu condenação judicial ou administrativa de nenhuma espécie, pelo contrário, até o momento os provimentos processuais foram favoráveis aos acusados restando poucos passos para que a Justiça estabeleça definitivamente a verdade.

Assessoria de Impressa do
DEPUTADO CARLOS MOSCONI


Conheça melhor quem me ameaçaclicando nos títulos:


Nenhum dos casos acima chegou à justiça ou incomodou Mosconi. Assim é fácil ameaçar os outros e se orgulhar da impunidade.


Para saber detalhes do caso Paulinho leia:

A história de Paulinho narrada em 2002 pela CartaCapital - A matéria mais completa e honesta já publicada sobre o caso.

Remoção de órgãos de Paulinho com anestesia geral - O Anestesista classificou Paulinho como vivo antes de administrar Etrane (anestesia inalatória). Ele mentiu para a polícia federal, para o ministério público federal, mas foi desmentido publicamente durante a CPI. Ele me processou por chama-lo de mentiroso e fui condenado a indenizá-lo, uma vez que o processo correu em Poços de Caldas, berço da máfia.

Avaliação neurológica comprova: O estado de saúde não era grave. - Documentos que constam nos autos, comprovam que Paulinho foi levado ao hospital e sua primeira avaliação neurológica não era grave como dizem os médicos para se defenderem.

Exames fraudados com ajuda de procuradores federais e ministério da saúde. - Em um esquema montado dentro do gabinete do Ministro José Serra, Carlos Mosconi - o chefe da máfia - era informado a cada passo sobre os documentos obrigatórios que não foram entregues à auditoria. Mosconi repassava a informação para os assassinos que forjavam os papéis. Depois, estes documentos eram levados ao Ministério da Saúde e entregues ao procurador José Jairo Gomes. Este último encaminhava os mesmos ao delegado da polícia federal Célio Jacinto do Santos, que anexava ao inquérito como sendo documentos "originais". Veja alguns destes documentos. Nenhum médico responde ou respondeu por falsificação de documentos.

Sem Morte Encefálica. - Foi assim que o médico e assassino Celso Roberto Frasson Scafi descreveu o estado de saúde de Paulinho, minutos antes de lhe retirar o rim. Scafi escreveu de próprio punho que Paulinho estava SEM MORTE ENCEFÁLICA, porém, como é sócio de Carlos Mosconi, seu nome foi excluído do rol de acusados. Scafi estava indiciado pela polícia federal pelo crime de retirada ilegal de órgãos, e foi inserido em uma equipe da UNICAMP (ainda quando estava indiciado) para continuar realizando transplantes em Campinas, pelo Ministério da Saúde.

Asilo Humanitário - Você não verá isto na imprensa brasileira. O caso Paulinho está proibido de ser divulgado, exceto se for para inocentar (ainda mais) os assassinos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Itália - 1 de abril

Exatamente há um ano atrás eu desembarcava em Roma, buscando ajuda e apoio para requerer asilo político. Perseguido no Brasil por ter denunciado uma máfia de políticos e médicos renomados - todos traficantes de órgãos, a saída foi deixar o país. A Itália, berço da minha família, foi a opção que tinha para começar uma nova vida. Aqui fiz vários contatos que me deram apoio para que pudesse fazer o pedido. Após 8 dias caminhando por Roma, voltei ao Brasil, arrumei as malas e vim definitivamente em 12 de junho do mesmo ano.
A experiência de sair do Brasil e perceber que no mundo ainda existem pessoas preocupadas com a vida humana, é uma sensação indescritível. No Brasil, isso não existe mais. A vida humana perdeu o valor. Vale uma estrelinha no peito. Vale uma propina. Vale um terrorista de terno que se diz Ministro de alguma coisa.
A eutanasia e o aborto são discutidos pela imprensa e mobilizam tribunais. No Brasil, a eutanasia e aborto são fatos corriqueiros. Acontecem todos os dias, aos milhares. E os tribunais nem ficam sabendo, e mesmo se soubessem, não fariam nada. O que movimenta milhões não se põe a mão no Brasil. 
Há pouco tempo criou-se tremenda polêmica em torno do caso de Eluana, em coma há vários anos, cuja família desejava desligar os aparelhos. Se fosse no Brasil, a manchete do jornal seria: Eluana doa os órgãos e salva 7 pessoas. Eluana estava em coma há 17 anos. No Brasil não existe ninguém em coma há mais de 1 mês numa UTI pública. Vira doador e herói.
Só aqui fora é que se pode avaliar o que significa o Brasil. Só aqui fora se pode entender o real significado da palavra cidadania. A cidadania não é pegar um ônibus equipado com cadeira de dentista e obturar alguns dentes da população carente, uma vez por ano. Cidadania não é dar registro civil para aqueles que não podem pagar. Nem é votar ou doar órgãos. A cidadania não é ajudar velhinhos a atravessar a rua. A cidadania não se divide em classes como é no Brasil. Cidadania é algo muito maior e é a representação viva de um povo. 
Um cidadão - seja de qualquer classe social - tem o direito de ver os impostos sendo aplicados em benefícios do país. Saber que cada centavo pago ao governo está sendo usado com muita preocupação e respeito pois é fruto de muito trabalho. O trabalho, num país civilizado como a Itália, não é apenas um meio para ganhar a vida. É um ofício, é um templo sagrado, é algo respeitoso. E dele que se constrói um país. 
Ser respeitado é um convite para respeitar ao próximo. Coisa que não existe mais no Brasil, onde ninguém respeita ninguém. Onde alguns acreditam que são melhores que os outros. Onde quem tem uma vaga no governo gasta o dinheiro como e onde quer porque não precisa prestar contas.
Aqui sou respeitado. Ouviram minhas denúncias, me acolheram e reconheceram os abusos do estado brasileiro. Quando cheguei, ninguém aqui acreditava que o governo aceitaria o meu pedido pois o Brasil é um país democrático. Acusei o presidente da república de proteger assassinos e muitos não acreditaram. Alguns meses depois que o meu asilo foi concedido, repercurtiu o caso Cesare Battisti e aqueles que duvidaram no começo, hoje me abraçam. 
Aqui fiz amigos que em 40 anos de Brasil não consegui fazer. 
Estou feliz. Itália é o meu país.