Desembargadores comprados

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Precisa-se de órgãos urgente em Campo Grande

Quem não se lembra do acidente aéreo sofrido por Luciano Huck e sua esposa Angélica?

Eles foram levados para a Santa Casa de Campo Grande, e tiveram atendimento de primeiro mundo. Foram internados diretamente na UTI cardíaca do hospital e tiveram alta algum tempo depois. Saíram muito agradecidos, mas por via das dúvidas, foram para o Albert Einstein checar se estava tudo ok. E a boa notícia é que ambos estavam ótimos, apesar do que sofreram.

Não tiveram a mesma sorte 6 pacientes que precisavam de UTI naquele mesmo dia, e foram recusados pelo hospital, segundo o SAMU, informou o site de notícias TERRA. Um deles faleceu por falta de atendimento, vítima de infarto.
A Santa Casa de Campo Grande, para onde foram levados os apresentadores Angélica e Luciano Huck após o acidente aéreo sofrido no último domingo , negou atendimento a seis pacientes que precisavam ser internados na UTI e tinham sido socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nos últimos dias. Quem faz a denúncia é o coordenador-geral do Samu em Campo Grande, Eduardo Cury. Em entrevista ao Terra , ele contou que o casal não precisava ser colocado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de cirurgia cardíaca, mas foi transportado para essa área do hospital, segundo informou, para ser isolado do assédio dos funcionários.
Ontem, 3 de agosto de 2015, os médicos deram uma entrevista coletiva neste hospital para solicitar ajuda a população para que mais leitos de UTI estejam disponíveis para quem precisa.



Estava toda a imprensa reunida para ouvir a apelo dos médicos por mais UTIs e melhores condições de atendimento, não só ao Luciano Huck e Angélica, mas para todos os brasileiros que necessitam.

A imprensa atendeu ao chamado para a entrevista coletiva. Estavam a Globo, o SBT, a Record, a imprensa local, jornais e por ai vai.

O problema é que a entrevista não era para o motivo que eu pensava. Ao ler a reportagem, percebi que os médicos estavam ali reunidos para dizer a todos que estão precisando que a população doe órgãos! Sim, queridos leitores. A falta de UTI e de condições básicas não incomodam os médicos. Mas a falta de órgãos sim! Sem órgãos eles não transplantam, e sem transplante, não ganham dim dim!

Reparem a cara de preocupados, dos médicos participantes da coletiva. Eles precisam de órgãos para transplantar! Não se falou da falta de UTI, de medicamentos, da demora de atendimento, e muito menos dos 6 pacientes que foram recusados para que Huck e esposa fossem atendidos. 

Eles querem salvar vidas!! ehehehehehe, mas precisam de órgãos! Entendeu

Sabe aquele outro mito de que a lista de espera por um transplante não pode ser disponibilizada ao público porque os pacientes não podem ser constrangidos? Pois é. É outra balela desvendada pela reportagem.

Vanildo Pereira dos Santos
Este da foto é o transplantado Vanildo Pereira dos Santos e sua esposa, usados pelos médicos para pedir órgãos à população. Não pode publicar o nome dele na lista, mas pode usá-lo para pedir órgãos?

Qual a lógica deste negócio? Publicar o nome em lista de espera constrange, mas pedir órgãos publicamente não?

É isso! Mais uma vez os transplantistas mostram a cara. 6 médicos reunidos para pedir órgãos à população e nenhuma palavra sobre as péssimas condições de atendimento na rede pública.

Lobos em pele de cordeiro.

sábado, 1 de agosto de 2015

O que fazer para acabar com o tráfico de órgãos?

No post passado, o nosso amigo "provavel receptor anarquista" expôs suas idéias das quais compartilho 100%.

Primeiro precisamos definir tráfico de órgãos. O tráfico de órgãos não só aquele que estamos acostumados a pensar que existe, como por exemplo, o paciente que é levado a morte em um hospital público para que os órgãos sejam vendidos, ou ainda uma criança raptada para tais fins. Se um paciente está em primeiro lugar na fila, não há motivos para que se prolongue a espera por meses. Significa que alguém pagou para obter um órgão prejudicando aquele que tem direito. Isto também é tráfico de órgãos.

No caso da máfia do tráfico de órgãos de Poços de Caldas, eles mantinham uma lista paralela que atendia clientes do chefe da quadrilha. Isto é tráfico de órgãos.

Para eliminar este problema, a transparência é o melhor caminho. 


Atualmente os bancos controlam cada centavo de milhões de contas correntes em todo o país. A lista de espera por um órgão, até pouco tempo atrás, possuia apenas 30 mil (digo "apenas" comparando o número de contas correntes). Atualmente já se fala em 50 mil pacientes na fila de espera. O número não é 51.232 ou 49.321. É 50.000! Conta de mentiroso. Número que alguém diz e não sabe de onde tirou. Estimou. Achou que era. 

Para resolver o problema, bastaria uma lista única na internet, ou regional que seja, para mostrar quem são estes pacientes, o tipo sanguíneo, a gravidade do caso e outras informações para que todos pudessem acompanhar. Hoje não existe esta lista. Não há qualquer forma de saber em que posição se encontra um paciente a espera de um órgão. 

É como se você fosse no Poupa Tempo, tirasse uma senha, e percebesse que embora seja um dos primeiros, dezenas são atendidos na sua frente. Você não sabe os números que os outros possuem em mãos e não pode questionar. Em outras palavras, o seu número não vale para nada. Você vai passar um mês esperando a sua vez, pois os critérios não são transparentes.

Os transplantistas afirmam que os pacientes não querem ter sua privacidade desrespeitada. Ora, quem disse? Quais pacientes não querem saber em que posição está e quando tempo ainda precisa esperar? Quer saber mais? O tempo de espera é importante até para a manutenção da vida. Que tratamento tentar? O que fazer enquanto espera? Se não sabem quanto tempo têm, como podem gerenciar suas enfermidades?

A mesma transparência é fundamental do outro lado. Para quem foram os órgãos doados? Em que posição o receptor estava na fila? Quem transportou? Onde os órgãos foram captados e qual a causa da morte do paciente. 

O único que sabe as respostas é o médico. Ele sabe de onde vieram os órgãos e sabe para onde vão. Ninguém mais sabe. Ele é o intermediário! E o intermediário é o cara que as pessoas pagam para obter vantagens!!

Os médicos são os maiores impecílhos para o fim do tráfico de órgãos. Eles fazem de tudo para que não haja transparência neste processo, pois é sem a transparência devida que os órgãos são desviados e implantados em quem pode pagar alguns milhares de reais em detrimento daqueles que não podem.



sábado, 5 de novembro de 2011

O que eles nao te dizem!

Transplantados têm mais chances de desenvolver até 32 tipos de câncer


Pessoas que recebem transplantes de órgãos têm maiores chances de desenvolver 32 tipos de câncer, de acordo com estudo publicado na revista Journal of the American Medical Association. Os mais comuns, segundo a pesquisa, são de rins, fígado, pulmão e linfoma de Hodgkin.

Segundo os pesquisadores, pessoas transplantadas aumentam em duas vezes o risco de desenvolver qualquer tipo de câncer em comparação com quem nunca recebeu um transplante.

O aumento no risco de desenvolver a doença acontece porque os medicamentos recomendados aos pacientes para que o novo órgão não seja rejeitado faz com que o sistema imunológico não possa agir da mesma maneira, assim os riscos de ter uma infecção aumenta.

Eric Engels, líder do estudo, ainda aponta que esses medicamentos podem até funcionar como cancerígenos e ajudar a doença a se desenvolver.

No estudo foram analisados dados de mais de 175 mil pacientes transplantados e 14% deles desenvolveram linfoma de Hodgkin, câncer nos glóbulos brancos. O risco da doença foi sete vezes maior nos transplantados, especialmente os que receberam pulmão.

O câncer de pulmão foi segundo mais comum nos pacientes, 12,6 % tiveram a doença. Os estudiosos acreditam que esse desenvolvimento surgiu pelos pacientes já terem algum tipo de problema por fumar.

Já o câncer de fígado atacou 8,7% dos pacientes e pode ter ocorrido por infecções de hepatite B ou C.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Nos somos os bandidos

No julgamento de Taubate esta ficando claro o que venho dizendo ha anos. Os bandidos somos nos. Os assassinos é que sao honestos. As testemunhas de acusaçao sao mentirosas, mas as de defesa sao honestas. 

A enfermeira que atuava no hospital Hosic na epoca, detalhou como um dos assassinos despachava o doador apos tirar-lhe os rins. Ele utilizava um bisturi para cortar uma arteria na altura do coraçao e o paciente imediatamente parava de se debater. 

A defesa tentou desqualificar o depoimento. Em primeiro plano, disse que o bisturi nao seria capaz de fazer aquilo, ja que a ferramenta usada para abrir o peito seria uma serra e nao o bisturi. Se o bisturi nao é capaz de causar isso, o medico estaria disposto a deixar que alguem tentasse cortar a sua arteria desta forma? Afinal, segundo ele, a pessoa nao iria conseguir nao é mesmo?

Depois outras testemunhas disseram que a enfermeira nem estava na sala. Ela inventou tudo. Mas por que alguem inventaria tudo isso?

Simples! Inveja. Todos naquela epoca que nao participaram dos transplantes, ficaram com inveja. Ficaram com dor de cotovelos ao verem cheques enviado aos transplantistas em troca dos orgaos fornecidos para Sao Paulo, para o medico Emil Sabagga que os implantava em seus pacientes particulares.

Inveja! a enfermeira sempre sonhou em ser famosa, e agora encontrou uma oportunidade! Inventou tudo para acusar 4 medicos que nunca fizeram nada de errado. Inveja! Kalume queria ser conhecido como o mestre dos transplantes e nao foi convidado. Entao denunciou todo mundo, forjou provas, e acabou com um sistema revolucioinario de transplantes de orgaos, com doadores quase cadaveres.

A afirmaçao da enfermeira poderia ser facilmente comprovado. Bastaria uma exumaçao do corpo. Mas os medicos acusados entraram com tantos recursos e tanta influencia politica que o julgamento so aconteceu 24 anos depois do assassinato. Exumar cadavares agora seria vasculhar um monte de terra a procura de nada. 

Ha torcida na internet para que Kalume morra apos ter sofrido uma ameaça de infarto, depois de seu depoimento. Denunciantes precisam morrer! Vida eterna aos medicos!

Pensando bem, nao faz sentido alguem matar um doador para a salvar a vida de outro! Como alguem que pretende salvar uma vida mataria uma pessoa? Poderiamos até dizer que seria por dinheiro. Mas uma cirurgia de implante de figado, por exemplo, paga muito pouco. Algo em torno de 150mil reais. Nao acredito que um medico salvador de vidas, mate uma pessoa e salve outra so por 150mil reais! Seria um absurdo pensar nisso.

Mas eles sao inocentes! Os bandidos somos nos. 

Eles estudaram para salvar vidas! Veja por exemplo o 4o acusado (que ao contrario do que a imprensa diz, faleceu neste ano e nao no ano passado, vitima de um cancer no pancreas). Ele tambem estudou muito para poder salvar vidas, mas mesmo respondendo pelo homicidio de 4 doadores de orgaos em Taubate, foi preso em 2001 vendendo cadaveres para faculdades de medicina, enquanto ocupava o distinto cargo de Diretor do IML de Franco da Rocha. 

Ora!!! Inveja! Quem nao gostaria de estar participando de um esquema revolucionario de venda de cadaveres? Quantos alunos deixaram de estudar porque o esquema foi denunciado? So houve prejuizo! Alem disso, os cadaveres estavam morto oras! Por que nao utiliza-los? Ou melhor, vende-los!

Sao todos medicos honestos. Nos somos os bandidos e contadores de historias que possuem laudos e exames irrefutaveis. 

Nos desejamos destruir o sistema de transplantes que beneficia milhares de pessoas. Nao gostamos de ver as pessoas felizes. Veja o meu exemplo. Eu doei o meu filho so para depois denunciar um bando de assassinos. Por inveja! Eu sempre quis ser o homem de roupa branca que arranca orgaos de crianças vivas. Mas como nao fui capaz de fazer isso, a minha inveja fez com que eu denunciasse todo mundo.

A honestidade da medicina brasileira esta nos jornais de hoje. 

Medicos e hospitais fazem campanhas de transplantes para salvar a vida dos pacientes, preocupados com a saude dos mesmos, e gastam parte do seu tempo e dinheiro nestas campanhas. Ao mesmo tempo, estranhamente, foram encontrados lençois utilizados em hospitais do Rio e de Sao Paulo em lojas na Bahia. Trata-se de um material altamente contaminado, sujo com manchas de sangue e remedios e que pode levar risco a saude de muitos baianos. 


Vender material que deveria ser incinerado é o cumulo da ganancia de alguns profissionais da saude, mas eles garantem que estao preocupados com a saude! 

Pensando bem, quem nao gostaria de estar vendendo estes materiais na Bahia e ganhando uma fortuna heim? Afinal, sabemos que colocar um hospital ou medico no banco dos reus pode levar até 24 anos para um julgamento. 

So pode ser inveja!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Diagnosticar a morte é um ato seguro! Dizem os medicos...

Se fosse doador de orgaos, teria sido assassinado.

Fonte: G1

A Santa Casa vai investigar o caso de um recém-nascido que foi dado como morto, nesta terça-feira (2), e, após ser levado para uma funerária, funcionários perceberam que o bebê estava vivo. O incidente aconteceu em Araxá, na Região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. De acordo com parentes do bebê, o parto foi realizado por volta das 13h e eles foram informados que a criança, que nasceu prematura, havia morrido.

O atestado de óbito chegou a ficar pronto e o corpo foi levado à funerária. Quando o corpo era preparado para o velório, o bebê chorou. Funcionários concluíram que ele estava vivo.

A unidade de saúde informou que a criança respira com dificuldades e deve ser transferida nesta terça-feira (2). O hospital não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

14 mil vetos a doaçao de orgaos! Por que?

A resposta é simples. Falta transparencia e o sistema de transplantes brasileiros é completamente sujo. Nao respeitam as leis, as filas e sempre, sempre ha desvios de orgaos. Apesar disso, as pessoas e organizaçoes envolvidas neste processo insistem em lutar pela impunidade e impor a mentira. Mas o brasileiro ja aprendeu que nem tudo é o que parece ser. Alias, no Brasil, nada é o que parece ser. E ai esta o resultado. Quem se informa, nao doa.

Um fator interessante para o veto é aquele apontado pelo medico Tadeu Thomé, membro da ABTO:
Muitas vezes, o paciente encontra o pronto-socorro lotado, com falta de médicos e de leitos, e se vê abandonado. De repente, o parente tem morte cerebral, aí vem o médico, com mais calma e tempo, conversar com ele sobre a possibilidade de doação, e ele se revolta. Por que só naquele momento, quando não há mais nada a fazer, é que o acolheram? Depois disso, a chance de um não é bem maior do que a de um sim
Entenderam? A estrutura existe so para te acolher depois de morto. Quem disse isso foi um membro da ABTO. Enquanto vivo, voce nao tem leito, remedios e medicos e é um mero ze ninguem. Para um sistema de saude que diz salvar vidas, nao é estranho que a vida do doador nao importa? Voce sabe o quanto estao investindo em transplantes todos os anos e quanto estao investindo em novos leitos de UTIs?

Tenha em mente que o transplante de orgaos hoje é um grande negocio que movimenta milhoes e milhoes de reais. A unica coisa que nao estao interessados é em salvar vidas, e sim nestes milhoes que estao rodando todos os anos em torno deste assunto.

O outro problema dos vetos, é a impunidade

Vale como sempre, lembrar duas situaçoes emblematicas sobre crimes envolvendo transplantes no Brasil. O primeiro é o caso de Taubate onde pelo menos 4 pessoas foram assassinadas para fins de trafico de orgaos. Na epoca, quem pagava para receber os orgaos das vitimas, era nada mais, nada menos, que o presidente da Associaçao Brasileira de Transplantes de Orgaos, na epoca, Emil Sabbaga. Isto esta descrito no processo e foi relatado na CPI de 2004. Porem, nunca este senhor foi investigado. Criou-se uma blindagem para que ele nao fosse punido e acima de tudo, para que continuasse a realizar transplantes particulares sem respeitar a lei. O caso deve ir a julgamento so no ano 2012, mais de 23 anos depois dos assassinatos. 

O segundo caso é o do meu filho e outras 8 vitimas, todas assassinadas para fins de trafico de orgaos, em Poços de Caldas. Uma mafia criada por um politico mineiro renomado e influente, Carlos Mosconi, mantinha uma central de transplantes clandestina, uma associaçao de renais cronicos e o consultorio do principal acusado, tudo no mesmo andar de um predio ao lado do hospital da Santa Casa. O caso aconteceu ha mais de 10 anos e o julgamento ainda nao foi marcado. No caso de Poços, as vitimas foram desmembradas em diversos processos para que ficasse mais facil de abafar caso a caso. Paulinho é o unico que se tem noticias. Os demais casos talvez tenham sido arquivados. Nem mesmo o nome das vitimas foram divulgados, mas tais informaçoes constam no relatorio final da CPI de 2004.

No caso de Poços de Caldas, o principal acusado Alavaro Ianhez, esta trabalhando pelo SUS em Manaus, onde faz parte da equipe de transplantes daquele estado, que recentemente começou a transplantar com cadaveres. Certamente sera um sucesso! Ianhez, na epoca dos acontecimentos, tinha na ABTO um grande aliado. Seu irmao. O irmado de Ianhez era conselheiro consultivo da ABTO na epoca. Talvez seja por isso que outros grandes nomes dos transplantes como Valter Duro Garcia e Jose Osmar Medina (ambos ja ocuparam a vaga de presidente da instituiçao) sejam testemunhas de defesa de Ianhez no processo.

Por tudo isso, nao se pode confiar na tal "lisura" do sistema. Eu apresento estes dois casos que por um esforço muito grande ocuparam espaços na midia. Mas como estes existem centenas cujas familias sequer imaginam o que de fato aconteceu com seus entes queridos.

O assassinato de doadores é sistematico e acontece na maioria das vezes em hospitais publicos. E' muito dificil que uma familia consiga provas desta pratica. Ainda que obtenham provas, existe uma mafia organizada para que tudo isto nao venha a tona, para nao "atrapalhar" as doaçoes de orgaos. Afinal, uma familia honesta e decente, quando sabe destas situaçoes, obviamente deixa de doar orgaos. 

Como sempre, no Brasil, tudo é invertido. A culpa é da vitima, e o assassino é o coitado. Quem denuncia é acusado de ter problemas mentais para que as suas denuncias nao ganhem força. O acusado é sempre aquele que dedicou sua vida a salvar vidas e agora esta na lama graças a um demente. 

Faça um teste! Peça para que algum medico realize um transplante e abra mao do pagamento do SUS! Se ele quer mesmo dedicar a sua vida salvando outras, ele aceitara. Caso contrario, ficara claro que o unico interesse é a gorda quantia que o SUS paga por cirurgia. Alias, estes valores nao sao divulgados. Por que sera?

Indiferente a todas estas evidencias, que possuem provas e estao em tribunais, é muito provavel que ninguem venha a ser condenado. O argumento é sempre o mesmo. Seria uma tragedia para a doaçao de orgaos, se os doadores soubessem que tem medicos sendo condenados por matar pacientes e vender seus orgaos. No Brasil, os fins justificam os meios. Por isso o pais esta atolado em corrupçao. Ou sera que vao desmentir isso tambem?

E a indiferença se ve tambem na reportagem que fala sobre o veto a 14 mil doaçoes, publicado pela Gazeta do Povo. O roteiro é o mesmo de sempre. Começa com uma historia, com uma foto em anexo e depoimentos de pessoas desesperadas para obter um orgao. Depois, entre alguem de peso para desmoralizar o que esta nos tribunais. E como sempre, estou aqui para contestar tudo, como deve ser contestado.

Entao, ai vai o trecho que interessa. Trata-se do quadro "Mitos", publicado na mesma pagina do jornal.

MITO 1
- O doador sofre mutilação: Não. O procedimento não altera a aparência física. O corpo é costurado no próprio hospital e o transplante não é notado na hora do velório.
Acredite. A coisa menos importante nesta hora é se o doador sera desconfigurado ou nao. Dificilmente isto acontece porque nao mexem no rosto. Ja o corpo é preenchido com serragem ou coisas do genero para dar a impressao de que esta tudo preenchido. 

MITO 2
- O órgão pode ser comercializado: As chances são nulas, pois o traficante não teria nenhuma garantia de que o órgão vendido teria compatibilidade na pessoa que o comprou, o que afetaria a credibilidade do "negócio" em pouco tempo. Além disso, o transporte é complexo e a vida útil de um órgão fora do corpo é de apenas poucas horas.
Os orgaos podem sim ser comercializados. Ha relatos no mundo todo sobre a venda de orgaos. Por que no Brasil nao seria possivel? O argumento utilizado é fraco e sugere que alguem furte um orgao de dentro de um corpo e saia por ai oferecendo a alguem que precisa. Obviamente que nao é assim que as coisas funcionam. 

Vamos usar a inteligencia? 

Como funciona na pratica:

Quando alguem quer comprar um orgao, nao vai a um medico e recebe o implante no dia seguinte. Ele passa a fazer parte de uma lista paralela que tera prioridade para receber o orgao. 

A pessoa que esta a espera de um orgao faz todos os testes de compatibilidade para se inscrever na lista de espera unica, do SUS. Isto é lei! O resultado deste exame, no entanto, vai para a mao de um medico. Logo, este medico pode ter uma lista paralela de pessoas que esperam por um orgao com todos os resultados de testes de compatibilidades. O procedimento é o mesmo do SUS! 

Quando alguem morre e se torna doador tambem é testada e o resultado passa a ser confrontado com alguma lista. Pode ser a do SUS ou pode ser a de uma lista particular. Se na lista particular existir alguem compativel, o orgao que deveria ir para a fila do SUS é desviado para este paciente que pagara cerca de 50 mil reais para obte-lo. Este procedimento é mais comum do que muitos imaginam. Existem verdadeiros esquemas de distribuiçao paralela dos orgaos que no Brasil, nenhuma autoridade tem coragem de afrontar.

O desrespeito as filas foi relatado inclusive por uma auditoria do TCU em 2005, que confirmou a inexistencia de qualquer controle sobre os dados, o que facilitaria a busca em lista paralelas de pessoas que esperam por um orgao.

MITO 3
- O diagnóstico de morte encefálica não é preciso: Os exames de confirmação de morte encefálica são precisos, seguros e reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina. São realizados no mínimo duas vezes, a cada 12 horas, e por profissionais capacitados. É direito do familiar contratar médicos que façam uma avaliação particular, para afastar a dúvida.
Para rebater este "mito" vou citar algo que esta inclusive nos relatorios da CPI de 2004. Existem medicos que sequer conhecem a legislaçao sobre o assunto e estao fazendo diagnostico de morte encefalica. Alem disso, o procedimento, por mais que seja feito com segurança esta longe de ser seguro. Ha na imprensa mundial e tambem na imprensa brasileira varios casos de pessoas que foram diagnosticadas mortas e acordaram em pleno velorio. Basta citar o caso de pessoas que possuem catalepsia. Sao pessoas que correm o risco inclusive de serem enterradas vivas pois a medicina moderna ainda nao é capaz de detecta-la. Logo, a morte ainda é um misterio para a medicina e isto é fato. Existe hoje em todo o mundo dezenas de associaçoes preocupadas com o tal diagnostico. E nao sao pessoas sem qualificaçao. Estas associaçoes sao formadas em grande maioria por medicos.

MITO 4
- Terei de pagar pelo procedimento de retirada dos órgãos: De forma alguma. O transplante é totalmente custeado pelo SUS e qualquer forma de cobrança é crime e deve ser denunciada.

Para este "mito" a explicaçao é bastante precisa. O caso do meu filho começou porque me obrigaram a pagar todo o procedimento de transplantes. Ao denunciar o fato, foi descoberto que a equipe fazia até internaçoes falsas para que o SUS mandasse mais dinheiro. Digamos que este nao é um procedimento que esperamos de quem diz salvar vidas. Apos comprovar a cobrança indevida, foi descoberto o homicidio, pois Paulinho  (10 anos) estava vivo quando seus orgaos foram retirados. Entao, organizaçoes como a ABTO e Ministerio da Saude, percebendo a gravidade dos fatos e o rumo que isso poderia ter, decidiram que o assunto deveria ser abafado. Lutei muito para que isso nao acontecesse, e em 2004 consegui instalar a CPI do Trafico de Orgaos que comprovou todas as denuncias.

O relatorio final foi enviado pela CPI ao Procurador Geral da Republica, indiciando varios medicos. O Procurador, na epoca, respondeu que nao faria nada porque ele possui autonomia para decidir o que fazer, ainda que os casos ali tivessem provas incontestaveis. E assim sendo, o relatorio esta paralisado em qualquer gaveta até hoje (7 anos depois). Por isso fica dificil acreditar em alguma puniçao para quem vende orgaos e matam pacientes.

Diante de tantos absurdos, faça pela sua segurança. Nao doe orgaos até que os casos acima sejam solucionados e o sistema seja transparente. Ha varias formas que podem ser implantadas para que nao seja possivel o trafico de orgaos. Enquanto houver trafico de orgaos, havera a possibilidade de assassinatos em UTIs publicas para estes fins. Estes casos estao sendo arrastados ha anos na justiça para que nao haja nenhum desfecho e nenhum puniçao. Nao seja mais um idiota a acreditar no sistema como eu acreditei um dia.

Vete a doaçao. Diga NAO!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ninguem quer falar, mas eu falo.



Trata-se do caso da estudante Luana Neves Ribeiro que decidiu doar a medula e faleceu depois do procedimento. Fatalidades acontecem nao é mesmo? Acontecem, mas nao é tao simples assim. Alias, nao pode ser tao simples assim.
O hospital disse que o fato está sendo apurado e que um laudo com a causa da morte deve ser emitido nesta quarta-feira. De acordo com a família, uma necropsia apontou uma hemorragia não detectada por exames feitos após a colocação do tubo. 
Hemorragia nao é uma fatalidade. Pode ser um erro. Mas agora é hora do hospital limpar a barra e o caso ser abafado para que nao "atrapalhe" as doaçoes de medula. O importante é que isso tudo nao pode parar. Nem mesmo para entender o que aconteceu com Luana, punir provaveis responsaveis (implica em admitir erros), e ao menos, indenizar a familia.

Mas por que estamos preocupados com a morte dela? Veja o que diz o medico:
Há gente que morre após anestesia. Não é comum, mas pode ocorrer. Foi uma fatalidade.
Entenderam? Tem gente que morre de velhice! Acontece!
A cunhada da jovem diz que Luana fez todos os exames antes da doação e foi considerada apta. "Ela estava superfeliz de ajudar." O paciente que seria transplantado deve receber a medula de um novo doador --morador de Campinas (93 km de São Paulo)-- ainda nesta semana. De acordo com o coordenador do Redome, após a morte da jovem o paciente ficou com a saúde em risco, já que estava recebendo medicação para o transplante. "Agora, é preciso salvá-lo." 
Percebe-se a grande preocupaçao em salvar o paciente, ja que a doadora morreu. Nao ha nenhuma preocupaçao com a vida interrompida da doadora. So mesmo a do paciente. Ok! Ela esta morta, nao ha nada a fazer.

E o que mais chamou a minha atençao é que sempre ouvimos dizer que é muito dificil um doador de medula ser compativel. A chance é pequena. Mas para o paciente de Campinas, mesmo que tenha perdido uma doadora, ja tem outro disponivel.

Por que a vida do paciente é tao mais importante que a do doador?

Basta verificar o quanto ganham os medicos por cada cirurgia e entenderao por que vale tanto a vida do paciente e tao pouco a vida do doador.

domingo, 15 de maio de 2011

Duas historias tristes

Historia 1

Infelizmente morreu Patrick Hora Alves, de 10 anos de idade, que recebeu um coraçao no Instituto Nacional de Cardiologia (INC) no Rio de Janeiro. O que a maioria da imprensa nao divulgou foi a preocupaçao do pai em relaçao ao sistema. A imprensa fala dos transplantes como se eles fossem divinos, e quando algumas vezes escapam alguns depoimentos, tudo fica, digamos, um pouco evidente. Luiz Claudio Hora fez declaraçoes que colocam em duvida alguns pontos que vou explicar. Mas a "grande" imprensa, parece que nao quis publicar. Sao eles:  Folha de S.Paulo, G1, Estadao, R7 e por ai vai. Mas no Terra, voce pode ler clicando aqui
Luiz Claudio Hora criticou ontem a unidade de saúde. Pouco antes da cremação do corpo, o pai fez um apelo para que as autoridades deem mais atenção ao instituto, que é referência nacional em transplantes de coração.
 Referencia nacional? Precisando que as autoridades deem mais atençao?
Por ser um transplantado, Patrick precisava de um quarto de isolamento, mas não teve um. Peço que providenciem um leito de isolamento de CTI para o instituto.
Um transplantado cardiaco, nao teve um quarto de isolamento? Dizem os transplantistas que o trafico de orgaos nao é possivel porque requer instalaçoes adequadas, e o menino Patrick, que fez tudo em regra sequer tinha um quarto de isolamento? E este hospital é referencia?
Agradeço ao instituto, à excelência de todo o tratamento, ao esforço sem medidas dos médicos e enfermeiros. Mas como em todas as obras, existem erros e falhas. Peço à direção do hospital, à presidenta Dilma (Rousseff) e ao senhor ministro da Saúde (Alexandre Padilha) que consigam ajudar esse hospital.
Cara presidenta e ministro da saude. Atendam o pedido deste pai. Deem mais atençao a hospital referencia. Afinal, voces investem milhoes em propaganda e o hospital nao ha um quarto de isolamento para transplantados? E aquela historinha que os transplantes sao coisas serias e que requerem estrutura que so hospitais possuem?
O pai, que esteve com Patrick e a mulher durante os 58 dias de internação no INC, criticou ainda a limpeza  no alojamento ocupado pelas mães dos pacientes. “O banheiro tem um cheiro muito ruim e o ar condicionado do quarto das mães tem mofo. Elas saíam de lá e levavam tudo isso, fungos e bactérias, para o CTI”, disse o pai do menino, que morreu de falência múltipla de órgãos em consequência de pneumonia.
Desculpem-me, mas.... o transplante foi feito onde? Num chiqueiro? E este hospital é referencia?
Procurada, a assessoria de imprensa do INC se negou a comentar as críticas feitas pelo pai do paciente. 
Claro!! Que pai mais mal agradecido! Qual o problema de um banheiro feder e o ar condicionado do alojamento ter mofo? O que importa é que o transplante aconteça. Se o paciente vai ou nao sobreviver, é outra historia. O valor pago por este transplante chega a 150mil reais, por uma unica cirurgia, sem contar internaçao, procedimentos, medicamentos e coisas do genero. Quem se importa com o banheiro ou o ar condicionado?

Luis Claudio Hora teve naquele momento o que eu tambem tive quando perdi meu filho em situaçoes contrarias. Sentimos que tem algo estranho no ar. Sentimos que alguma coisa nao condiz com a realidade. Sentimos que alguma coisa esta errada. O problema é colocar isso para fora. A grande imprensa se recolhe. Nao admite publicar estes depoimentos. Em troca, colocam uma nota oficial do hospital que se tornara a "verdade" dos fatos, pulverizando qualquer nuvem negra que exista no ar. Todos acreditam na grande imprensa. Este é o caminho mais facil. 

A pergunta que fica é: Por que um esforço tao grande para tentar salvar alguem e nao ter sequer a estrutura minima adequada que pode fazer um transplante fracassar devido a contaminaçoes, infecçoes, e coisas do genero?

Luis Claudio agora nao sera mais ouvido, ou, se for, tera que de se retratar. Engolir as nuvens que ainda sobrevoam a sua cabeça e falar bem do sistema. Caso contrario dirao que ele esta abalado emocionalmente com a morte e por isso disse asneiras. 

De qualquer forma, para esclarecer qualquer nuvem que ainda sobrevoa a cabeça do pai, seria necessario analisar a causa mortis com peritos isento, e para isso, obviamente o corpo do garoto. Mas ele foi cremado, e a historia se encerra aqui. Se o transplante fosse um sucesso, Patrick em breve estaria no Faustao angariando novos doadores. Mas a tendencia é que ele seja lembrado apenas por aqueles que o amaram muito. 

Ja a nuvem, esta vai existir sempre.


Historia 2

Isabella Tibery Garcia Lopes sofreu um assalto em Londrina, e acabou sendo baleada na regiao do olho. Na Sexta-feira a imprensa publicou que ela estava em morte encefalica. A familia transferiu Isabella para o Sirio Libanes em Sao Paulo. Porem, um dia depois do anuncio da morte encefalica de Isabella, a noticia foi desmentida. Mas isso nao é tudo. A materia inicial foi alterada! Por sorte eu tenho uma copia, e dizia:
Ao contrário do que a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf ) divulgou na manhã deste sábado (14), Isabella Tibery Garcia Lopes não faleceu. De acordo com o Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, a empresária que foi vítima de tentativa de latrocínio na tarde da última quinta-feira (14) permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, em estado grave com morte encefálica. A notícia de que a família já havia decidido pela doação de órgãos não procede.
Ao contrário do que foi divulgado durante a manhã deste sábado (14), não foi confirmada a morte de Isabella Tibery Garcia Lopes. A Acesf chegou a ser comunicada do falecimento, mas um familiar de Isabella retificou a informação. De acordo com o Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, a empresária que foi vítima de tentativa de latrocínio na tarde da última quinta-feira (14) permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, em estado grave com morte encefálica. A notícia de que a família já havia decidido pela doação de órgãos não procede.
Segundo medicos transplantistas, MORTE ENCEFALICA é irreversivel. A nota que desmente a morte de Isabella, no entanto, afirma que segundo o hospital a paciente esta na UTI em estado grave e com MORTE ENCEFALICA!

As perguntas que ficam sao: 

1. Como a administraçao de cemiterios e serviços funerarios de Londrina ja sabia da noticia e até da possivel doaçao dos orgaos, enquanto a morte sequer havia sido confirmada?

2. Por que o jornal alterou uma noticia excluindo a responsabilidade da Acesf?

Sao coisas dos transplantes e como tal nao tem respostas.



terça-feira, 29 de março de 2011

O marketing transplantista é violento. E precisa ser!

Voce tem um blog? Entao pode comprovar o que eu disse.

Faça um teste!

Escreva um texto sobre uma doença qualquer que nao esteja relacionada a transplantes. Espere algumas horas e veja o que acontece. Se voce ja fez isso, deve ter percebido que nao aconteceu nada. Provavelmente muitos tiveram acesso ao seu blog, alguns comentarios, mas nada alem disso.

Agora escreva um texto e use as palavras DOACAO DE ORGAOS, morte encefalica, mesmo que seja para denunciar esta mafia que esta por tras disso. Espere alguns minutos e tera uma surpresa!

O Ministerio da Saude lhe inviara automaticamente um texto, ao detectar que voce postou sobre o assunto. O texto é este abaixo:

Olá, blogueiro (a),

Salvar vidas por meio da palavra. Isso é possível.

Participe da Campanha Nacional de Doação de Órgãos. Divulgue a importância do ato de doar. Para ser doador de órgãos, basta conversar com sua família e deixar clara a sua vontade. Não é preciso deixar nada por escrito, em nenhum documento.

Acesse http://doe.vc/mq e saiba mais.

Para obter material de divulgação, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br

Atenciosamente,

Ministério da Saúde
Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/minsaude 


Se eles enviassem a verdade dos fatos, a mensagem seria assim:

Caro blogueiro. 

De fato temos problemas em varios pontos do pais na constataçao de morte encefalica. Muitas vezes as pessoas sao diagnosticadas como mortas, mas estao vivas. Mesmo assim, nestes casos, os orgaos sao retirados pois ja existem pacientes esperando por eles. Por outro lado, existem grupos de medicos que estao assassinando pacientes em leitos de UTI publicas das quais sequer temos controle. Precisamos liberar leitos!! E usar os orgaos nos transforma em ANJOS SALVADORES DE VIDA, ainda que na verdade estejamos a ceifa-las. 

Para nao prejudicar a imagem do sistema de transplantes, o Ministerio da Saude tem o cuidado de abafar todos os casos, exceto aqueles como o de Paulo Veronesi Pavesi, cujas evidencias e provas sao indiscutiveis. Ainda nestes casos, ignoramos o assunto e passamos a perseguir a familia até que fossem se asilar na Italia. A imprensa é nossa! Gastamos milhares em publicidade e basta ameaça-los de cortar a verba caso pensem em publicar estas historias.

Atualmente muitos tribunais de justiça estao promovendo o projeto "Doar é legal". Nos liberamos uma graninha e eles se ocupam de falar bem dos transplantes. Por isso casos como o de Taubaté e Poços de Caldas, ficam mofando decadas sem chegar a lugar nenhum enquanto os mafiosos e assassinos trabalham normalmente pelo, quem diria!!!!, proprio SUS.

Se o Ministerio Publico Federal esta do nosso lado, quem estara contra?

Por isso, blogueiro, é melhor voce falar bem desta merda que estamos fazendo, pois voce podera ser o proximo a procurar asilo!!

Atenciosamente, 
Ministerio da Mafia dos transplantes Saude

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Seja um doador: aliciando menores

A ideia é simples. Um conceito se estabele na infancia. Por exemplo, o brasileiro aprende na infancia que vive num pais que impera a paz e que guerras so existem no outro lado do mundo, embora sejam assassinados 50 mil pessoas em media ao ano. O mesmo se faz nas escolas em relaçao a democracia. Bombardeiam as crianças com a ideia de que o Brasil é um pais democratico, que esta longe de ser verdade. A base da democracia sao os direitos e deveres, relacionados na constituiçao. Depois descobrimos que alguns tem muitos direitos e nenhum dever, enquanto que outros, parecem ter so deveres.

Partindo deste principio, o melhor é levar o assunto "doaçao de orgaos" a crianças, que ainda nao tem capacidade de avaliar uma situaçao e estao abertas a todo o tipo de informaçao que recebem, acolhendo-as sem qualquer juizo de valores. Esta ideia ficara registrada e acompanhara a criança por toda a vida. Por mais que voce tente demonstrar o contrario, seu cerebro esta confinado a ignorar. 

Vamos aos fatos!

Em Vila Velha, Espirito Santo, cerca de 400 alunos das 6ª a 9ª séries da Escola Estadual Antônio Bezerra de Farias, em Vila Garrido tiveram uma tarde diferente no dia 9 de novembro. Eles participaram de uma palestra sobre doação de órgãos. O evento aconteceu no pátio do colégio e teve como palestrante, a enfermeira Juliana Mitre e a psicóloga Edina da Silva, membros da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT)

Para tornar o assunto mais atraente, a palestra contou com um reforço importante do trio Hem Companhia do Riso. Vestidos de cangaceiros e usando a literatura de cordel, os três atores cantaram em rima o drama de quem precisa de um transplante de órgão. A mensagem, apesar de fazer rir em muitos momentos, despertou o interesse sobre a doação. 

A estudante Tamile de Oliveira Dias, 15, por exemplo, nunca pensou em doar órgãos, mas depois da palestra mudou de opinião. "Eu não acreditava que era importante doar órgãos para as pessoas. Mas, agora mudei de ideia, sei que isso pode fazer diferença”.Linyker Lima Alves, 15, também mudou de idéia se for doar em vida, pretende fazer para quem ele conhece ou que seja da família. Já Wolnicson Ruan Farias do Nascimento, 13, disse ter um interesse diferente agora “ quero fazer outra pessoa feliz como eu sou”.

A enfermeira Juliana Mitre explicou como se faz a doação e ainda esclareceu sobre a venda de órgãos. “Na verdade isso é um mito. Por exemplo, para que uma pessoa faça a doação, em vida, ela precisa da autorização da justiça e ser consangüíneo, o que significa pertencer à mesma família".

Sanderson Vieira Batista, 12, já havia manifestado o interesse em conversa com a mãe. “Disse que queria doar órgãos para salvar vidas”. Quem também já falou a família que quer ser doador foi  Mateus dos Santos, 12. Aparentando ter menos idade, ele se mostra seguro na decisão que tomou e conta com o apoio da mãe. “Eu falei com a minha mãe que quando eu morrer quero que meus órgãos sejam doados.  Ela falou que era muito bom da minha parte ajudar os outros”.

“A idéia de conscientizar o adolescente, de despertar o interesse pelo tema é válido”, disse o coordenador da escola José Rodrigo do Rosário Santos. Ele ainda comentou sobre a importância de se esclarecer mitos e inverdades sobre a doação de órgãos. A palestra-show deve voltar a escola em breve para ser apresentada a mais turmas. A escola que tiver interesse na palestra deve ligar para 2121-3777 e pedir o ramal da Cihdott.

Entenderam? Trafico de orgaos é mito. Existem inverdades sobre o assunto. O legal mesmo é doar! Fazer alguem feliz! Salvar vidas!

A semente esta plantada. Esta nascendo uma geraçao que ja cresce com a ideia de que trafico de orgaos é mito e o que se le sobre o assunto, sao inverdades. Esta açao nada mais é que o aliciamento de menores na intençao de torna-los futuros doadores, com o pré conceito de que trafico de orgaos é lenda urbana.

Trata-se de uma corrente. Um fluxo. Todos devem aceitar a ideia. Aquele que disser que nao quer ser doador estara andando na contra-mao, contra o fluxo, contra a corrente. Se sentira um peixe fora da agua. E como existe so um lado da historia (confirmando que a democracia nao existe), ja que trafico de orgaos é mito, nao tem como decidir de outra forma.

Veja a que nivel chega a enfermeira ao dizer: "Por exemplo, para que uma pessoa faça a doação, em vida, ela precisa da autorização da justiça e ser consangüíneo, o que significa pertencer à mesma família". Isto sim é uma grande mentira. Um verdadeiro mito. O doador e receptor, sendo compativeis, independentemente de pertencerem a mesma familia, podem doar. Ha centenas e centenas de casos autorizados pela justiça onde doadores e receptores mal se conhecem, embora sejam compativeis entre si.

Como se dizia no interior: Macuco no bornà.

Que tal fazermos uma palestra sobre o caso Paulinho, mostrando atraves de documentos como funciona o assassinato de pacientes em leitos de UTIs para o fornecimento de orgaos a pessoas abonadas com a conivencia de autoridades e politicos? Alguem aceita?

Hummm... Entendi!



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A verdade sobre a doaçao de orgaos esta nas paginas dos jornais.

O texto abaixo foi publicado no Campo Grande News e podera ser lido atraves do link abaixo. No entanto, como a reportagem é muito interessante resolvi reproduzi-la na integra aqui no Blog e comentar os pontos principais. Essa provavelmente nao saira em grandes jornais. 

FONTE: Campo Grande News

MS não faz transplante de coração e famílias vivem drama
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010 09:49
Aline Queiroz, Danúbia Burema e Adriany Vital


Aristeo conta que família se mudou para Capital para que filho tivesse tratamento. O dia 08 de dezembro de 2009 ficará na memória das famílias campo-grandenses Fernandes e Araújo. O jovem Cristiano dos Santos Fernandes, 24 anos, morreu pela falta de transplante de coração e Zaida Cristina de Araújo, 36 anos, teve morte cerebral, porém, os órgãos só foram doados dois dias depois a pessoas de outros estados. Embora histórias como estas pudessem se cruzar e acabar com o sofrimento de sul-mato-grossenses que esperam por um transplante de coração, o Estado não realiza o procedimento há pelo menos cinco anos. Desde que Cristiano nasceu enfrentou problemas cardíacos. Os pais, Aristeo Fernandes e Ezanir dos Santos Fernandes, moravam em Jardim e constantemente eram obrigados a vir para Campo Grande. Em busca de tratamento para Cristiano, a família teve de se mudar para a Capital. Em 2003, aos 17 anos, ele teve uma crise cardíaca que o deixou internado por quatro meses. Cardiologistas diagnosticaram que Cristiano havia perdido 80% da força do coração e deram o prazo fatal: ele sobreviveria no máximo um ano.
Durante todo o tempo em que os pais procuraram a salvação para o jovem, jamais tiveram conhecimento da susposta fila para o transplante. “Nunca ouvimos dizer”, lamenta o pai. Segundo Aristeo, uma pessoa conhecida da família, que trabalha em hospitais da Capital, chegou a procurar o nome de Cristiano junto à Central de Transplantes e não encontrou.
Aristeo conta que a recuperação de Cristiano, em 2003, causou surpresa aos médicos e renovou a esperança da família. Para ele, caso o filho tivesse conseguido o tão sonhado coração, poderia estar vivo. Durante todo ano passado, o jovem precisou de acompanhamento médico por várias vezes. Em 09 de novembro, o quadro se agravou e ele foi internado na Santa Casa de Campo Grande. Aristeo revela que o filho estava bastante inchado quando precisou da internação.
Ele chegou a pedir aos médicos que colocassem Cristiano na fila para o transplante. “Eles (médicos) não disseram nem que sim nem que não. O problema era muito grave. Não sei se já não compensava mais”, desabafa.
Quase um mês depois, o jovem morreu. A certidão de óbito aponta como causa para a morte: insuficiência respiratória, choque cardiogênico, miocardiopatia dilatada e pneumonia. Perda - “Ficou muito difícil”, resume Aristeo quando o assunto é a vida sem o filho. O casal tem uma filha de 26 anos, mas era o Cristiano que levava a mãe ao médico para o tratamento da hipertensão. Euzanir não quis comentar o assunto.
Aristeo revela que ela não consegue mais entrar no quarto que era do filho. Para o pai, falta empenho e orientação em relação aos transplantes. Se tivessem nos falado, teríamos ido atrás, assim como corremos com tantas outras coisas”, finaliza.
Outro lado - Enquanto famílias sofrem pela falta de transplantes, a dor não é menor para os que decidem doar órgãos de seus familiares. A auxiliar de produção Sandra Salvaterra Araújo, 33 anos, lembra que a espera para doar os órgãos da irmã aumentou a dor da família. “Atrasou tudo, velório, enterro. A dor de perder mais a da espera foram ruins, muito sofrimento”, lembra.

A irmã de Sandra, Zaida Cristina de Araújo, 36 anos, teve morte cerebral no dia 8 de dezembro deste ano, após sofrer traumatismo craniano em acidente ocorrido no dia anterior. Segundo a família, até hoje as circunstâncias do acidente não foram esclarecidas, parentes sabem apenas que o namorado de Sandra, que conduzia a motocicleta em que ela estava, perdeu o controle do veículo. Ela caiu e bateu a cabeça no meio-fio.
Com o diagnóstico de morte cerebral, começou o drama. A irmã dela lembra que a decisão de doar seus órgãos foi difícil, porque quando estava viva Zaida havia dito que não queria ser doadoraA gente só doou os órgãos porque foi o jeito mais rápido de desligar os aparelhos. Ela não ia viver de novo, e prolongar aquilo só ia aumentar a dor dela e o sofrimento da família”, diz Sandra.
Contudo, após a autorização para doar órgãos, procedimento que deveria ser rápido demorou mais de dois dias, segundo os familiares. “Só tinha médicos com especialidade para remoção dos rins e córneas em Mato Grosso do Sul, o restante teve que vir de Minas Gerais e de São Paulo”, detalha. Sandra conta que os médicos avisaram que o procedimento iria demorar, mas a família não imaginou que fosse tanto.
Ela diz que se houvesse outra maneira de autorizarem o desligamento dos aparelhos, teria desistido da doação.
“Demorou muito, e quando o corpo chegou nem pudemos ficar direito com ela porque tinha outro velório marcado”, reclama o filho de Zaida, Pedro Henrique Araújo, de 14 anos, ao lembrar que a demora na liberação do corpo encurtou o tempo da despedida dos familiares. Da experiência resultou à família uma péssima impressão sobre o gesto de doação de órgãos. “Se acontecesse de novo eu pensaria duas vezes, não pela doação, que acho um gesto bonito, mas pela demora”, afirma Sandra.
A irmã da doadora diz ainda que preferia que os órgãos dela tivessem ficado com sul-mato-grossenses, local onde ela nasceu, mas foram quase todos levados para outros estados. “Tem muita gente que está na fila de espera em MS precisando de tudo aquilo que ela doou”, completa.
Central de Transplantes - A Secretaria de Estado de Saúde informa apenas que 16 pessoas aguardam transplante de coração.
No entanto, a coordenadora da Central, Claire Miozzo, não concedeu entrevista para explicar porque o procedimento não é feito há cinco anos. Ela foi procurada durante duas semanas para esclarecer os motivos e dizer se existe alguma perspectiva para a retomada das cirurgias.


Meus comentarios


Entenderam como funciona a transparencia dos transplantes? Sim, a coordenadora se nega a dar informaçoes  a imprensa por duas semanas até que tudo caia no esquecimento. Mas o que me fez publicar esta historia sao os detalhes que nao sao peculiares so neste caso, mas em muitos que a imprensa nao publica.

Todos os anos se investem milhoes em propagandas pro doaçao, e quando uma familia doa, descobre que a propaganda é uma grande enganaçao. Apesar de atenderem os apelos das propagandas, os orgaos sao enviados para outros estados, deixando morrer aqueles que tem urgencia. Os criterios de urgencia simplesmente sao ignorados. A reportagem nao fala onde foi implantado os orgaos retirados ali e em que condiçoes. Ninguem sabera. Ele pode ter saido do estado de MS para abastecer uma fila particular.

O pai revela que chegou a pedir para que o filho fosse inserido na fila de transplantes, mas nao fizeram. Por que? Porque sabiam que nao poderiam atende-lo. Alem disso, uma pessoa que morre na fila, transforma-se em um numero precioso. Sera usado mais tarde como justificativa para pedirem novas doaçoes.

"Esta vendo? morrem pessoas na fila todos os dias! Precisamos de doadores!"

Mas quando encontram doadores, os orgaos desaparecem e sao implantados em algum paciente muito longe. Longe ate mesmo da fila do SUS.

Reparem estes outros dois pontos muito importantes:
1. A doadora havia se manifestado contrariamente a doaçao de seus orgaos quando estava viva e a familia foi informada. Mas mesmo assim os orgaos foram doados. Portanto, aquela propaganda que diz que voce deve informar sua familia para fazer valer a sua vontade é uma grande mentira. Sua vontade pouco importa. Voce esta morta. Os transplantistas usarao todos os metodos sujos para que a familia doe. Neste caso, condicionaram o desligamento dos aparelhos a doaçao.
2. A familia so aceitou doar para "acelerar" o processo de desligamento dos aparelhos. Mal sabe a familia que se a doadora estivesse sedada, poderia apresentar falsos sinais de morte encefalica e portanto estaria viva. Posso apostar com quem quiser, que ela recebeu barbituricos ou benzodiazepinicos para o tratamento do trauma, e que estes medicamentos nao foram considerados para os *criterios de impedimento para o diagnostico de morte. Alias, a demora nao é justificavel uma vez que sao 12 horas no maximo para a realizaçao de um segundo diagnostico. Logo, esta evidente que o resultado do primeiro diagnostico foi que ela estava viva. Tiveram de esperar mais tempo para que ela - sem atendimento adequado - viesse de fato a falecer.
Um coraçao sobrevive apto a transplantes no maximo até 3 horas apos a parada cardiaca. O prolongamento artificial dos batimentos cardiacos podem anular a possibilidade de transplantes. A unica justificativa para mante-la por dois dias com o coraçao batendo é que nao havia a morte encefalica quando comunicaram a familia.

Neste momento, o prontuario esta passando por uma grande correçao onde uma nova historinha sera criada para justificar todo o fato. Em 2002, depois do caso Paulinho, O Conselho Federal de Medicina criou uma nova resoluçao determinando que os prontuarios so podem ser entregues a familia depois de serem revisados. Ou seja, a verdade nao deve chegar as maos dos familiares.

* criterios de impedimento para o diagnostico de morte:
Segundo a resoluçao 1.480/97, pacientes que receberam dosagens de barbituricos ou benzodiazepinicos, nao podem ser submetidos ao diagnostico pois o mesmo podera apresentar falso positivo.

Tudo isto é fato, e nao lenda urbana.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Doar é um ato de amor. E rende muita grana!


Todos os anos, uma avalanche de argumentos são lançados para angariar doadores de órgãos. O mais comum é usar a frase "Doar é um ato de amor". Ou ainda "Doe vida". Este último ironicamente é destinado à família do doador cadáver. Acho que eles nunca pensaram o impacto desta frase para quem está perdendo, por exemplo, um filho.

O transplante de órgãos tem provocado situações conflitantes e incompreensíveis que muitas vezes – senão todas – passam despercebidas aos olhares daqueles que, por sorte, não tiveram que enfrentar nenhum dos dois lados.

O que quero dizer?

Imaginemos a seguinte situação:

De um lado, temos um paciente que precisa de um fígado com urgência para viver e que possui uma expectativa de 24 horas de vida. Os médicos incentivam a família a ter esperança, buscar forças de onde nunca imaginaram ter e a lutar pela vida, pois ela é possível. Em torno deste paciente há uma equipe médica de plantão 24 horas e enfermeiras prestativas e atentas aos sinais vitais do paciente, torcendo para que um órgão venha salvar-lhe a vida.

Do outro lado, há um paciente em coma provavelmente vítima de um traumatismo craniano com uma equipe médica reduzida ao seu lado uma vez que, consideram os esforços inúteis para salvá-lo. Seus sinais vitais são controlados por um aparelho, que certamente apitará se o pior acontecer, e medicamentos para a sua hidratação começam a ser utilizados, visando à doação de órgãos.

Fora da UTI há uma fila de pacientes esperando que ele morra para poderem ocupar a sua vaga. Os médicos incentivam a família do comatoso a abandonar as esperanças e desistir da luta pela vida, embora na história da medicina existam muitos casos de comatosos que conseguiram se recuperar.

Uma equipe de “voluntários” se apresenta para falar à família sobre a morte e a possibilidade de salvar outras pessoas. Pede tudo a ela num momento em que não lhe resta mais nada.

Entre a necessidade de um sobreviver e outro não resistir, está uma farta quantia em dinheiro que o SUS paga por cirurgia de implante de um fígado, uma ofensa se comparado com o que paga ao médico que cuida do comatoso.

A este quadro, os médicos transplantistas chamam de “amor”.

Um amor estranho que sequer é correspondido, pois embora não exista nenhuma lei que proíba a família do receptor conhecer a família do doador e vice-versa, os médicos desaconselham este encontro. Após findar todo o processo, a atenção é desviada para o transplantado que agora precisa de cuidados médicos especiais no combate à rejeição. A família do doador é definitivamente esquecida por não ser mais útil e, ao voltar para a casa – sem qualquer apoio psicológico - encontra um enorme vazio.

Este é o momento em que começam a questionar-se se realmente fizeram tudo o que estava ao seu alcance, dentro e fora da medicina pelo seu ente querido. Porém, é tarde demais.

Lindo não acha? Para os transplantistas pelo menos.

O mais novo argumento que vem sendo distribuído em blogs e em programas de televisão é:
"A chance de ir para uma fila de transplante, é muito maior do que a chance de se tornar um doador"
Uma espécie de cultura do medo. Se você não doar, poderá ficar doente! O argumento é vazio, mas soa como uma bomba. A chance de adquirir um câncer, é muito maior do que a chance de precisar de um transplante. A possibilidade da morte, existe para qualquer um que esteja vivo, e em qualquer circunstância. Uma pessoa pode passar anos na fila e outra que não tinha qualquer problema de saúde ser atingido por caminhão.

São situações em que todos corremos riscos. Leia esta reportagem se desejar clicando aqui. Ela fala dos valores gastos pelo SUS no estado de São Paulo com os acidentes de trânsito. Este trecho é bastante interessante:
O número de mortes registradas pela Secretaria de Estado de Saúde chegou a 8.698, o que dá uma média de uma morte por hora. Mais da metade das vítimas (52%) eram pedestres com mais de 60 anos. As informações foram divulgadas ontem no seminário internacional de segurança no trânsito organizado pelo Conselho Estadual para a Diminuição de Acidentes de Trânsito e Transporte (Cedatt).
Entenderam? Uma média de uma morte por hora só no estado de São Paulo. 52% eram idosos que escaparam da fila de transplante e morreram por uma fatalidade. Muito bem, agora responda. Quantas pessoas morrem na fila de transplante por hora? A estatística em São Paulo não existe, e nem existirá. Seria ultrajante divulgar estes números e compará-los por exemplo com o número de mortes por câncer, ou com o número de mortos pela violência com o uso de arma de fogo.

Quantas propagandas você já viu o SUS realizar para que os acidentes de trânsito diminuam ou que a violência termine? Mas a responsabilidade pelas pessoas que estão na fila, eles definiram, é sua. Se você não doar, elas morrerão não por causa da doença que têm, mas porque você não doou seus órgãos. E só para constar, a doação dos seus órgãos hoje, depende basicamente da sua morte, se é que você ainda não pensou nisso.

Incentivando você a se tornar doador, não dá a sensação que querem que você morra?

Não importa o que aconteça com você. Tem que ser doador. Precisa salvar outras vidas. Precisa, em outras palavras, morrer.

Fala com a sua família que deseja ser doador. Manifeste-se por escrito. Preencha o formulário. Deixe um lembrete na mesa da sala. Plastifique sua carteirinha. Conte para todo mundo que você é doador.

Ou se preferir, faça exames preventivos para que não seja levado para a fila como a maioria dos pacientes estão sendo levados. Por falta de prevenção. Antes de falar para alguém que você é doador, diga a esta pessoa que ela deve se preocupar com a saúde e evitar algumas coisas que podem levá-la para a fila.

Faça o trabalho limpo que os transplantistas sujos não querem fazer.

Morrer de acidente é uma fatalidade. Não dá para prever. Ir para a fila de transplante, na grande maioria dos casos, é ignorância, no sentido real da palavra. Há meios de evitar. Você pode viver muito se fizer exames preventivos. Mas se preferir, entregue-se a campanha transplantista e use seu tempo dizendo para o mundo que o seu corpo não te pertence.

Eu já cansei de receber intimidações por e-mail: "Você ainda vai precisar de um transplante". Talvez precise. Talvez tenha câncer. Talvez morra em um acidente de carro. Talvez morra com um tiro na testa. Todas as possibilidades existem. Mas doar órgãos não vai me salvar de nenhuma delas.

O transplante ainda é a maior fonte de renda da medicina moderna. É a forma mais simples de ganhar dinheiro sem ter a responsabilidade de que a intervenção dê certo. Se der ótimo. Se não der, problema seu.

Se estão tão preocupados em salvar vidas, deveriam tentar poupar os 52% dos idosos que morreram com saúde atropelados por um caminhão (foto). Mas isso ninguém se importa. O importante é que você precisa ser doador.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Doar é legal! Quando as coisas se misturam


O jornal Zero Hora publicou uma notícia que revela o que tenho denunciado há 8 anos. Se desejar ler na íntegra, clique aqui. O trecho que me chamou a atenção foi este:
"(...) a comunidade jurídica formada por juízes, advogados, promotores, procuradores, defensores e servidores da Justiça, juntamente com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), promoverá, de 25/05 a 29/05, no Foro Central de Porto Alegre, por onde passam diariamente cerca de 13 mil pessoas, a campanha denominada Doar é Legal (...)"
Parece um texto inocente, mas não é e explico porquê.

Depois da morte do Paulinho, algumas coisas mudaram. A primeira foi a queda da lei de doação presumida, cujo relator foi o chefe da quadrilha que o matou. Segundo, foi a possibilidade de uma pessoa doar um órgão em vida para outra sem qualquer vínculo de parentesco, bastando para isso apenas uma autorização judicial, que deveria ser fiscalizada pelo Ministério Público.

É aqui que a coisa pega. 

Juízes, advogados, promotores, procuradores, defensores e servidores da Justiça, não tem que fazer campanha de doação, pois fazem parte do processo de fiscalização. Como cidadão comum, eles têm o direito de fazer a campanha que quiser. Como autoridades e colaboradores da lei, não. 

A ABTO teve nos últimos anos, a revelação de que pelo menos 3 presidentes tiveram envolvimento em graves irregularidades nos transplantes. Todos os fatos foram exaustivamente narrados durante a CPI do Tráfico de Órgãos. Uso de órgãos provenientes de pacientes assassinados, desvio de órgãos da fila pública para a fila privada e, obviamente, tráfico de órgãos, foram algumas das acusações apresentadas por testemunhas. 

No entanto, TODOS OS PROCEDIMENTOS, SEM EXCEÇÃO, FORAM ARQUIVADOS sem qualquer explicação plausível. Pessoas que estavam em primeiro lugar da fila precisaram entrar na justiça para obter o direito de ser transplantado porque eram sempre excluídas para que os órgãos fossem desviados.

O texto do Jornal Zero Hora, é de um Juiz federal chamado Carlos Eduardo Richinitti. Fazer propaganda para doação de órgãos é uma obrigação constitucional do Ministério da Saúde, e não do judiciário. Ao judiciário cabe zelar pela transparência da fila de espera e pela punição dos envolvidos em ilegalidades.

Mas no Brasil do vale tudo, o judiciário pode o que quiser. Os traficantes também. Juntos, podem muito mais. 

Quem vai denunciar problemas relacionados aos transplantes se o judiciário está ao lado daqueles que estão fazendo o possível e o impossível para que as ilegalidades sejam enterradas junto com os doadores?

A maior gravidade está no seguinte fato. Uma pessoa que vai comprar um rim, por exemplo, precisa se dirigir a um tribunal para solicitar a autorização. O Ministério Público deve fazer parte deste processo, fiscalizando se necessário, a possibilidade de estar havendo um comércio ali, já que as duas partes não possuem nenhum grau de parentesco. Anúncios nos jornais revelam inúmeras ofertas de órgãos, depois que está possibilidade foi aprovada. Mas se juizes, promotores e procuradores estão sentindo pena daqueles que estão na fila, e são amigos dos transplantistas, eles irão vetar alguma irregularidade?

Pois é isto que está acontecendo. Uma pessoa de terno e gravata vai ao tribunal com outra pessoa vestindo havaianas. Lá, eles revelam que o das havaianas está comovido com o estado de saúde daquele de terno e gravata e, por amor, quer salvá-lo, doando um rim. Cabe ao tribunal decidir, e o Ministério Público fiscalizar se há ou não irregularidade.

Com este batalhão unido, num país como o Brasil onde a propina é a moeda real, você denunciaria uma quadrilha de tráfico de órgãos? 

Por que você acha que estou asilado na Itália?


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Estatística sobre transplante

Os números não mentem. 

Os números dos transplantes brasileiros denunciam um crime que vem sendo cometido há vários anos. O Ministério da Saúde incrementa a cada ano o orçamento transplantista em alguns milhões de reais para satisfazer este "mercado" onde vale tudo. Desde o fura fila ao assassinato de doadores, com o bônus da impunidade.

Façamos as contas.

Na Itália, onde estou refugiado, a fila de espera para um transplante (clique aqui se deseja ver) é de 9.304 pacientes. A Itália possui hoje 60 milhões de habitantes. 

No Brasil, país que me persegue por denunciar o tráfico de órgãos, tem em sua fila de espera pouco mais de 60.000 pacientes. O Brasil possui hoje 186 milhões de habitantes.

Se fizermos uma conta básica (multiplicando por 3) o número de habitantes e números de pacientes na fila de espera italiana, teríamos 180 milhões de habitantes e 28 mil pacientes na fila de espera. Isto significa dizer que se a Itália tivesse a mesma densidade demográfica que o Brasil, os pacientes na fila seriam menos da metade dos pacientes brasileiros.

Por que? 

A resposta é simples. O programa de saúde brasileiro não tem interesse na medicina preventiva. O SUS trabalha quando a saúde já não existe. Para médicos e hospitais o transplante é hoje a melhor fonte de renda proveniente do SUS. Isto sem contar com os transplantes fora das regras, que são volumosos e absurdamente mais rentáveis.

Neste sistema criminoso não vale a pena tratar ninguém. É melhor esperar que este alguém chegue a uma fila de transplantes. 

Se você tem alguma pequena chance de precisar de um transplante, acredite, você acabará na fila a menos que tenha a iniciativa de se informar e se cuidar. 

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Você ainda quer ser doador de órgãos?

A família do doador é a que mais perde em todo o processo de transplantes. Primeiro porque obviamente enfrenta a morte de um ente querido, geralmente trágica e inesperada. Em seguida, começam as pressões para que a doação aconteça. Não respeitam o momento mais díficil desta família que não tem condições psicológicas para decidir nada, mas são induzidas a dar tudo o que tem no momento em que sentem que não têm mais nada. 

As propagandas transplantistas também não poupam argumentos. O desenho abaixo, que foi publicado no site da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), insinua que aquele que não doa os órgãos deve morrer num abismo.

Depois de doarem os órgãos, os familiares são esquecidos e afastados. Segundo o programa Fantástico, sobre transplantes, a editora e roteirista de Drauzio Varella revela  que: 
"Os médicos que trabalham com transplantes no Brasil procuram evitar que o doador e o receptor se encontrem porque, na opinião deles, isso pode ter consequencias imprevisíveis: tanto a família do doador pode procurar no receptor traços da personalidade do seu parente querido - e, claro, não vai encontrar - quanto, num outro extremo pode até cobrar alguma recompensa financeira.

No caso da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, que documentamos neste próximo episódio da série, os médicos são terminantemente contra qualquer contato do receptor com o doador."

Esta é a imagem que os médicos têm do doador. Um aproveitador insensível que quer ganhar dinheiro com a sua perda.

Irônico. Os médicos que exploram doadores emocionalmente e receptores financeiramente temem que os doadores queiram recompensas em dinheiro por terem doado os órgãos. O gesto de amor, que tanto usam em propagandas de transplantes, resumi-se a evitar que o doador cobre o receptor. Nesta "cadeia" só um pode levar vantagem: o médico.

A verdade é que o encontro entre doador e receptor pode revelar negócios inconfessáveis. Eu não conheci os receptores do meu filho e nem desejo. Mas li o depoimento das mães que compraram as córneas por R$ 500,00 e R$ 600,00 reais respectivamente. Foi uma córnea para cada criança. Todas fora da fila. Se os médicos me dissessem que este era o preço, eu pagaria o dobro para que deixassem meu filho vivo. Poderiam levar o que quisessem.

Uma das mães disse que foi informada que a córnea que comprou era de uma menina morta em um acidente de carro em São Paulo. Na verdade a córnea era do meu filho, assassinado em um hospital em Minas Gerais por médicos transplantistas. Este me parece o melhor motivo para evitar que doador e receptor se encontrem. O hospital que vendeu as córneas foi o Instituto Penido Burnier em Campinas. O hospital foi acusado na justiça pelo Ministério Público de improbidade financeira, uma vez que não emitiu nota fiscal. Foi absolvido. 

Não é piada. É sério. Está nos autos. A venda de córneas, de uma criança assassinada, em um hospital sem credenciamento ou autorização legal para realizar transplantes, sem nota fiscal, não é crime porque o Instituto Penido Burnier é filantrópico!

O Ministério Público faz parte desta cadeia. É ele quem desqualifica as acusações e as apresenta à justiça de uma forma que ninguém seja punido. Por isso estou asilado na Itália. Eu denunciei o que não podia ser denunciado. Muito dinheiro em jogo. Muita gente envolvida. Autoridades enriquecendo com as propinas de traficantes de órgãos.

Este é o amor que existe na doação de órgãos. Você dá tudo na hora em que não tem nada, e depois não terá o direito a conhecer quem está com os órgãos, pois você não é confiável. Pode querer ganhar dinheiro. Cobrar o receptor. Depois de tudo isso, nenhum apoio psicológico lhe será oferecido. Terá que enfrentar a perda sozinho. Vocês serão esquecidos e serão evitados. Não serão bem vindos. 

Vale a pena doar?