Desembargadores comprados

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terça-feira, 21 de abril de 2009

Aborto, Eutanásia e Tráfico de Órgãos

 


Aborto e Eutanásia são praticados em série por médicos no Brasil. É fato e não lenda urbana.

Em 20 de julho de 2005, Hebe Camargo, Adriane Galisteu, Jorge Cajuru e Cacá Rosset estavam na TV. Eu nao lembro qual era o nome do programa, mas certamente era no SBT. No dia seguinte, nasceu a minha filha Cléo, por isso me recordo com segurança desta data. Em um determinado momento, surgiu o assunto eutanásia. Na verdade, o programa foi gravado em abril de 2005 e poderia ter sido editado, mas não foi. Para ler detalhes clique aqui.

Jorge Cajuru disse estar emocionado com a história "linda" que Hebe tinha para contar. E Hebe contou. Ela narrou - obviamente sem dar nome aos bois - que um médico, percebendo a situação da mãe de Hebe, ofereceu uma injeção para lhe dar uma morte agradável. Sem frescura, uma injeção letal. Uma eutanásia.

Hebe disse que o médico aplicou a injeção e sua mae foi apagando lentamente para nunca mais acordar. Sem frescura, ela foi assassinada pelo médico e com a permissão de Hebe, que assistiu tudo.

Assim como o aborto, segundo os defensores destes temas, as pessoas tem o direito de decidirem sobre suas próprias vidas. E um horrível engano. Num aborto a mãe decide sobre a vida do feto e não sobre a vida dela. Aliás, ela poderia ter evitado a gravidez se não desejava ter um filho. Poderia ter decidido sobre a vida dela.

Na eutanásia, a situaçao não é diferente. A familia afirma que deseja que o ente querido não sofra, mas no fundo eles estão cansados de cuidar de um idoso ou de um comatoso. A decisão novamente é sobre a vida do outro.

Hebe narrou um homicídio praticado contra a sua mãe da qual ela fez parte como expectadora, poupando o nome do médico. Se a história foi tão bela, seria interessante sabermos quem era o doutor morte desta história.

Num país sério esta revelação teria causado uma grande discussão nacional. No Brasil, tornou-se uma historia linda onde o Ministério Público (que tem o poder de apurar estes fatos), não teve qualquer interesse em descobrir quem era o médico.

Hebe não é a única. Isso acontece diariamente nos hospitais. Médicos se oferecem com frequência para "aliviar a dor e a agonia" daqueles que "precisam".


Na mesma esteira, estão os abortos - nem tão clandestinos assim. São feitos à luz do dia em clínicas conhecidas e ditas "especializadas". Os abortistas cobram caro por um aborto bem feito e dizem: "Se acha caro, faça com um destes açougueiros". Isso mesmo. Existem médicos de luxo e os açougueiros. Ambos fazem abortos, mas você pode escolher. Por isso há um movimento para que o aborto deixe de ser crime e não para que ele possa ser feito. Feito ele ja é. É preciso agora deixar impunes os abortistas e remunerá-los pelo SUS, e se possível, dar a sensação de "boa ação" ao procedimento, como se fosse um transplante.

Depois de escrever isso, por que tenho que acreditar que na área de transplantes, são todos honestos e éticos com cadáveres e potenciais doadores, se nao respeitam idosos, comatosos e fetos?

Num país como o Brasil onde o governo faz o que quer sem que ninguém os detenham, onde tudo é negociável, onde se pode comprar tudo e todos incluindo sentenças judiciais, e onde o corporativismo médico é descarado, devo acreditar que os transplantes - que são altamente lucrativos - são feitos com ética e transparência?

Quem são os médicos transplantistas? A raça pura? A raça ariana?
Como se dizia ser o Partido dos trabalhadores?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Você ainda quer ser doador de órgãos?

A família do doador é a que mais perde em todo o processo de transplantes. Primeiro porque obviamente enfrenta a morte de um ente querido, geralmente trágica e inesperada. Em seguida, começam as pressões para que a doação aconteça. Não respeitam o momento mais díficil desta família que não tem condições psicológicas para decidir nada, mas são induzidas a dar tudo o que tem no momento em que sentem que não têm mais nada. 

As propagandas transplantistas também não poupam argumentos. O desenho abaixo, que foi publicado no site da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), insinua que aquele que não doa os órgãos deve morrer num abismo.

Depois de doarem os órgãos, os familiares são esquecidos e afastados. Segundo o programa Fantástico, sobre transplantes, a editora e roteirista de Drauzio Varella revela  que: 
"Os médicos que trabalham com transplantes no Brasil procuram evitar que o doador e o receptor se encontrem porque, na opinião deles, isso pode ter consequencias imprevisíveis: tanto a família do doador pode procurar no receptor traços da personalidade do seu parente querido - e, claro, não vai encontrar - quanto, num outro extremo pode até cobrar alguma recompensa financeira.

No caso da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, que documentamos neste próximo episódio da série, os médicos são terminantemente contra qualquer contato do receptor com o doador."

Esta é a imagem que os médicos têm do doador. Um aproveitador insensível que quer ganhar dinheiro com a sua perda.

Irônico. Os médicos que exploram doadores emocionalmente e receptores financeiramente temem que os doadores queiram recompensas em dinheiro por terem doado os órgãos. O gesto de amor, que tanto usam em propagandas de transplantes, resumi-se a evitar que o doador cobre o receptor. Nesta "cadeia" só um pode levar vantagem: o médico.

A verdade é que o encontro entre doador e receptor pode revelar negócios inconfessáveis. Eu não conheci os receptores do meu filho e nem desejo. Mas li o depoimento das mães que compraram as córneas por R$ 500,00 e R$ 600,00 reais respectivamente. Foi uma córnea para cada criança. Todas fora da fila. Se os médicos me dissessem que este era o preço, eu pagaria o dobro para que deixassem meu filho vivo. Poderiam levar o que quisessem.

Uma das mães disse que foi informada que a córnea que comprou era de uma menina morta em um acidente de carro em São Paulo. Na verdade a córnea era do meu filho, assassinado em um hospital em Minas Gerais por médicos transplantistas. Este me parece o melhor motivo para evitar que doador e receptor se encontrem. O hospital que vendeu as córneas foi o Instituto Penido Burnier em Campinas. O hospital foi acusado na justiça pelo Ministério Público de improbidade financeira, uma vez que não emitiu nota fiscal. Foi absolvido. 

Não é piada. É sério. Está nos autos. A venda de córneas, de uma criança assassinada, em um hospital sem credenciamento ou autorização legal para realizar transplantes, sem nota fiscal, não é crime porque o Instituto Penido Burnier é filantrópico!

O Ministério Público faz parte desta cadeia. É ele quem desqualifica as acusações e as apresenta à justiça de uma forma que ninguém seja punido. Por isso estou asilado na Itália. Eu denunciei o que não podia ser denunciado. Muito dinheiro em jogo. Muita gente envolvida. Autoridades enriquecendo com as propinas de traficantes de órgãos.

Este é o amor que existe na doação de órgãos. Você dá tudo na hora em que não tem nada, e depois não terá o direito a conhecer quem está com os órgãos, pois você não é confiável. Pode querer ganhar dinheiro. Cobrar o receptor. Depois de tudo isso, nenhum apoio psicológico lhe será oferecido. Terá que enfrentar a perda sozinho. Vocês serão esquecidos e serão evitados. Não serão bem vindos. 

Vale a pena doar?

domingo, 19 de abril de 2009

Drauzio Varella mostra como são mortos os doadores de órgãos

Se desejar ler a matéria inteira clique aqui. Eu só comentarei alguns pontos importantes.

A comunidade médica brasileira se esforça para dizer que o sistema de transplantes é transparente. E nesta transparência - só vista diante de câmeras de TV (Globo diga-se de passagem) - acaba revelando fatos interessantes, como por exemplo, como o meu filho foi assassinado. Nesta reportagem, eles descrevem passo a passo do que poderia ter sido outro assassinato. Só não foi porque haviam câmeras. Meu filho não estava protegido pela imprensa. Vamos aos fatos.

Trata-se da morte encefálica da Sra. Luzinira, que foi vítima de um derrame.

Fique atento aos títulos "PASSO 1, 2 e 3".

Logo no começo, a central de transplantes que está acompanhando o caso é representada pelo médico Reginaldo Boni que afirma:

PASSO 1

"A primeira prova está feita. Ainda não deu prazo para fazer a segunda. Terminado o protocolo, a gente conversa com a família".

Percebe-se que o protocolo para o diagnóstico de morte encefálica foi iniciado. Não há dúvidas sobre a execução deste procedimento. Segundo o médico Reginaldo Boni, "O paciente tem o direito ao diagnóstico de morte encefálica, independente se ele vai evoluir ou não para doação". Não é verdade. O diagnóstico de morte encefálica só é aplicado em pacientes potenciais doadores. Em outros casos isso não acontece, pois não há necessidade.

Em seguida o diálogo com a família:

Francisca - Amanhã, quando eu chegar no horário da visita....

Dra. Giordana Maluf - A gente já vai ter uma resposta, uma posição

Francisca - A respeito da morte cerebral, hoje, ela está ligada por aparelhos para manter os batimentos dela, a respiração.

Dra. Giordana Maluf - Quando confirmada a morte cerebral, a gente vai entrar em uma outra parte que seria a doação ou não dos órgãos.

Está claro então a realização do diagnóstico certo? Muito bem, vejamos o que vem a seguir.

A médica já falou com a família sobre uma possível doação de órgãos, mas ainda não confirmou a morte do cérebro de Dona Luzanira. Existe um protocolo, uma série de procedimentos essenciais para este diagnóstico.

Mesmo sem a comprovação da morte, a família já é assediada para fins de doação. Caso a família aceite, começa a luta para que a paciente seja diagnosticada  morta, e para isso, informações essenciais serão desprezadas como veremos a seguir. Começa agora a sessão de tortura conforma explica outro médico:

PASSO 2 - Sessão de tortura

"O primeiro é ver se a pupila contrai ao estímulo da luz. Quando você joga a luz no olho de uma pessoa normal, a pupila se contrai. Em um paciente em morte cerebral, a pupila não fecha. A gente simula que caiu um cisco no olho do paciente. Normalmente, um paciente com cisco no olho vai piscar. A gente vai no olho dele. E, ao encostar no olho, ele normalmente pisca. O paciente em morte cerebral não pisca", afirma o médico.

"Depois disso, a gente vê se há alguma movimentação ocular aos reflexos que fazem o olho mexer. Um deles é balançar a cabeça. A gente abre o olho e vira a cabeça para um lado. Normalmente, o olho vira para o outro. Porém em um paciente com morte cerebral, ao virar a cabeça, o olho permanece parado", diz o Dr. Mutarelli.

"Em seguida, para constatar que não se mexe o olho, a gente faz a prova calórica que é injetar água fria dentro do ouvido do paciente e observar a movimentação ocular. Quando injeta água, o olho vai movimentar. A pessoa normal movimenta, e o paciente em morte cerebral não tem esse movimento", detalha o médico.

"Em seguida, a gente vê se o paciente tem o reflexo de tosse. O cano que permite a oxigenação do paciente está direto no pulmão e na traquéia. Na hora em que você dá uma ligeira mexida, você estimula o reflexo de tosse. A pessoa normal tossiria. O paciente em morte cerebral não vai tossir", explica.

"Por fim, a gente faria a prova de apneia, a parada da respiração. Ao desconectarmos o aparelho, colocamos o oxigênio para garantir a oxigenação dos tecidos e do cérebro e esperamos para ver se ele respira espontaneamente ou não. A pessoa em morte cerebral não vai respirar, enquanto uma pessoa que não está em morte cerebral vai querer garantir a sua sobrevivência e vai respirar", conclui o Dr. Mutarelli.

"Esse exame neurológico deve ser repetido, pelo menos, duas vezes, por dois médicos diferentes com, no mínimo, seis horas de intervalo entre o primeiro e o segundo exames", afirma o médico.

Todos os testes acima devem ser feitos para fins do diagnóstico de morte encefálica, exceto se o paciente estiver sob sedação, pois tanto a sedação quanto a hipotermia apresentarão resultados falsos positivos do exame, ou seja, pacientes nestas condições, não responderão aos estímulos embora ainda estejam vivos. Por isso o Protocolo para o diagnóstico de morte encefálica (Resolução 1.480/97 do CFM - foto abaixo) é bastante claro: "Se a resposta for SIM a qualquer um dos itens (hipotermia ou uso de depressores do sistema nervoso central) interrompe-se o protocolo".

No entanto, a central de transplantes decide ignorar o protocolo, o que certamente causaria a morte do paciente, e determina:

PASSO 3 - Prosseguir com o protocolo custe o que custar

O serviço de captação de órgãos foi chamado. Já é noite. A direção do hospital concordou que nossa equipe registrasse o trabalho da UTI. Dona Luzanira continua na mesma. O serviço de captação de órgãos enviou a enfermeira Luciana Martins, da Santa Casa, que chega na UTI às 20h. 

Rogério, enfermeiro responsável pela UTI, passa para Luciana todas as informações da paciente. Em seguida, ela conversa, por telefone, com o médico do serviço de captação, Doutor Reginaldo.

"Foi feita sedação nela por volta de 13h de hoje, para poder entubar. A sedação foi feita com 15 miligramas de dormonid, 15 miligramas de midazolan, às 13h. Foi feito só isso, para fazer a entubação, mais nada", passa Luciana para o médico.

Dr. Reginaldo reforça que, apesar do sedativo, o protocolo deve ser seguido. "Como ela está com o mínimo de droga. A dosagem está mínima, e ela está com os sinais vitais estáveis", afirma a enfermeira.

Dr. Reginaldo passa, por telefone, as instruções: fazer os testes e deixar marcado o doppler, exame que mostra o fluxo do sangue para o cérebro e que é realizado por uma equipe de fora do hospital.

Segundo o relator do protocolo para o diagnóstico para a morte encefálica, o médico Luiz Alcides Manreza, em 8 de maio de 2002 numa entrevista para a revista CartaCapital sobre o caso Paulinho Pavesi, afirmou:

"O protocolo não estabelece um período mínimo entre a administração de drogas como o Dormonid e a realização dos exames, portanto, se aplicado com rigor, sim veta o diagnóstico de morte encefálica no caso de pacientes que tenham sido medicados com elas."

Entenderam? O relator desta resolução afirmou que protocolos devem ser suspensos em caso de uso de drogas como o Dormonid. Mas o chefe da central de transplantes ignorou a resolução 1.480/97. Manreza continua:

"Não conheço nenhum protocolo de morte encefálica no mundo que exija um período inferior a 24 horas entre a administração de drogas depressoras do sistema nervoso central e os procedimentos para diagnóstico de morte encefálica".

A equipe médica não aceitou a imposição da central de transplantes e suspendeu o protocolo. A morte desta senhora só foi diagnosticada e comprovada 5 dias depois, e o transplante não pode ser realizado. Se tivessem seguido a determinação da central, a sra. Luzanira teria seus órgãos retirados quando ainda estava viva. Mas o que isso tem a ver com o caso Paulinho, afinal o diagnóstico não foi interrompido?

Simples. O caso Paulinho, como em muitos outros casos que acontecem diariamente no Brasil, a central determinou que o protocolo fosse ignorado. Ao contrário do caso da sra. Luzanira, a equipe médica que cuidava de Paulinho era a mesma equipe que cuidava da central. Sendo assim, a determinação da central em ignorar o protocolo foi dada do chefe da central de transplante para o chefe da equipe que eram a mesma pessoa - Álvaro Ianhez. Ele não teve qualquer dúvida para seguir uma determinação que ele mesmo fez. A maior prova que o protocolo foi ignorado é que o exame de arteriografia feito após os testes de tortura e que os médicos garantiram haver morte encefálica, confirmou a presença de fluxo sanguineo, e portanto, vida.

Para que os órgãos não fossem perdidos, Paulinho foi levado para outro hospital, recebeu anestesia geral tendo em seguida os órgãos retirados quando ainda estava vivo.

Os transplantistas se negam a admitir o homicídio do meu filho, mas Varella exibiu na prática como deveria ser realizado o atendimento do Paulinho. Médicos transplantistas renomados como Osmar Medina Pestana e Valter Duro Garcia são testemunhas de defesa no processo de homicídio que Álvaro responde pela morte do meu filho, e juram que ele não fez nada de errado. 

Ele matou meu filho, e estes médicos renomados estão dando cobertura aos assassinos. Mas diante das câmeras, nenhum deles tem coragem de assumir a verdade.

Obrigado Drauzio Varella por mostrar a todos como o sistema funciona. Principalmente exibindo o caráter de quem trabalha numa central de transplantes como a de São Paulo (a maior captadora de órgãos do Brasil), e que ignora um protocolo tão "sério". O protocolo é ignorado e pacientes sedados são levados à óbitos, exceto quando há uma câmera ligada.

Ao contrário do caso acima, Paulinho foi sedado com barbitúricos e mais de 90 miligramas de Dormonid, e o protocolo seguiu normalmente para transformá-lo em doador.

NÃO DOE ÓRGÃOS. TRANSPLANTISTAS NÃO RESPEITAM O PROTOCOLO O QUE CAUSARÁ A SUA MORTE.

Lembrem-se que quando o PASSO 2 foi executado - uma verdadeira tortura - a sra. Luzanira não tinha morte encefálica que só veio ocorrer 5 dias depois destes procedimentos.

sábado, 18 de abril de 2009

9 anos sem Paulinho. E nós fomos punidos.

Hoje faz 9 anos que Paulinho teve os órgãos retirados quando ainda estava vivo. Seus órgãos foram vendidos. As córneas foram enviadas para o Instituto Penido Burnier em Campinas que não possuia autorização para realizar transplantes embora o fizesse em grande quantidade recebendo do SUS sem qualquer problema. Os rins forma implantados fora da fila única, numa lista de pacientes particulares dos médicos que o mataram.

Ninguém foi punido até hoje.

Paulinho não foi o único. Outras 8 pessoas foram assassinadas pelo mesmo grupo. Todos os processos de homicídio foram manipulados até serem arquivados. Hoje vivo na Itália graças ao asilo humanitário concedido pelo governo.

Eles mataram 10 pessoas, e eu tive que sair do país. Ninguém foi punido.



Paulinho tinha apenas 10 anos, e uma vida pela frente.

Anestesia Geral em Paulinho Pavesi

Paulinho ainda estava vivo quando foi encaminhado para a mesa de cirurgia para a retirada de órgãos. O médico SÉRGIO POLI GASPAR utilizou anestesia geral inalatória (ETHRANE) logo após classificá-lo como "Paciente moribundo com perspectiva de óbito dentro de 24 horas, com ou sem cirurgia".

Na imagem abaixo está o MANUAL DE ORIENTAÇÃO AO ANESTESIOLOGISTA, criado pela SAESP (Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo) e do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). O manual é composto por várias informações destinadas as boas práticas na anestesia e têm o aval do Conselho Federal de Medicina.


O Conselho Federal de Medicina criou a Resolução 1.363/93 publicada no Diário Oficial da União em 22/03/1993, que regulamenta as condições técnicas para prática da Anestesiologia. A resolução descreve logo em suas primeiras palavras, o seu principal objetivo, reproduzido abaixo.
Art 1o. - Determinar aos médicos que praticam anestesia que:

Antes da realização de qualquer anestesia é indispensável conhecer, com a devida antecedência, as condições clínicas do paciente a ser submetido à mesma, cabendo ao anestesista decidir da conveniência ou não da prática do ato anestésico, de modo soberano e intransferível;
Tão importante quanto a resolução acima, é o Código de Ética Médica, cujo artigo 142 do capítulo XIV - Disposições Gerais, determina que:
"o médico está obrigado a acatar e respeitar os Acórdãos e Resoluções dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina."
Os dados da avaliação pré-anestésica, realizada tanto em consultório como no hospital, permite ao anestesiologista planejar a técnica anestésica e os cuidados a serem utilizados durante a anestesia. Assim, além da anamnese dirigida, é importante avaliar o paciente do ponto de vista clínico, incluindo: o exame físico classificação ASA.

Abaixo podemos observar a composição da tabela ASA:


Todo doador de órgãos deve ser classificado como ASA VI que significa "Paciente com morte cerebral, mantido em ventilação controlada e perfusão, para doação de órgãos”. Ao verificarmos a classificação que SÉRGIO POLI escreveu no documento, percebemos que Paulinho foi classificado como ASA V que significa "Paciente moribundo com perspectiva de óbito em 24 horas, com ou sem cirurgia", Portanto VIVO.

Durante a CPI DO TRÁFICO DE ÓRGÃOS, o anestesista foi inquirido sobre o uso da classificação ASA V.
CPI DO TRÁFICO DE ÓRGÃOS
06/07/2004
Depoente: Sérgio Poli Gaspar
Extraído das notas taquigráficas da Câmara dos deputados

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Fiquei preocupado quando o ouvi iniciar esta rápida explanação dizendo que foi chamado para aplicar assistência ventilatória naquela criança. Porque tenho aqui em mãos Dr. Sérgio, como disse, documentos onde o procedimento foi um tanto quanto diferente. O senhor emitiu documentos com referência ao estado do garoto, inclusive analisou o garoto, e na sua avaliação o garoto era um ASA-5. Muito bem, era um ASA-5. Dr., o senhor confirma que era ASA-5, o senhor levantou o papel mostrando, não é diferente o procedimento, no caso da sua especialidade, para dar uma assistência ventilatória e quando o paciente é qualificado ASA-5? Porque, pelo que sei, a assistência... O senhor pode explicar por que é feita a assistência ventilatória? Em que casos? Em que circunstâncias?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Por que eu tenho que fazer assistência ventilatória?

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Sim.

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Porque ele está em morte cerebral e está em apnéia.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Muito bem, então ele está com morte cerebral e apnéia. Então a ventilação ou assistência ventilatória é para que ele permaneça vivo, enquanto é feita a cirurgia, não é isso? Para que os órgãos sejam retirados.

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Ele está em morte cerebral, a gente mantém ventilação mecânica para que os órgãos que vão ser recuperados, sejam oxigenados e perfundidos, ou seja, viáveis.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Muito obrigado. E no caso do ASA-5. O senhor pode descrever para nós quando o anestesiologista diz que o paciente é ASA-5, em que estado ele está?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Perfeitamente. Essa classificação ASA... esse transplante foi realizado no ano de 2000. De 2002 para cá, existe na literatura mundial, foi acrescentado na classificação ASA, uma nova classificação que chama ASA-6, paciente em morte cerebral, doador de órgãos para transplante. Na classificação de 2000 e 2001 para trás, eu tenho artigos de documentos científicos dos Estados Unidos, 11 universidades mostrando para vocês que não existiam ainda uma uniformização, uma oficialização do ASA-6. Dado a gravidade do paciente, que estava em morte cerebral, eu empiricamente classifiquei esse paciente na classificação mais alta que era para mim disponível. Eu não podia omitir uma classificação, porque se isso aqui estivesse em banco, vocês estariam me chamando aqui para explicar porque eu tinha deixado em branco.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Exato.

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Se eu tivesse posto ASA-6, vocês me chamariam aqui, porque ASA-6 não existia naquela época. Então, empiricamente eu pus na classificação mais grave que existia na época, que era ASA-5 e muitos hospitais americanos ainda considerava ASA-5. Agora, a classificação do paciente, se a gente vê que se começa a preencher de cima para baixo, está claro o quadro do paciente, o estado físico do paciente. Com a minha letra foi escrito, com a minha mão, com a minha letra, morte cerebral, se tinha, doador de rim para transplante geral.
Na CPI DO TRÁFICO DE ÓRGÃOS, bem como em qualquer outra CPI, existem consultores técnicos especializados em cada assunto. O consultor levantou-se e saiu da sala imediatamente, correndo em direção aos arquivos pessoais numa sala do congresso. Alguns minutos se passaram, o depoimento continuou tratando de outros assuntos, até que o consultor - que é médico - voltou.
O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Me desculpe. A senhora tem ai, doutora. The ASA physical status classification systems, aqui está em inglês, mas aqui, não vou ser tão petulante, bem aqui estão: “Esses trabalhos da Associação Americana de Anestesiologistas e da Associação Canadense já definem ASA-5 e ASA-6 desde 1992 e 1999. Dr. Sérgio Poli, mais um documento da use of sedations anesthesia... Está traduzido também ou a gente tem que ver? Aqui é o outro documento. Certo? Sobre o procedimento do paciente, a seleção e tudo mais. Está dizendo que esses guias dão uma visão geral das condições, que têm de ser vistas para sedar o paciente. Doutor, o senhor afirmou nesta CPI que, em 2000, não existia a classificação ASA-6. Isso é muito grave.

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não era do meu conhecimento, da minha literatura.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Mas o senhor tem de saber, meu amigo.
SÉRGIO POLI GASPAR não assumiu a classificação que fez, alegando que não fazia parte de sua literatura a existência da classificação ASA VI. Tomei então a iniciativa de escrever para a Association American Anesthesiology solicitando documentos que comprovassem a existência desta classificação no período em que Paulinho foi assassinado. E a resposta veio rapidamente. Abaixo cópia do e-mail e em seguida as respostas. Este trabalho deveria ter sido feito pelas autoridades federais que investigavam o caso, mas elas não se interessaram.

No documento abaixo, cópia da ata de reunião que solicitava a inserção de ASA VI em 1984.

Abaixo, a aprovação da inserção do parâmetro ASA VI, também em 1984, que o anestesista disse não existir antes de 2002.

Além da classificação física, outra evidência de que PAULINHO estava vivo foi confirmada pelo próprio anestesista quando escolheu o tipo de anestesia para a cirurgia de retirada de órgãos. SÉRGIO POLI administrou ANESTESIA GERAL com o uso de anestésico inalatório.

Se PAULINHO estivesse morto, não haveria a necessidade de se utilizar qualquer tipo de anestesia.

Ao ser questionado pelos integrantes da CPI DO TRÁFICO DE ÓRGÃOS, SÉRGIO POLI respondeu:

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Doutor, então o senhor aplicou anestesia geral no morto?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: Como é que o senhor... anestesia indicada, geral? E aqui tem o documento, aliás o medicamento...
O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: – Entre parênteses?

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: - ... entre parênteses. Como é o nome desse medicamento?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: – Pavulon. Pavulon é o nome comercial do Brometo de Pancurônio. E ele não é e nunca foi anestésico na vida, ele é um adjunto à anestesia. O Pavulon não faz uma pessoa dormir, o Pavulon não tira a dor de ninguém, ele não deprime o sistema nervoso de ninguém. Se tiver médico no plenário, vai confirmar isso comigo. Pavulon é um relaxante muscular de ação periférica que a gente mantém a musculatura frouxa, a gente relaxa a musculatura, facilitando, desta maneira, o acesso do cirurgião ao órgão, para que ele traumatize o menos possível o órgão, para que o órgão seja viável. Esse remédio é descrito na literatura mundial, que eu não devo usar não, que eu tenho que usar, porque senão fica inviável a retirada dos órgãos.

O SR. DEPUTADO PASTOR PEDRO RIBEIRO: – Outro esclarecimento. Então o senhor explicou bem sobre o Pavulon, mas por que a anestesia geral?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR – Isso é força de hábito minha. Eu escrevi, só que é um procedimento cheio de... é o seguinte, eu devia ter quatro mãos, para duas fazerem fichas e as outras duas cuidar do paciente. Eu pus geral e na mesma hora pus na frente, entre parênteses, (Pavulon).


Se a "força do hábito" faz com que ele sempre escreva "GERAL" e em seguida o nome de um medicamento qualquer que sequer é utilizado para tal finalidade, seria interessante rever todas as cirurgias que SÉRGIO POLI tenha atuado de 1999 à 2000 para verificar nestes prontuários a existência deste vício, que certamente pode ser classificado como um erro gravíssimo. Mas tal investigação nunca foi de interesse das autoridades.
De fato SÉRGIO POLI não é obrigado a ter quatro mãos. Para isso existem as auxiliares que inclusive, naquele dia, eram muitas. A resolução do Conselho Federal de Medicina sobre a tarefa da anestesia é clara ao determinar que todo anestesista deve avaliar o paciente para poder selecionar o tipo adequado de medicamento a ser utilizado, bem como é expressa a responsabilidade do anestesista no ato deste procedimento. E observando os documentos preenchidos pelas auxiliares, confirma-se o uso de anestesia geral:

A imagem acima é de um documento utilizado durante a cirurgia de retirada de órgãos de Paulinho efoi copiado do processo de homicídio que deve em breve ser arquivado absolvendo todos os acusados. Vale lembrar que o anestesista sequer foi denunciado. Este documento é chamado de "Escala de Aldrete". O relato da enfermeira não deixa dúvidas:

Está escrito: "Cliente submeteu-se a cirurgia sob Anestesia Geral, anestesia inalatória Etrane 10ml (...)"
SÉRGIO POLI não assume a utilização da Anestesia Geral, alegando distração ou força do hábito. Ainda afirma o médico que seriam necessárias quatro mãos para que seu trabalho fosse efetuado com a atenção merecida. Quando observamos o documento ESCALA DE ALDRETE percebemos a ajuda de duas mãos da enfermeira que anotou todos os procedimentos que POLI não poderia anotar por estar com as duas mãos ocupadas. Estranhamente quando conseguiu as quatro mãos que seriam necessárias, o anestesista disse que duas não lhe pertenciam. O anestesista afirma que o que está escrito é um problema de quem escreveu e não dele, esquecendo-se completamente de que a responsabilidade pelo ato anestésico é de soberania do anestesista, mesmo que enfermeiras atuem no procedimento.

Se SÉRGIO POLI GASPAR não utilizou anestesia geral como ele mesmo escreveu, ou como a enfermeira detalhou inclusive citando o nome do medicamento utilizado ETHRANE, precisamos achar o motivo que uma 3ª. pessoa tivesse solicitado o medicamento durante e a cirurgia.

A bula do medicamento não deixa dúvidas. O ETHRANE é indicado na indução de anestesia geral em adultos e crianças. O produto pode ser usado em anestesias gerais, em obstetrícia. Pode ser utilizado como analgésico em partos vaginais. Frequentemente se empregam outros medicamentos para indução ou suplementação anestésica. O depoimento segue.


A SRA. DEPUTADA PERPÉTUA ALMEIDA: Certo. A pergunta que faço é a seguinte. Dr. Sérgio, o senhor afirma ter aplicado o relaxante muscular. O senhor afirma que aplicou o Pavulon. Os depoimentos que tiveram na CPI e os documentos, inclusive de poder no processo investigatório e da CPI, afirmam o inverso, que o senhor teria aplicado uma anestesia geral. O senhor nega essa
afirmação.

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Nego ter aplicado anestesia geral.

A SRA. DEPUTADA PERPÉTUA ALMEIDA: Quem o senhor acha, que estaria lhe prejudicando, afirmando isso e por quê?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não acredito que tenha ninguém querendo me prejudicar. Eu não fiz anestesia geral em ninguém, o que eu fiz foi especificado.

A SRA. DEPUTADA PERPÉTUA ALMEIDA: Tem depoimentos na CPI, inclusive anexados ao processo, que as pessoas que foram ouvidas afirmar terem visto o senhor aplicar anestesia geral. Por que o senhor acha que estariam lhe prejudicando?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não sei, eu não tenho acesso a esses documentos.

A SRA. DEPUTADA PERPÉTUA ALMEIDA: O senhor não tem idéia disso? Sr. Presidente, mais na frente eu retomo.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Sr. Sérgio, o senhor conhece a Resolução nº 1.363 do Conselho Federal de Medicina?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não, de cabeça, assim, não.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Mas, o senhor conhece alguma parte? O que o senhor conhece?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não, eu, de cabeça, não sei. Nunca decorei. Eu tenho livros disso, mas eu nunca decorei, não.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Quando o senhor vai iniciar algum procedimento, ou então o senhor não sabe ainda o que vai fazer, tem que recorrer à resolução, ir lá olhar e ler antes de fazer? Porque é uma norma. É uma resolução do Conselho Federal de Medicina.
O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Seja claro. Seja claro o que o senhor quer que eu responda.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Eu estou perguntando se o senhor conhece a Resolução nº 1.363 do Conselho...

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não, eu não conheço.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): O senhor acha que como um médico anestesista o senhor não deveria conhecer?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Não, por quê?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Porque eu não conheço o código.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Esta resolução foi feita para quê?

O SR. SÉRGIO POLI GASPAR: Não sei.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Para açougueiro, para mecânico ou para médico? É do Conselho Federal de Medicina a resolução!
Indignado com as respostas do anestesista, o DEPUTADO RUBINELLI pediu a palavra:

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Deputado Rubinelli.

O SR. DEPUTADO RUBINELLI: Sr. Presidente, eu gostaria de perguntar se essa resolução é do Conselho Regional de Medicina.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Federal.

O SR. DEPUTADO RUBINELLI: Federal. Eu quero dizer, Sr. Presidente, aos Deputados presentes e ao depoente também, que eu acho que a CPI tem a obrigação de informar ao Conselho Regional de Medicina de que o depoente não vê necessidade, e colocou isso na sua fala, de conhecer as resoluções do Conselho. Acho que é importante o Conselho saber disso. Até para o Conselho, Sr. Presidente, alertar o depoente de que isso é imperativo, é necessário que ele conheça. E eu quero dizer, Sr. Presidente, Srs. Deputados, que em que pese o grande conhecimento do depoente com relação às doutrinas americanas, com relação à Medicina, que as leis brasileiras, as resoluções dos respectivos órgãos de classe, tanto na área médica quanto em outras áreas, devem ser seguidas em nosso País. E eu quero, Sr. Presidente, deixar registrado que a CPI faça essa recomendação para o Conselho Regional de Medicina que ela também inquira o depoente a respeito disso. Que sejam mandadas as notas taquigráficas para o Conselho no sentido de que o Conselho saiba que o depoente hoje aqui disse que não acha necessário conhecer as resoluções. Foi isso que nos passou aqui. Se eu estiver enganado, Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): A solicitação está sendo acatada e a secretaria da Comissão vai estar enviando ao Conselho.

O SR. DEPUTADO RUBINELLI: E, Sr. Presidente, quero finalizar dizendo também que eu gostaria que a CPI solicitasse a cópia do processo que o depoente moveu contra o pai do garoto. Gostaria de ter conhecimento desse processo aonde o depoente me parece que já teria obtido algum êxito. Muito embora essa história toda esteja extremamente confusa, o depoente parece que processou o pai do garoto por injúria, calúnia e difamação e pediu uma indenização por danos morais. Me parece que já obteve êxito. Gostaria que a CPI também tivesse acesso a esses documentos para verificarmos tudo o que foi argüido nesse processo, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga): Nós agradecemos a presença do Dr. Sérgio Gaspar, as informações prestadas aqui. Com certeza, foram informações relevantes para o trabalho desta Comissão e dizer que, se for necessário e assim a Comissão entender, estaremos solicitando a presença de V.Sa. aqui em outra oportunidade. Muito obrigado.
A mentira pode enganar muitos, mas não engana a todos. SÉRGIO POLI GASPAR, participou da retirada de órgãos de Paulinho, administrando anestesia geral com o uso do medicamento ETHRANE, e classificou-o como um "paciente moribundo com perspectiva de óbito em 24 horas com ou sem cirurgia", portanto VIVO.
Sérgio Poli Gaspar foi indiciado pela CPI do Tráfico de Órgãos, mas o Procurador Geral da República se nega a denunciá-lo a justiça. No total são 9 médicos que participaram do assassinato de Paulinho e todos estão impunes e alguns autorizados pelo governo Lula a trabalharem pelo SUS.
Para saber detalhes do caso Paulinho leia:

A história de Paulinho narrada em 2002 pela CartaCapital - A matéria mais completa e honesta já publicada sobre o caso.

Remoção de órgãos de Paulinho com anestesia geral - O Anestesista classificou Paulinho como vivo antes de administrar Etrane (anestesia inalatória). Ele mentiu para a polícia federal, para o ministério público federal, mas foi desmentido publicamente durante a CPI. Ele me processou por chama-lo de mentiroso e fui condenado a indenizá-lo, uma vez que o processo correu em Poços de Caldas, berço da máfia.

Avaliação neurológica comprova: O estado de saúde não era grave. - Documentos que constam nos autos, comprovam que Paulinho foi levado ao hospital e sua primeira avaliação neurológica não era grave como dizem os médicos para se defenderem.

Exames fraudados com ajuda de procuradores federais e ministério da saúde. - Em um esquema montado dentro do gabinete do Ministro José Serra, Carlos Mosconi - o chefe da máfia - era informado a cada passo sobre os documentos obrigatórios que não foram entregues à auditoria. Mosconi repassava a informação para os assassinos que forjavam os papéis. Depois, estes documentos eram levados ao Ministério da Saúde e entregues ao procurador José Jairo Gomes. Este último encaminhava os mesmos ao delegado da polícia federal Célio Jacinto do Santos, que anexava ao inquérito como sendo documentos "originais". Veja alguns destes documentos. Nenhum médico responde ou respondeu por falsificação de documentos.

Sem Morte Encefálica. - Foi assim que o médico e assassino Celso Roberto Frasson Scafi descreveu o estado de saúde de Paulinho, minutos antes de lhe retirar o rim. Scafi escreveu de próprio punho que Paulinho estava SEM MORTE ENCEFÁLICA, porém, como é sócio de Carlos Mosconi, seu nome foi excluído do rol de acusados. Scafi estava indiciado pela polícia federal pelo crime de retirada ilegal de órgãos, e foi inserido em uma equipe da UNICAMP (ainda quando estava indiciado) para continuar realizando transplantes em Campinas, pelo Ministério da Saúde.

Asilo Humanitário - Você não verá isto na imprensa brasileira. O caso Paulinho está proibido de ser divulgado, exceto se for para inocentar (ainda mais) os assassinos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Asilo político: O mundo é outro.

O mundo mudou. Antigamente uma pessoa asilada recolhia-se ao extremo silêncio. Não tinha meios para divulgar sua situação, já que a imprensa é a primeira coisa que se cala. O asilo era na verdade a morte em vida. Os perseguidores adoravam ver os perseguidos asilados. Longe, deixavam de ser um incomodo denuciante, e podiam falar o que quisessem no país onde estavam, afinal, o problema era do país de origem.

Mas como eu disse, o mundo mudou. A internet e os meios de comunicação estão ai para que asilados como eu, denunciem e não se calem nunca. O meu asilo não será em silêncio.

O presidente da Câmara Italiana, Gianfranco Fini, ouviu atentamente a minha história (foto acima). O presidente da Câmara Brasileira, nunca me recebeu. Eu tenho mais direitos aqui na Itália como extra-comunitário e asilado, do que no Brasil como cidadão brasileiro.

Próximo post, um especial do deputado Mosconi. Conheceremos neste blog os escândalos que foram abafados para o bem deste mafioso. Compra de carros de luxo com notas frias e verba da câmara, verba de 50 mil reais (várias vezes) para ajudar um lobista e uma empresa de medicamentos a entrarem no Ministério da Saúde de José Serra (pelas portas dos fundos é claro), criação de uma central clandestina de transplantes que mesmo sem CNPJ e registros junto ao Ministério da Saúde (conforme manda a lei), recebia religiosamente em dia por retiradas de órgãos de pacientes vivos, e até o mensalão mineiro. Tudo isso sem lhe causar um só arranhão. Um só depoimento. Um só incomodo. Tudo para baixo do tapete.

Estou vivo!


Para saber detalhes do caso Paulinho leia:

A história de Paulinho narrada em 2002 pela CartaCapital - A matéria mais completa e honesta já publicada sobre o caso.

Remoção de órgãos de Paulinho com anestesia geral - O Anestesista classificou Paulinho como vivo antes de administrar Etrane (anestesia inalatória). Ele mentiu para a polícia federal, para o ministério público federal, mas foi desmentido publicamente durante a CPI. Ele me processou por chama-lo de mentiroso e fui condenado a indenizá-lo, uma vez que o processo correu em Poços de Caldas, berço da máfia.

Avaliação neurológica comprova: O estado de saúde não era grave. - Documentos que constam nos autos, comprovam que Paulinho foi levado ao hospital e sua primeira avaliação neurológica não era grave como dizem os médicos para se defenderem.

Exames fraudados com ajuda de procuradores federais e ministério da saúde. - Em um esquema montado dentro do gabinete do Ministro José Serra, Carlos Mosconi - o chefe da máfia - era informado a cada passo sobre os documentos obrigatórios que não foram entregues à auditoria. Mosconi repassava a informação para os assassinos que forjavam os papéis. Depois, estes documentos eram levados ao Ministério da Saúde e entregues ao procurador José Jairo Gomes. Este último encaminhava os mesmos ao delegado da polícia federal Célio Jacinto do Santos, que anexava ao inquérito como sendo documentos "originais". Veja alguns destes documentos. Nenhum médico responde ou respondeu por falsificação de documentos.

Sem Morte Encefálica. - Foi assim que o médico e assassino Celso Roberto Frasson Scafi descreveu o estado de saúde de Paulinho, minutos antes de lhe retirar o rim. Scafi escreveu de próprio punho que Paulinho estava SEM MORTE ENCEFÁLICA, porém, como é sócio de Carlos Mosconi, seu nome foi excluído do rol de acusados. Scafi estava indiciado pela polícia federal pelo crime de retirada ilegal de órgãos, e foi inserido em uma equipe da UNICAMP (ainda quando estava indiciado) para continuar realizando transplantes em Campinas, pelo Ministério da Saúde.

Asilo Humanitário - Você não verá isto na imprensa brasileira. O caso Paulinho está proibido de ser divulgado, exceto se for para inocentar (ainda mais) os assassinos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Saiba como acabar com o tráfico de órgãos

A verdade deve ser sempre dita, embora derrube muitos interesses. No Brasil, o tráfico de órgãos é bastante intenso. Basicamente ele acontece em duas modalidades. 

1. Pacientes em leitos de UTI públicas (SUS), são levados à óbito e as famílias - que não sabem - são "convencidas" a doarem os órgãos sob a pena de se tornarem egoístas, se não aceitarem.

2. Pessoas desfavorecidas são convencidas de que é possível ter uma vida perfeitamente saudável apenas com um rim. Portanto, basta por o preço e fechar o negócio para que ele venda um deles. Ironicamente, o desfavorecido viverá muito bem sem um rim, para salvar alguém que com um rim só não está nada bem.

Em ambas as modalidades já foram comprovados diversos casos sem que houvesse qualquer punição para os envolvidos, e por isso,  continuarão acontecendo. Afinal existem interesses financeiros em jogo que não podem ser afrontados. Nem os interesses e nem os traficantes. É uma rede poderosa e lucrativa que conta com o apoio de organizações de transplantes, políticos, juízes, autoridades federais e obviamente médicos transplantistas.

Vamos analisar os fatos:

Cada transplante realizado pelo SUS tem um custo altíssimo para o estado e um lucro exorbitante para os transplantistas. Em uma única cirurgia, um transplante de fígado por exemplo, pode custar aos cofres públicos mais de 150 mil reais. Isto sem contar os medicamentos necessários para o resto da vida que o transplantado terá de usar, que evitam a rejeição do implante.

Convenhamos. 150 mil por uma única cirurgia? Qual o custo que um hospital ou uma equipe pode ter ao implantar um órgão em um paciente? Luz? Medicamentos? Materiais cirúrgicos? Qual? O médico Álvaro Ianhez, que matou meu filho, alegou para um de seus pacientes que os "fios" usados para sutura eram muito caros.

Os médicos transplantistas dizem que fazem este procedimento por amor ao próximo. Alguns dizem que tiram dinheiro do próprio bolso para que os pacientes possam fazer os exames pré transplantes necessários. Dizem ainda os transplantistas que este gesto de amor não pode parar nunca, e que eles devem fazer o possível para que as doações continuem. Por isso a enxurrada de propagandas de doação de órgãos, em toda a mídia nacional. Doe órgãos!!

Entenderam? Pois bem. Com base nos fatos narrados até agora, apresento uma sugestão que resolveria o problema de toda a rede de transplantes do Brasil. Leia com atenção, e você transplantista, também. Depois, deixe seu comentário, mas sem ofensas.

Para os casos em que uma pessoa é convencida a vender seus órgãos

1. Se uma pessoa é convencida a vender seu órgão para um traficante, no valor de 5 a 10 mil reais, podemos mudar este quadro, e acabar com a ilegalidade. 

O SUS paga 150mil para uma equipe fazer um transplante certo? E eles dizem que fazem por amor. Logo, destes 150mil, pagaremos então 50mil ao doador pelo órgão cedido. Tudo oficial. Nada paralelo. Com isso, acabamos com a venda de órgãos clandestina. Com outros 50mil, faremos uma espécie de previdência para pagar a ele  um plano de saúde para que de fato tenha assistência de qualidade até o final da vida. Os 50 mil restantes vão para a equipe, que certamente - por amor - não vão se importar em ganhar um pouco menos.

Para os casos onde pacientes tornam-se doadores em UTIs públicas

2. A grande soma de dinheiro para publicidade de doação de órgãos (que não é pouca), poderia ser utilizada de outra forma. Já que os assassinatos continuarão e ninguém será punido, basta então que o SUS paguer à cada família de doador, 50mil reais. É doador? Sim! leva 50mil reais. E para não quebrar o SUS, basta diminuir o dinheiro pago pelas cirurgias. Fariam filas para "doar" órgãos e nem precisaria do Drauzio mentindo na TV.

Benefícios

- Não haveria mais tráfico paralelo. 50 mil reais é um bom dinheiro para fazer a coisa legalmente. Vende quem quer, e vende para o governo, não para um traficante. A família que perdeu um ente querido certamente precisa deste dinheiro. 

- Os órgãos comprados no mercado clandestino tem um custo de 5 a 10 mil reais. Mas ao chegar nas mãos dos transplantistas que possuem clientes adequados para estes órgãos, os preços atingem os patamares dos 200 mil reais. Quem não viu o caso de Joaquim Ribeiro Filho, já absolvido, ou Athaide Patrezze que recebeu uma proposta de 50mil dolares por um rim? 

- Isso significa dizer que com a privatizão de órgãos humanos, ninguém precisaria desembolsar 200 mil, pois o governo pagaria oficialmente 50 mil e nada mais. Nivelaríamos o preço dos órgãos. E eles nunca faltariam.

Será que os médicos, por amor, aceitariam?

O que eu narrei acima, já acontece. A proposta é oficializar gratificando os doadores e seus familiares, diminuindo o lucro dos traficantes.

Tenho a impressão que apesar da imensa quantidade de doadores, os transplantes acabariam.