Desembargadores comprados

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A terra do faz de conta

Em um lugar distante do mundo civilizado, existe a terra do faz de conta. Em ingles, The land of make believe. Ela tambem é conhecida como Brasil. 

Para viver bem neste pais, basta voce fazer de conta! Basta acreditar que tudo de ruim é lenda urbana e as coisas boas, sao as melhores do mundo. 

Nesta semana o teste de popularidade da presidenta mostrou que algumas vezes, certas lendas, escapam do controle. Nao da para controlar o tempo todo. Para isso existe a imprensa. Logo vao achar uma saida para justificar as vaias que Dilma levou. A soluçao nem precisaria da imprensa. Bastava o governo brasileiro ser mais povo do que elite. A nova casta de brasileiros esta bem protegida e vive num mundo de faz de conta, muito longe das garras da lei. E para quem nao sabe, a lei é a base de uma sociedade, e deve valer para todos. 

Veja como exemplo a ultima investida do chefe de quadrilha de trafico de orgaos de Minas Gerais. Mosconi vem arrecadando assinaturas para "uma saude de qualidade", ao mesmo tempo em que seu grupo fraudava o SUS com internaçoes que nunca existiram. Diga-se de passagem, o ex-governador do estado, do qual Mosconi foi assessor especial, responde pelo desvio de mais de 4 bilhoes da saude, e ninguem coletou uma assinatura sequer em nome da boa saude! 

Mosconi vem acusando o governo de subtrair investimentos da saude, como se isso fosse exclusividade do atual governo. Isto acontece a decadas. Inclusive quando Mosconi era governo. E o governo parece concordar com isto! Aceita de maos beijadas as ofensas deste quadrilheiro.

O governo pode achar que o povo nao esta atento, mas esta sim. Podem até paralisar os processos de trafico de orgaos, mas isto nao apaga uma verdade que esta compravada: O trafico de orgaos aconteceu sim! Pacientes foram assassinados sim! E o governo esta protegendo estes assassinos sim! Inclusive o proprio Mosconi.

Mas vamos voltar ao mundo do faz de conta. Vamos fingir que nada disso aconteceu e o quadrilheiro quer mesmo qualidade para a saude. Depois de mais de 30 anos de vida publica, ele resolveu agora correr de cidade em cidade colhendo assinaturas. Por que nao fez isso antes?

No Rio Grande do Sul, o ministerio publico suspeita da existencia de uma quadrilha especializada em adoçao ilegal. Sao bebes rejeitados pelas maes que acabam sendo vendidos para o exterior ou para algum casal rico dentro do proprio Brasil. Para que isto aconteça, é preciso o envolvimento de juizes, advogados, medicos e hospitais. Mas nao no Brasil!! No Brasil isto nao existe! Em breve veremos que tudo nao passou de um grande engano e que nao ficou comprovado. Apenas especulaçao. Escola de base! 

Ah sim! No pais de faz de conta, apos os escandalos virem a tona por escaparem do controle, inventou-se a Escola de Base. Isto limpa tudo! 

Voce tem provas? Voce tem fotos do bebe sendo roubado, ou vendido? Tem recibo? Nao! Ta vendo! Lenda urbana. Escola de base! Isto nao existe no Brasil. 

Outra lenda urbana foi materia do Fantastico neste domingo. Calma pessoal!! Eu nao assisto ao Fantastico ha muitos anos. Eu recebi um link com a noticia. Hoje estou mais adepto da boa programaçao da BBC. 

Trata-se da barriga de aluguel. Existem anuncios espalhados pela internet de pessoas oferecendo o utero para uma gestaçao em troca de alguma quantia. Nao é comercio! O negocio gira em torno de 100 a 150 mil reais. Existe anuncio, existe preço, mas tudo isso é lenda urbanda. Para que uma gestaçao assim aconteça, obviamente é necessaria a participaçao de medicos. O que acontece é que os pais interessados doam de 100 a 150 mil para que uma mulher gere um bebe para eles. Como podemos ver, é um ato de solidariedade. A mae doa o utero e os pais, o dinheiro. Nao é comercio! Da mesma forma que é possivel hoje em dia, doar um rim e receber em troca uma doaçao em dinheiro. Nao é comercio! Alguns fazem até recibo para provar que tudo foi feito dentro da maior transparencia possivel.

Alem disso, voce acha que medicos honrados e preocupados com a saude do pais, fariam isso? Por dinheiro? Claro que nao!!! 

Estes anuncios sao publicados por pessoas que nao tem o que fazer. Isto na pratica, simplesmente nao existe. O Conselho de Medicina afirmou que pune rigorasamente medicos que tenham participado disso,  assim como nao tolera traficantes de orgaos, como aqueles de Taubate que o conselho mesmo tratou de defender. Havendo obviamente videos, recibos de compra e venda (nao de doaçao), e outra provas materias a coisa pega. E todos nos sabemos que criminosos sao especialistas em elaborar provas nao é mesmo? Eles documentam tudo para quando forem pegos, facilitar o trabalho da policia. 

E convenhamos. Todos nos conhecemos bem o CSI Brasil. Ja escrevi sobre isso. Trata-se de uma rede moderna, super equipada e especializada que compreende um numero de telefone disque-denuncia e algumas dezenas de atendentes. Caiu ali, tem uma pequena chance de ser verificada.


Sabe aqueles filmes americanos onde voce ve os investigadores batendo na porta das pessoas para fazer algumas perguntas? Na epoca que passei na Italia, recebi duas vezes os investigadores italianos. Na primeira eles queriam se certificar que eu estava de fato morando naquele endereço. Todas as pessoas que se mudam dentro da Italia recebem esta visita. Na segunda vez, quando a minha esposa deu entrada na cidadania, vieram verificar se eramos de fato casados. 

Voce ja viu investigador brasileiro batendo na porta de alguem? Eles so estao presente quando ha um corpo. Depois disso, adeus.

No pais do faz de conta, ninguem vende criancinhas. O mercado milionario de bebes nao existe. Juizes nao vendem adoçoes, advogados nao fazem esta sujeira e os medicos e hospitais nao falsificam registros para tal pratica. Tambem nao existe a barriga de aluguel. Isto é coisa de novelas. Aborto clandestino entao, nem se fala. Quem seria o medico que se sujeitaria a fazer uma coisa destas? Sao todos pessoas honradas que respeitam a constituiçao e jamais sairiam da linha por qualquer centavo.

O pais do faz de conta é lindo. O ceu é azul com manchas vermelhas e amarelas. Tudo é muito verde nas montanhas e as flores balançam com o toque do vento. 

Na abertura da copa das confederaçoes, ninguem vaiou a presidenta. Estao todos acostumados com o melhor e quando o sistema de som falhou, vaiaram o sistema! Eu acho um absurdo algumas pessoas dizerem que as vaias foram para a presidenta. No final da partida, os torcedores se abraçaram, rezaram e foram para uma noite de comemoraçoes onde beberam e cantaram a noite inteira. Nenhum bar vendeu bebida alcolica a menores, e nenhum motorista tentou dirigir embriagado. Se alguem disser isto, estara mentindo.

Por falar em faz de conta, como anda o inquerito dos medicos que usvam dedinhos de silicone para forjar plantoes? Bem ilustrativo nao é mesmo? Dedinhos de faz de conta. Eu posso apostar que todos estao soltos, respondendo em liberdade, esperando o processo prescrever. Mas isto nao existe!

O Brasil é uma aula para o mundo. Ah se os europeus aprendessem com o pais de faz de conta!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

12 de junho de 2013

Este dia é importante para mim. Lei o texto e descobrira o motivo.

Voce sabe por que o SUS é um lixo? O SUS é um lixo porque nenhuma autoridade utiliza o SUS. Quando estao doentes, se hospedam no luxuoso Sirio Libanes. Autoridades nao frequentam hospitais publicos, mas garantem que sao os melhores do mundo.

Voce sabe por que as cadeias brasileiras sao depositos de seres humanos? Porque autoridades nunca vao para cadeia. Somente neste ano o governo reconheceu que é melhor morrer do que ir para a cadeia. Isto porque autoridades nunca sao presas. 

Eu poderia relacionar dezenas de condiçoes como as relacionadas acima. Nos ultimos posts, falei sobre as vitimas brasileiras. No Brasil a vitima é o bandido. Os brasileiros (e nao so as autoridades) olham para as vitimas como pessoas oportunistas. Pessoas que querem lucrar com a propria dor. Pessoas que querem algum beneficio por ser vitima. Nos paises civilizados, isto é um direito de qualquer vitima. No Brasil, isto é oportunismo. Exceto se a vitima for ex-guerrilheiro da epoca da ditadura. Estes sim estao sendo amparados e tratado como vitimas.

No sul do pais ha alguns anos atras, durante uma grande enchente, a agua mineral que custava R$ 1,00 passou a custar até 10 vezes mais. As vitimas precisaram pagar mais caro! Nao ha compaixao. As vitimas precisam ser abandonadas, evitadas e excluidas. Temos que aproveitar delas, e nao suporta-las.

Quem nao se lembra? Na Regiao Serrana do Rio, onde ocorreu uma grande tragedia matando mais de 900 pessoas, e transformando muitos sobreviventes em vitimas. O dinheiro que deveria ser destinado a dar suporte a estas vitimas, foi todo desviado. Este dinheiro jamais voltara aos cofres publicos. Mas se uma vitima tivesse usado R$ 10,00 para comprar um lanche com este dinheiro, seria vista como "espertinha".

Vitima no Brasil é um lixo. Voce nao ve nenhuma açao do governo que mude esta situaçao. Ao contrario. O governo, cada vez mais, quer distancia das vitimas - estes oportunistas!

A Italia tem um sistema anti-crise, que demonstra como é diferente o tratamento entre estes paises. Quando um italiano deixa o pais, ele deve entrar em um site e informar para onde vai e quanto tempo vai ficar. Ahhh.... os mais espertos vao dizer: "Eles estao controlando o que cada italiano faz!". Eles poderiam fazer isto de outra forma. Eles sao mais inteligentes. Este site nada mais é que um controle da sua segurança. Se na regiao em que voce estiver passando ferias, por exemplo, ocorrer uma tragedia, uma equipe anti-crise sera enviada imediatamente para socorrer os compatriotas. Se voce é italiano, saia em ferias tranquilamente. Se alguma tragedia ocorrer, seu pais estara pronto para te socorrer.

A Italia sabe exatamente quantos italianos estao fora, e onde estao. Tudo por uma questao simples. O pais se preocupa com os seus cidadaos. Assista ao video. Se voce conhece a lingua italiana entendera o que estou dizendo.



Se voce é brasileiro e nao é filho de nenhuma autoridade, o governo nao faz ideia de onde voce esta, e quer mais que voce nao de noticias. Se algo acontecer a voce, voce tera de acionar o Itamaraty. Muitas vezes, mesmo sendo noticiado pela imprensa problemas envolvendo brasileiros, o Itamaraty diz que nao fez nada porque nao foi acionado pela familia da vitima. Eles estao se lixando para a sua vida. Como eu disse, a vitima é um lixo.

No dia 12 de junho de 2008, eu estava desembarcando em Roma. Vim para a Europa atras de proteçao e asilo. No Brasil, eu nao pude encontrar nenhum suporte. Na verdade, no Brasil eu fui processado criminalmente (e absolvido) por denunciar um bando vagabundos assassinos de doadores de orgaos. E nunca recebi um so telegrama do governo, perguntando se eu precisava de alguma coisa. Isto porque eu denunciei um esquema que era  - e ainda é - sustentado com dinheiro publico. Na visao deles, denunciar estes marginais, prejudicou a imagem do programa de transplantes publico, que o Brasil se orgulha tanto. O sistema é como o Brasil. Bonitinho por fora, e podre por dentro.

Certa vez, recebi um email de um ex-presidente da ABTO (Associaçao Brasileira de Transplantes de Orgaos), dizendo que se eu continuasse a ofender transplantistas, eles tomariam providencias. Ele disse que o fato de eu perder um filho (assassinado, diga-se de passagem), nao me dava o direito de ofender ninguem.

Eu nao entendi a logica na epoca, pois seria simplificar muito a situaçao. Eu nao apenas perdi um filho. Ele foi assassinado, os assassinos participaram das investigaçoes (eu nao), provas foram fraudadas, prontuarios foram forjados, exames desapareceram, os bandidos tinham acesso a procuradores e delegados (eu nao), ninguem sequer foi detido, punido ou impedido de continuar matando, um adminsitrador hospitalar foi assassinado a tiros e eu fui processado criminalmente por lutar contra tudo isso. Se olharmos pelas redes socias, veremos que os assassinos recebem apoio de varias pessoas. Eles sao as vitimas!! Os assassinos sao "os injustiçados".

Ora... Afinal, quem eu penso que sou????? Eu tenho o direito de ofender alguem, apesar de tudo isto?????
Claro que nao! Na visao brasileira, eu tinha mesmo é que ficar calado, chorando em um canto qualquer da minha casa, me tornar um alcoolatra ou drogado, enquanto todos estavam sorrindo e enterrando meu filho.

Outro dia assisti a um video em que um pai de familia em um hospital do SUS, desesperado, apos esperar mais de 8 horas por um medico, vendo a filha morrer sem atendimento, gritava como um louco tentando conseguir ajuda. Ele foi conduzido para fora por seguranças. Sim! Ele nao tem o direito de lutar pela vida da filha. Onde ja se viu?!! Gritar? So porque uma criança precisa de medicos???

A criança morreu.

O que voce faria se fosse o pai desta criança?
Voce gritaria por um medico, ou com calma pediria "por favor, o dr. poderia assistir a minha filha?".

Falam tanto que doar orgaos é um ato de amor, mas eu nunca recebi sequer um obrigado por ter fornecido rins ha dois pacientes e olhos para outros dois. Nao recebemos nem um aperto de mao. Nos, vitimas, somos marginais da pior especie. Nao duvido que alguem ainda diga que aceitarmos a doaçao foi um ato em busca de publicidade. Por isso, devem pensar, que meu filho merecia mesmo ter os orgaos retirados ainda vivo.

Sao 5 anos que estou na Europa. Nestes 5 anos, eu recebi mais ajuda do governo da Italia, do que recebi do governo brasileiro nos 40 anos que vivi no Brasil. Como italiano, me sinto um cidadao. Como brasileiro, me sinto um lixo.

Enquanto autoridades cometerem crimes e ficarem impunes, as cadeias serao um lixo. Enquanto as autoridades tratarem-se no Sirio Libanes, o SUS sera uma droga.

Enquanto as autoridades acreditarem que sao melhores do que qualquer cidadao, o Brasil continuara sendo este lixao com 50 mil assassinatos por ano, 60 mil mortes em acidentes de transito e tantas vitimas desfalcadas e tratadas como bandidos.

5 anos apos receber asilo, muita coisa evoluiu por aqui. No Brasil, as coisas pioraram bastante.

sábado, 8 de junho de 2013

E mais sobre a justiça!

O Conselho Nacional de Justiça foi criado para ser um controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados, nos termos do art. 103-B, § 4º, da Constituição Federal. 

Mas ele tambem tem outras funçoes, como por exemplo, fazer campanha de doaçao de orgaos. Sim caros brasileiros. A estrutura do CNJ que deveria ser isenta de ideologias, serve tambem para estas causas. Se o sistema de transplantes brasileiro fosse honesto e transparente, até entenderia. Nao vai demorar muito, o CNJ podera tambem assumir outras causas como por exemplo o casamento gay, a liberaçao da maconha, a legalizaçao do aborto entre outras.

Voce tambem pode acessar esta causa atraves do CNJ, clicando aqui 

Diz o site que:
Quando você comunica a sua família e amigos que é um doador de órgãos, você facilita o processo de transplantes e pode salvar muitas vidas.
Ha um link chamado "Para ir alem", que me assustou um pouco em principio. "Para ir alem", me pareceu algo como "Ir para o alem". Fiquei curioso! E cliquei. Eu estava enganado. Fui levado para um pagina - quem diria - com dicas de livros e filmes sobre o tema doaçao de orgaos. O CNJ tambem é cultura. 

Tambem cliquei no link "Noticias" e pude perceber que havia muita informaçao. Veja o que encontrei:

- Conselheiro defende campanhas para estimular aumento de doadores
- Cresce número de interessados em se tornar doadores
- TJSP lança campanha de estímulo à doação de órgãos
- TJMA apoia projeto nacional de doação de órgãos
- Campanha da Justiça conscientiza para doação de órgãos
- CNJ no Ar desta terça-feira destaca a campanha Doar é Legal

Vale lembrar que o TJSP é aquele que ha 30 anos nao consegue concluir um processo de assassinato de doadores em Taubate. Ver os TJs envolvidos nesta campanha, me anima muito! Eu até pensei em me tornar doador.

Nao ha uma so noticia sobre a condenaçao dos medicos de Poços de Caldas, ou de Taubate.

Mas o que eu gostei mesmo foi encontrar o seguinte texto:
Tráfico de Órgãos e Sistema Nacional de Transplantes - Depois que o Sistema Nacional de Transplantes foi criado, o processo de doação está mais seguro no Brasil. A fila de espera para transplantes é única, o que facilita o controle e evita que pessoas com maior poder aquisitivo sejam atendidas primeiro. A preocupação em identificar e punir qualquer tipo de tentativa de comércio de órgãos, tecidos, células ou partes do corpo humano para transplantes está expressa nas Leis n. 9.434/1997 e 10.211/2001; e no Decreto nº 2.268/1997.
Certamente o CNJ nao deve ter lido as auditorias de 2005 e 2011 produzidas pelo TCU em que afirmam categoricamente que as filas sao fraudadas e o sistema é sujeito a falcatruas. Mas quem se importa? O importante é que voce, idiota util, seja mais um doador de orgaos. O CNJ esta apoiando e tem la os seus motivos. Afinal, as propinas que rolam nos tribunais dependem do dinheiro dos traficantes nao é mesmo? Sem doaçao, sem trafico de orgaos. E nao existindo o trafico de orgaos, nao tem propina, nao tem presentinhos, nao tem agrados. Uma coisa puxa a outra.

Como podemos ver, o CNJ tem certeza absoluta que trafico de orgaos é lenda urbana. Isso nao existe no Brasil. So no resto do mundo!! A lei brasileira, como cita o texto, traz muita segurança!

Quando eu denunciei ao CNJ o trafico de orgaos com o envolvimento de medicos e politicos, recebi a seguinte resposta.

Prezado Senhor Paulo,

Em atenção à manifestação de Vossa Senhoria, informamos que compete ao Conselho Nacional de Justiça o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados, nos termos do art. 103-B, § 4º, da Constituição Federal. Para que sejam formalizadas reclamações ou solicitações perante esta Corregedoria Nacional de Justiça, deverão ser observados os procedimentos previstos no Regimento Interno e na Portaria nº 52, da Presidência do Conselho. Os normativos podem ser acessados pelo endereço eletrônico: www.cnj.jus.br , em Atos do Conselho.

O encaminhamento de petições ao CNJ será obrigatório pela via eletrônica (E-CNJ) para pessoas físicas cadastradas no Sistema de Processo Eletrônico (E-CNJ), advogados, magistrados, tribunais, órgãos, instituições públicas e pessoas jurídicas, a partir de 1º de agosto de 2010, nos termos da Portaria n. 52, de 20 de abril de 2010. Não é obrigatório constituir advogado.

As pessoas físicas não cadastradas no E-CNJ poderão enviar documentos por correspondência (encomenda normal ou SEDEX pelos Correios) endereçada à Corregedoria Nacional de Justiça, situada na Praça dos Três Poderes, Ed. Anexo I do Supremo Tribunal Federal, Sala B-364, Brasília/DF, CEP 70.175-901. 
A petição deverá ser assinada e acompanhada de cópia do documento de identidade, do CPF e do comprovante ou declaração de residência do requerente, salvo impossibilidade expressamente justificada no requerimento inicial, conforme Portaria nº 174, de 26 de setembro de 2007.

Para ter acesso ao sistema de processo eletrônico do CNJ e assim acompanhar o andamento do processo à distância, é necessário fazer o cadastramento no Setor de Protocolo (Praça dos Três Poderes, Ed. Anexo II, Supremo Tribunal Federal, Brasília-DF), ou em tribunal conveniado, conforme lista disponível no link www.cnj.jus.br/ecnj, em Ativação do Cadastro nos Tribunais. Caso V.Sa. opte pelo cadastramento nos tribunais conveniados, deverá preencher o pré-cadastro no site do CNJ (www.cnj.jus.br/ecnj) antes do comparecimento pessoal na unidade do Tribunal para fornecimento de login e senha.

Para maiores informações sobre o cadastramento, Vossa Senhoria poderá entrar em contato com o Protocolo, por meio dos telefones (61) 2326.5243 ou 2326.5246.

O Regimento Interno do CNJ poderá ser acessado no sítio www.cnj.jus.br (itens: menu, Legislação).
Atenciosamente,

Corregedoria Nacional de Justiça 
Viram como é pratico? Eu tive de deixar o Brasil contra a minha vontade na epoca. Para acompanhar a minha denuncia que devera preencher todos os requisitos fundamentais, eu devo estar pessoalmente em uma unidade do tribunal.

Porem, se eu desejar ser doador de orgaos, o que o CNJ pode fazer por mim?

Existem formas de se declarar um doador de órgãos. Dizer aos familiares é a mais importante, porque a lei brasileira exige o consentimento da família para a retirada de órgãos e tecidos para transplante, ou seja, a doação no Brasil é do tipo consentida. Se você tem um parente doador, respeite a vontade dele. Outra maneira é entrar na página do programa Doar é legal e imprimir certidão que ateste essa vontade

Ahhhhh bom!! Basta entrar no site que eu posso emitir uma certidao que ateste a minha vontade, sem custos, totalmente de graça e na hora! Sem qualquer burocracia. Em poucos segundos me torno um doador de orgaos documentado e com a bençao do CNJ. Nao é otimo isso?!

Até eu me tornei doador:


Eles ainda oferecem ajuda para distribuir o seu novo desejo para amigos ou familiares, utilizando e-mail! Basta entrar com o nome, CPF e a cidade (nao faz mal que seja fora do pais, eles te acham quando voce morrer).

De fato, é muito mais facil ser doador do que reclamar sobre trafico de orgaos. Com toda esta organizaçao nao é dificil de entender porque os processos sobre o assunto nunca andam. 

Se voce deseja ser doador, pode entrar na pagina do tribunal de justiça de Minas Gerais (aquele que mandou suspender todos os casos de trafico de orgaos em Poços de Caldas), clicando aqui

Por que traficar orgaos é um otimo negocio no Brasil?

A resposta nao é tao dificil. A impunidade é tudo! Mas quando o assunto é trafico de orgaos, a situaçao é bem diferente. Em um retroscpecto rapida temos a seguinte situaçao:

Dos pouquissimos casos que alcançaram a justiça, dentre tantos, temos a seguinte situaçao:

TAUBATE - 1985

Crime: 
Assassinato de mais de uma dezena de doadores para fins de trafico de orgaos.
Acusaçao: 
4 medicos acusados pelo homicidio de 4 doadores. Muitos doadores assassinados foram ignorados ou nao investigados.
Duraçao do processo: 
23 anos. Inexplicavelmente o processo ficou travado durante 23 anos sem qualquer explicaçao da justiça. 
Resultado: 
3 medicos condenados (1 falecido)
Tempo em que os medicos ficaram presos: 
Nestes 23 anos jamais nenhum dos acusados passou sequer um dia na prisao. Apos serem condenados a 17 anos de prisao, aguardam os recursos em liberdade, sem prazo para que sejam julgados. Continuam trabalhando normalmente e com garantias e proteçao dos conselhos de medicina. Em 2015 os assassinatos completarao 30 anos de completa impunidade e a justiça ainda nao conseguiu chegar a um veredito. 


POCOS DE CALDAS - 2000

Crime:
Assassinato de mais de uma dezena de doadores para fins de trafico de orgaos, e retirada ilegal de orgaos, alem de diversos outros crimes como estelionato, falsidade ideologica, concussao, falsificaçao de documentos publicos e formaçao de quadrilha. Infelizmente a maioria dos crimes cometidos sequer resultaram em processos. Embora tenham cometido mais de uma vez o mesmo crime, nao foram denunciados por formaçao de quadrilha. Este grupo era especializado em fraudar internaçoes pelo SUS e desviaram muitos milhoes de reais do sistema de saude.
Acusaçao:
Um grupo com mais de 10 medicos acusados pelo homicidio de diversos doadores e a pratica de retirada ilegal de orgaos. Muitos doadores assassinados foram ignorados ou nao investigados.
Duraçao do processo: 
13 anos. Inexplicavelmente o processo ficou travado durante 7 anos na justiça federal sem qualquer explicaçao da justiça.
Resultado:
6 medicos condenados (2 escaparam pela idade)
Tempo em que os medicos ficaram presos: 
Nestes 13 anos de processo, jamais nenhum dos medicos foi detido sequer por um dia. Todos continuarm trabalhando normalmente, atendendo pelo SUS e remunerados pelo governo que fraudavam constantemente. Atualmente o processo encontra-se suspenso pelo TJMG atendendo a um pedido do chefe da quadrilha e mentor da central clandestina de transplante, Carlos Eduardo Venturelli Mosconi. Mosconi foi visto junto com um dos condenados, passeando pelos corredores do TJMG, pouco antes do mesmo suspender as decisoes. O juiz Narciso de Castro havia determinado o afastamento dos condenados do sistema unico de saude, mas o TJMG tambem garantiu que eles retornassem, sem qualquer prejuizo.



SAO PAULO - 2008

Crime:

Roubo de corneas de cadaveres em hospital publico em Sao Paulo. Hospital do Tatuape.
Acusaçao:
Duas medicas foram pegas em flagrante roubando corneas de cadaveres. Uma das vitimas era avo' de um enfermeiro do hospital que ao entrar no necroterio para visita-la, flagrou as medicas roubando as corneas de sua avo.
Duraçao do processo: 
4 anos no total.
Resultado:
2 medicas foram condenadas. Mas a justiça anulou a condenaçao e o processo simplesmente nao teve qualquer efeito.
Tempo em que os medicos ficaram presos: 
As acusadas foram detidas para averiguaçao, mas jamais cumpriram pena. Hoje estao livre e nao podem continuar roubando corneas sem problemas, com a bençao da Justiça.


Agora vejam este caso. RECIFE - 2003

Em 2003, foi descoberto um esquema de trafico de orgaos em Recife. Pessoas com problemas financeiros recebiam ofertas para vender um rim, cuja cirurgia era realizada em outro pais. 3 anos depois do crime, os acusados foram condenados a prisao. Apos a condenaçao entraram com recurso e agora, em 2013 ( TREZE ANOS DEPOIS DO CRIME SER COMETIDO) saiu a decisao final confirmando a condenaçao. Em outras palavras, a justiça precisou de 3 anos para condenadar em primeira instancia, e mais  SETE ANOS PARA JULGAR OS RECURSOS!!

O resultado disso é que o chefe da quadrilha, recebeu autorizaçao da justiça no decorrer do processo para deixar o pais e nunca mais voltou!!! Sim! So faltou a justiça pagar as passagens. Gedalya Tauber, chefe desta quadrilha, acaba de ser preso em ROMA no aeroporto em Fiumicino. A extradiçao, se depender do Brasil, podera acontecer antes das olimpiadas de 2016. 

Portanto, aos condenados que aguardam uma decisao final da justiça, podem ficar tranquilos. Os recursos conseguirao adiar uma sentença final pelos proximos 10 anos. Até la muitos de voces ja morreram, ou atingiram a idade maxima para ir para a cadeia. De qualquer forma, apesar de matarem e torturarem pacientes, como descrevem as sentenças, viveram plenamente em liberdade sem qualquer incomodo. Alias, com bastante apoio, inclusive das autoridades.

Ja os de Poços de Caldas podem ficar mais tranquilos do que nunca. Se tem um lugar no Brasil onde voce pode comprar o que quiser, este lugar se chama Minas Gerais. Sentenças, recursos, habeas corpus, estao sempre em promoçao. Por isso nao mataram so doadores. Um administrador tambem foi executado. Nao pega nada!!! As autoridades mineiras com raras excessoes, estao lutando para livra-los. 

Por isso vale a pena lembrar: NAO DOE SEUS ORGAOS. Voce nao faz ideia de como é podre este sistema. Sao medicos e autoridades unidos pela impunidade.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Afinal, de que lado esta a justiça brasileira?

Afinal, quem é vitima?

Para a justiça brasileira atual, a preocupaçao é o criminoso. Mas a preocupaçao nao é puni-lo e sim protege-lo. Nos superamos a fase de "bandido bom é bandido morto". Agora estamos numa fase onde, "bandido bom é bandido protegido".

E a vitima? Bom, a vitima nao é problema da justiça. Tenho percebido que ha entre alguns magistrados novos conceitos interessantes. Estes acreditam que aqueles que pedem justiça estao na verdade querendo vingança! Como se a lei fosse algo secundario. Nos, as vitimas, os sobreviventes daqueles que morreram, e mesmo os mutilados (fisicamente ou psicologicamente), somos pessoas ruins. Queremos ver a desgraça dos outros. 

Ha 10 anos atras, quando uma vitima era entrevistada dizia: "Nos queremos justiça!". Em outras palavras, desejamos que a lei seja cumprida. Nem precisaria falar isso se tivessemos em um pais serio nao é mesmo? Mas no Brasil, é necessario deixar o recado. Atualmente os discursos mudaram. Quando alguma vitima é entrevistada, ela diz: "Nos nao queremos vingança. Queremos apenas a justiça!". 

E por que tudo isso? Porque estamos diante de fatos que jamais pensariamos presenciar. Os bandidos estao ganhando o espaço da vitima. A justiça esta protegendo os bandidos em detrimento dos direitos fundamentais das vitimas.

Aquele que mata uma criança para vender os seus orgaos, é o coitadinho. Alguns deles apelam: "Tenho familia, tenho filhos!". E quando voce matou uma criança, se preocupou a familia dela? Para estes assassinos, o bandido é a vitima cujos pais resolveram cobrar a lei. 

Aquele que rouba os cofres publicos é o coitadinho. Ruim sao aqueles que trabalharam, pagaram seus impostos em dia (muitas vezes com grande dificuldade), e insistem que o dinheiro nao pode ser roubado.

Para tais situaçoes, a justiça tem sido bastante cautelosa. Traficantes de orgaos estao obtendo passaporte para continuar matando. Ladroes dos cofres publicos, estao recebendo a bençao de certas decisoes. 

Por que estou falando isso? Faço em defesa de pessoas honestas e que sacrificaram suas carreiras em beneficio das vitimas e nao afagando os reias marginais. 

Em especial, falo de dois magistrados. Um deles o juiz Narciso de Castro, que apos ingressar na comarca de Poços de Caldas, deparou-se com diversas mafias mas nao se amedrontou. Fez o que devia ser feito! Embora a mafia tenha tentado me ligar a ele, ou liga-lo a mim, eu jamais conheci este cidadao, e confesso: desejaria muito conhece-lo. Mas uma vitima nao pode ter acesso a um juiz. Os bandidos sim! Estes frequentam gabinetes e corredores dos tribunais de justiça apertando as maos de desembargadores e entregando alguns presentinhos. Isto é permitido.

Nao encontramos mais pessoas com a coragem deste magistrado. O resultado do seu trabalho  pode cair no poço da impunidade, mas o seu esforço nao sera em vao, poso garantir. Ele condenou aqueles que diziam salvar vidas, mas estavam matando pacientes. E sua fundamentaçao pode até ser desprezada, mas jamais podera ser contrariada. Narciso representa a vontade de milhares de Poçoscaldenses que tenho certeza, desejam acabar com estas mafias.

O outro magistrado é Fernando Cordioli. Assim como Narciso, ele esta contrariando a indecencia. Eu nao poderia deixar passar em branco o seu esforço para nao ser tragado pela suprema safadeza. Por sorte, Cordioli esta sendo assistido pelo instituto Eco&Açao, cuja responsavel conheço pessoalmente e tem um carater admiravel. Seria muito bom se esta associaçao pudesse acompanhar outros juizes que sofrem da mesma perseguiçao.

Este blog resolveu quebrar o silencios dos coniventes. A imprensa nao pode quer falar nestes casos. 


Desejo que ambos encontrem amparo de colegas e que a liberdade de decidir seja sempre respeitada pelo bem da democracia. Deixo para o leitores deste blog, o texto que encontrei e achei importante publica-lo. 


Ana Echevengua - 2013. Santa Catarina vive um momento histórico: um magistrado jovem e corajoso - cujas decisões bombásticas incomodam especialmente os que se acostumaram com a impunidade reinante nas terras catarinenses e no Brasil -, foi afastado de suas atividades até que as investigações necessárias dentro de um PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) sejam concluídas. 

Embora este PAD seja um procedimento sigiloso, o doutor Fernando Cordioli Garcia decidiu renunciar a este sigilo. Quer que todos saibam o que está ocorrendo para que possam ajudá-lo nessa empreitada. E, segundo ele, é vítima de assédio moral.

Diante disso, o Instituto Eco&Ação decidiu abraçar esta causa e ajudá-lo na divulgação de tais fatos. Entende que se trata de um caso emblemático e que poderá gerar mudanças que o Poder Judiciário tanto necessita. 

Assim, de ora em diante, publicará vários artigos a respeito do ‘caso Cordioli’. Para que os interessados possam entender o que ocorre. E opinarem a respeito.

É absolutamente necessário que juízes como o Dr. Cordioli sejam prestigiados, que possam atuar conforme seu novo enfoque  de distribuição de Justiça e servir de exemplo à magistratura.  

Precisamos confiar que o Tribunal de Justiça Catarinense tomará a decisão mais acertada e que os julgadores cumpram todos os trâmites legais e justos. 

Abaixo, a mensagem que vários representantes da sociedade civil receberam e que compartilho com todos os que entendem que no Brasil é possível a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, como ordena a nossa Constituição Federal. 

“Prezados,

Primeiramente, gostaria de desejar um ano-novo repleto de realizações, que os céus lhes propiciem saúde e prosperidade, é o desejo de quem vê em Vossas Excelências amigos dos mais solidários, corajosos e leais. Diante da confiança depositada em mim, segue abaixo resumo para o crivo do elevado julgamento dos senhores.

Os processos disciplinares abaixo que correm contra mim e ensejaram meu afastamento são sigilosos. Mas eu renuncio ao sigilo em prol da publicidade, princípio constitucional maior que vem ao encontro da Garantia da Ampla Defesa, expressão do fundamento da Liberdade de Imprensa em um Estado Democrático, da prerrogativa da liberdade nas manifestações judiciais, e também, mais remotamente, do direito à opinião e liberdade do pensamento.

Seguem abaixo os números, para controle e fiscalização, dos autos de meus processos, bem como resumo de minhas razões e atitudes sob processamento. Infelizmente, não posso indicar onde eles podem ser lançados, pois nem eu, ou meu Advogados podem acessá-lo, o que também faz parte de minhas petições às autoridades em Brasília: cerceamento de defesa e assédio profissional.

Ao dispor,
Fernando Cordioli Garcia

1. Procedimento nº 0012249-03.2011.8.24.0600

1.1 Da reclamação realizada pelo ex-prefeito municipal Altamir Paes: O ex-político foi condenado em processos por improbidade administrativa em feitos anteriores a assunção do juiz na vara. Somente por aí se prova que não articulou qualquer condenação ou saída política desse reclamante, o qual inclusive absolveu diversas vezes, rejeitando iniciais dos Promotores. Simplesmente exerceu o ato de fundamentar uma decisão citando exemplo do ex-prefeito do município com condenações conhecidas, do site do MP, extrai-se: “29/09/2011 – Acatada recomendação do MPSC para afastar Presidente da SCGÁS”. Há uma gama de ações tramitando na comarca contra o ex-prefeito. Dos sites do TRE e do TCE, colhem-se inúmeros processos em que o ex-prefeito foi condenado por má administração da coisa pública, de forma que punir o Juiz que sabe e fundamenta suas ações nessa realidade é violar a transparência das coisas públicas.

1.2 Das decisões judiciais proferidas nas ações populares e ação civil pública, referentes a “processo seletivo” de Otacílio Costa: não se desrespeitou o TJSC, tanto que ele confirmou sua decisão nos autos do Agravo de Instrumento AI n. 2012.007354-3. Por outro lado, a expressão que ele “parece não ter compreendido os termos do mandado análogo”, impondo multa à pessoa do Prefeito, foi dita é porque insistia o alcaide em não cumprir a ordem judicial. Deferiu-se pela 3ª vez a mesma suspensão do concurso, por diversos motivos legais, e em função da participação de empresa manifestamente inidônea. Não há se falar em falta de serenidade, pois a decisão poderia a qualquer momento ser revista, questão jurisdicional não afeita à CGJ. 

1.3 Dos e-mails encaminhados a pedido dos jornalistas sobre os desvios do FIA: não agiu com falta de dever funcional ou qualquer interesse que não o público. Atendeu ao pedido da Imprensa, tudo por escrito, com quem mantém ótimo relacionamento, nos termos do Manual de Relacionamento com a Imprensa do Poder Judiciário. No mais, estava a proteger a municipalidade, o interesse público, ao dar concretude aos princípios da Administração Pública diante dos indícios de ausência de ação das demais autoridades competentes. Daí, a publicidade não pode ser ignorada. Não se acionou nada contra desvios dos cofres públicos relatados pela Assistente Social (utilizou-se dinheiro do FIA em viagens particulares). Ora, segundo Min. Ayres Brito; “Judiciário e Imprensa são gêmeas siâmesas”. Não podem andar separadas, a fim de dar transparência à população, à sociedade, e foi isto que o defendente promoveu, sendo injusta qualquer punição por conta da sensibilidade extremada de quem se ofende com a verdade nos jornais. [1]E conclui o Ministro: “Quanto mais se fortalece a liberdade de imprensa, mais se robustece a democracia. Quanto mais se robustece a democracia, mais se fortalece a liberdade de imprensa”, disse o então Presidente do STF, Ministro Ayres Britto em 28 de maio de 2012, durante o 5º Congresso da Indústria de Comunicação, em São Paulo.

1.4 Da reclamação dos Promotores de Justiça. A notícia foi dada pelos jornalistas que souberam da penhora dos veículos do ex-prefeito em ACP transitada em julgado há mais 10 anos, publicando o informe depois de mais 15 dias depois de efetivamente cumprida. A crítica foi feita no desempenho da atividade jurisdicional, resultante da demora na execução, e divulgada sob a garantia constitucional da Liberdade de Imprensa, pressuposta e base do agir ex officio. Jamais o Magistrado ofendeu a instituição Ministério Público Estadual, entidade em que o defendente tem amigos e exemplos, inclusive seu irmão lá trabalha, nutrindo o maior respeito aos profissionais operosos e sérios que lá militam, como se prova nos autos. 

1.5 Da matéria jornalística elaborada na carta do leitor do jornal do município: mais uma vez um Magistrado é crucificado por viver efetivamente no município, por conhecer das mazelas criadas pelos políticos condenados em ações civis públicas antigas e de ter conhecimento, pelos jornais, de tudo que se passa, e daí, de pronto, dar desagravo às ofensas lançadas à Justiça por um famoso político condenado ao ressarcimento de verba pública malversada, há décadas em débito. A execução de mais de 10 (dez) anos não foi pré-julgada justamente porque se trata de ação julgada. A penhora de bens particulares desse então prefeito foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina no Agravo de Instrumento nº 2011.082392-1, prova maior de a Magistratura está operante e age independentemente da qualquer atuação política que querem impor aos juízes. Não houve sequer representação desse ex-político à CGJ, que age em nome daquele que provocou o desagravo. 

2. Procedimento nº 0012293-22.2011.8.4.0600, do planejamento familiar: utilizam há muito tempo de uma ata de audiência, que não foi questionada na hora de sua lavratura, mas três meses depois, e não pela mulher interessada, que inclusive foi para outra cidade de outro estado com seus três filhos. Veja-se, o Planejamento Familiar é um direito público do cidadão frente ao SUS, e tão-somente fez o Juiz trazer à tona tal assunto, um tabu. Infelizmente as donas de casa carentes continuam tendo filhos sem ter acesso ao SUS, pagando por cirurgias caras por conta de concussão. A ata de audiências já é inclusive objeto do HC, pendente de julgamento no STJ.

3. Procedimento n. 010688-41.211.8.24.0600. Inexistência de descumprimento de carta precatória. Não se sustenta apontar o cometimento da infração do art. 35, inc. I, da LOMAN, sob a alegativa de que não se poderia deixar de cumprir uma carta precatória, pois nunca houve determinação, despacho, negativa, devolução de precatória alguma, solicitou-se gentilmente a aplicação do art. 400, § 1º do CPP! Tal artigo de lei era novo e fruto de reforma processual, talvez não conhecida pelo deprecante. Jamais o juiz asseverou “não vou cumprir a deprecata”. Não há mínima justa causa para processar um Juiz que estava a evitar o desperdícios de PMs nos corredores dos fóruns enquantos eles faltam nas ruas. O pedido do Juiz, para que dispensasse a testemunha que era PM, inclusive se fudnamenta em TCC orientado por um Professor Doutor da ESAG, em trabalho de conclusão de curso, cujo tema foi “As audiências Judiciais como fator de perda de qualidade”, que foi publicado na Revista Jurisprudência Catarinense nº 119, pág. 70-107.

4.  Procedimento n. 010590-22.2011.8.24.0600. Risco de Falência Criminosa de empresa financiada pelos cofres públicos. A tutela inibitória postulada foi deferida, sempre visando o bem social da sociedade otaciliense. Decisão dada em função judicante, não havendo se falar em infração funcional. Há dezenas de execuções contra a empresa que se reputou estar em atos preparatórios de crimes falimentares.  Agiu o Juiz em poder geral de cautela, poupando os cofres públicos dos prejuízos tributários e previdenciários dos seus mais de 200 empregos que poderiam ser encerrados pelo estado de bancarrota evidente na empresa que existe senão pelo financiamento milionário dos bancos governamentais. Há abaixo-assinado de funcionários apoiando a atitude da Justiça em garantir o salário e emprego da comunidade. O magistrado em puro ato de fundamentar (art. 93, IX, da CF) disse que se poderia – indícios de atos preparatórios de crime falimentar. Não há infração funcional ao decidir. O magistrado está injustamente sendo acusado por ato que inclusive foi elogiado na Câmara de Vereadores do Município, como um dos motivos para a concessão do Título de Cidadão Otaciliense.

5. Procedimento n. 010871-12.2011.8.24.0600. Insurgência do Ministério Público contra os reveses judiciais na esfera correcional. Face as derrotas, que desafiam recursos, o Ministério Público, passou a reclamar na CGJ além de recorrer. Decidir com independência, convicção não é decidir desairosamente contra Promotores de Justiça. O indeferimento de uma inicial é exercício de autonomia jurisdicional, pois fundamentado, o qual se dá comumente em face de advogados, procuradores e pode e deve também se dar contra promotores. A demonstração crítica de fatos é ato privativo de juiz, levantando-se questões do porquê de não ter se entrado com as ações no devido tempo, com mais agilidade e eficácia, antes do caducamento. Diversas situações não precisariam ser judicializadas, como prega o atual direito da mediação e das soluções pacíficas de conflitos. O estoque de processos da Comarca diminuiu de cerca de 5.200 feitos para pouco mais de 4.000 processos na direção do defendente. O Relatório de Produtividade do Magistrado, diz a CGJ, no período de abril/2010 a maio/2012, “está acima da média do grupo de equivalência quanto ao número de sentenças (+/-) e decisões (+/-) proferidas,” porém abaixo no que se refere às audiências realizadas”, estas últimas justamente porque atendido o julgamento abreviado das causas, atendendo o primado da duração razoável do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF).

6. Procedimento n. 011804-48.2012.8.24.0600. Suposta desídia judicial: mais uma vez, o promotor local, não se contentando com as decisões judiciais de um juiz, sobretudo com sua forma de gestão e políticas de controle da avalanche processual, recorre indevidamente ao processo disciplinar. Malgrado no passado já cabalmente comprovada a alta produtividade do Juiz. Transparece mais uma vez que se busca negar a proteção da independência e autonomia dos Juízes, negando, dessa forma, a garantia democrática do juiz que seja capaz de se opor às injustiças que porventura possa, inclusive, o Estado-Acusador promover. Poderia inclusive ser mais operoso ainda se não tivessem afetado a saúde do defendente, com procedimentos todos apensados, e apresentado em apenas 4 meses. Há reclamações, das reclamações, um verdadeiro, bis in idem contra o magistrado, violando a sua independência funcional.

7. Procedimento nº 0011467-59.2012.8.24.0600-004. Desvio criminoso de verbas escassas do Fundo da Infância e Adolescência - FIA. O representante ministerial separou mais de 1000 folhas de centenas de processos esparsos para dizer que o juiz é moroso, inexistindo tal, como já dito a CGJ. Houve pedido à CGJ. Porém, efetivamente não houve ação ministerial nos desvios do FIA citados no relatório da Assistente Social. Não se pode punir porque o juiz que não prevaricou, mas sim pediu andamento para recuperação dos desvios de dinheiro que evitariam sim a entrada de novas ações no judiciário e salvariam o destino de crianças e adolescentes.

8. Procedimento nº 0011467-59.2012.8.24.0600-004. Manifestação na Câmara Municipal por convocação do Legislativo. Recursos públicos não recuperados há mais de uma década se tornou assunto do interesse da bancada da oposição, maioria, que convocou o juiz para prestar informações sobre suas atitudes, especialmente o fato de dois carros terem sido guardados na garagem da prefeitura, em lugar de serem destinados ao serviço do Conselho Tutelar e do Abrigo Municipal. A decisão de penhora que interessa os cofres públicos foi inclusive mantida pelo TJSC no Agravo de Instrumento no AI nº 2011.082392-1. 

9. Procedimento nº 0011084-81.2012.8.24.0600. Dos subterfúgios de um Comissário de Inf. e Juventude para escapar do poder hierárquico e disciplinar do Diretor do Foro. As ordens do Juiz na tentativa de bem gerir foram descumpridas, contestavam-se decisões do magistrado em verdadeira usurpação do poder de gestão do Poder Judiciário, corolário máximo da boa administração de um fórum tomado pela balbúrdia. Assim, inexistem ilicitudes. Há inclusive processo administrativo contra o funcionário rebelde, Célio Marcelino da Silveira Filho, autuado sob nº 0012513-83.2012.8.24.0600. O Comissário da Inf. e Juventude pregou a discórdia na comarca, gerou quebra de confiança, alegando estar sob “perseguição injusta” quando era um dos mais prestigiados pelo juiz, a ponto de ter ido em um evento de juízes no lugar deste. O Comissário da Inf. e Juventude não aceita superiores e provocava verbal e por escrito o juiz, entre outras barbaridades, a ponto de chamar a Fórum de Arca de Noé, ao escrever ao juiz chamando-o de “Comandante da Nau”.

10. Procedimento nº 0011299-57.2012.8.24.0600. Como um e-mail dirigido à OAB, subseção de Lages, transformou-se em procedimento contra um juiz? Partindo de um e-mail de poucas linhas do Consultor Jurídico da Prefeitura Ernani Luz Junior, enviado a terceiros, que chegou por cópia às mãos de um Juiz-Corregedor, restou afastado do cargo um Juiz elogiado pela comunidade. Com isso, o defendente obriga-se, por forças próprias, sufocado, com assunção de despesas de advogados vários pagos do próprio bolso para provar que inexistiu qualquer infração disciplinar. Inexistiu e não há provas de tratamento desigual algum, senão advertências contra a conduta do consultor que também advogava nas horas vagas, a qual prejudicava o andamento de alguns processos, especialmente um inventário há mais de dez anos atravancado, e que não passou das primeiras declarações.

11. Procedimento nº 0011350-68.2012.8.24.0600, inexistência de efetiva apuração para a apuração de desvio de bens públicos de alto custo (balanças da Polícia Rodoviária Estadual). Seguem os ataques ao defendente, que requisitou Inquérito Policial para apurar o sumiço das balanças de pesagem da rodovia SC-425 , cujos crimes de trânsito estavam sendo colocados nas costas dos motoristas e não contra os causadores de buracos e danificações causadoras dos acidentes. Inexistiu interesse das outras autoridades locais na apuração da retirada de equipamentos caríssimos. Entretanto, na busca da recomposição do patrimônio público, na busca da averiguação de tal desfalque criminoso ou não, decidindo em autos de investigação criminal, portanto, na função jurisdicional plena, um membro do Judiciário foi apontado como desairoso por ninguém menos que o Procurador-Geral de Justiça, cuja iniciativa pela preservação das rodovias se desconhece. Inexistiu ofensa alguma, somente apelo para a importância milionária da questão (preservação de estradas), bem como um oficio cobrando a devolução da investigação que estava parada há meses, enviado de maneira gentil e cortês, quanto tudo já tinha determinação de ir para o arquivo pelo referido Procurador-Geral de Justiça.

12 Procedimentos nº 0012602-09-2012.8.24.0600 e 0012727-74.2012.8.24.0660, da inexistência de abuso de autoridade. Mais uma obra de quem não admite a atuação do Poder Judiciário (uma única ex-Vereadora e um ex-Prefeito) para o que é mais importante para a sociedade, o INTERESSE PÚBLICO, aí incluída a própria manutenção da capacidade de gestão judiciária do Foro, chamada a julgar, um a um, cada direito público subjetivo negado pelos políticos nas portas do hospital da cidade, onde grávidas já estão há muito perdendo bebês. Tudo indevidamente judicializado pela omissão fiscalizatória das demais autoridades. A judicialização da incompetência dos políticos, sobretudo na Saúde Pública, é um problema dos maus administradores, surgindo condenações que agora se revertem contra os magistrados mais rigorosos, pois ficou mais fácil representar o Juiz diferenciado, do que cumprir a decisão ou recorrer como todos fazem. Assim, não há abuso algum do defendente, senão aplicação da Constituição ao caso concreto. Nas palavras de um Desembargador: O papel do juiz na sociedade ultrapassa os limites do mero aplicador e interprete qualificado das leis. Investe-se da condição de agente político propulsor do desenvolvimento social e econômico de sua terra e de sua gente, além de garante do Estado Democrático de Direito. Equipara-se ao estadista, que se preocupa com o bem estar comum, coletivo, enfim, com as gerações futuras, antes de preocupar-se consigo mesmo, ou com os seus. E o juiz, estadista, será se tiver qualidades para, sem perda da independência que lhe confere a ordem jurídica, ao lado do Legislativo e do Executivo, utilizar do Poder Político de que é detentor para decidir em conjunto e simultaneamente as questões de Estado, que incluem a revisão da Constituição e das leis infra-constitucionais, planejamento, orçamento e implementação de políticas públicas, especialmente quanto aos direitos fundamentais sociais [...] (Des. Cesar Abreu, Governo Judiciário, 2009, Florianópolis, TJSC).”

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O silencio dos coniventes

Muitos podem alegar que nao sao culpados do que certos transplantistas fazem. E de fato nao sao! Mas o silencio os tornam tao criminosos contra aqueles que usaram de seus conhecimentos para matar pessoas visando vender os orgaos. 

O Governo Brasileiro mantem a boca fechada. A Secretaria de Direitos Humanos tambem nao se manifesta publicamente sobre o assunto. Tudo porque o Ministerio da Saude tem uma politica publica de transplantes que nao pode ser "arranhado".





Estamos numa epoca que é imperativo empurrar a sujeira para debaixo do tapete, ainda que a sujeira tenha sido feita por outra pessoa. Neste caso, outro partido.

Nao seria o Ministerio da Saude o maior interessado em esclarecer estes fatos?

Como podemos confiar em um sistema de transplante, cujas irregularidades nao podem ser reveladas?

Nao seria o Ministerio da Justiça, a autoridade competente para questionar a morosidade dos processos que envolvem o assunto trafico de orgaos?

Os conselhos de medicina sao mais explicitos. Nao so evitam a falar sobre o assunto, como tambem defendem aqueles que cometeram tais crimes. 

Que tipo de sociedade é esta que esta sendo construida no Brasil? 

Estamos diante de uma sociedade completamente doente. O Ministerio da Saude continua dizendo que trafico de orgaos nao existe no Brasil, embora conheça a fundo inumeros casos. Alias, este Ministerio alega que nao pode impedir os assassinos de trabalharem pois enquanto nao ha uma sentença definitiva, sao todos inocentes. Hoje temos 4 medicos em Taubate e 5 medicos em Poços de Caldas condenados em 1a instancia por mataram pacientes para fins de trafico de orgaos. 

Da para entender o motivo pelo qual os processos em 2a instancia simplesmente estao parados! Absolver os condenados é algo bastante bizarro diante de tantas provas existentes. Condena-los, significa admitir o que venho denunciando ha alguns anos. A soluçao é colocar tudo em gavetas, receber a propina e deixar o assunto mofar. Quem vai se importar?

Com a milionaria publicidade em favor dos transplantes, amanha ninguem se lembra mais.

Voce se lembra de Norton Nascimento? Nao né? so quando se fala em novela e alguem lembra o personagem dele. Pois é. Ele foi garoto propaganda do sistema de transplante brasileiro. Hoje ninguem se lembra mais.

A Associaçao Brasileira de Transplantes de Orgaos tambem nao se manifesta. E tambem tem motivos. No caso de Taubate, o acusado de receber os orgaos para implanta-los em pacientes particulares era o presidente desta associaçao na epoca. O principal acusado no caso de Poços de Caldas, é irmao de um membro conhecido da entidade. Outro ex-presidente, tambem foi acusado na CPI de oferecer rim para o apresentador de tv Athaide Patrezze.

Ah claro! Esqueci de mencionar que dois membros (renomados transplantistas) desta instituiçao, sao testemunhas de defesa de Alvaro Ianhez - o chefe tecnico da mafia de Poços de Caldas. 

Nao pode? Claro que pode! Podem até mesmo fazer passeata, propaganda e distribuir panfletos defendendo estes marginais. Por isso escrevo aqui. Eu tambem posso fazer o mesmo!

Para termos uma ideia de como é o silencio dos coniventes, recorro novamente a famigerada CPI do Trafico de Orgaos. Vou destacar o depoimento do Mr. Transplante - o dr. Jose Osmar Medinam que atualmente (2013) ocupa o cargo (mais uma vez) de presidente de ABTO.

No dia 26/05/2004, as 15h21m, Medina participou da CPI como convidado e prestou seu depoimento obviamente defendendo que no Brasil, trafico de orgaos é lenda urbana. Vale a pena destacar estes trechos:
O SR. DEPUTADO GERALDO THADEU - A criação de todas essas centrais de captação de órgãos, elas são todas determinadas e elas são todas implantadas e autorizadas pelo Ministério da Saúde?
O SR. JOSÉ OSMAR MEDINA PESTANA - Todas elas autorizadas pelo Sistema Nacional de Transplantes, pelo Ministério da Saúde e tem uma regulamentação para criação dessas centrais. Essas centrais é que vão depois credenciar os centros ou, então, pelo menos organizar os centros que são credenciados e encaminhar o pedido de credenciamento desses centros para o Sistema Nacional, em Brasília, e só depois disso é que o transplante pode ser realizado.
Ficou claro? Segundo Medina, somente apos o credenciamento realizado pelo Ministerio da Saude, uma central pode fazer transplantes. No caso de Poços de Caldas, este credenciamento nao existe e nunca existiu. Logo, a Central funcionava de forma clandestina. Ao ser questionado sobre o caso de Poços de Caldas, veja o que respondeu Medina:
O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - Só para encerrar, a última pergunta. O Ministério da Saúde, em auditoria realizada na cidade de Poços de Caldas, constatou que a MG Sul Transplante era clandestina, que não tinha autorização do Ministério da Saúde para coordenar os transplantes. O senhor tomou conhecimento desses fatos?
O SR. JOSÉ OSMAR MEDINA PESTANA - Eu tomei conhecimento desses fatos, o Sistema Nacional de Transplantes também tomou conhecimento e eles estão tomando as medidas legais que são cabíveis.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - Então, o senhor tomou conhecimento de que ela era irregular?
O SR. JOSÉ OSMAR MEDINA PESTANA - Senhor?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Neucimar Fraga) - O senhor tomou conhecimento, então, de que ela era clandestina, a MG Sul Transplantes?
O SR. JOSÉ OSMAR MEDINA PESTANA - Não. Eu tomei conhecimento de que existe esse processo no Sistema Nacional de Transplantes questionando a regularidade daquele programa.
Pergunto eu: Afinal dr. Medina, uma central que nao tem autorizaçao do Ministerio da Saude é ou nao é clandestina?

Curiosamente, Medina nao so tomou conhecimento, como tambem é ele a testemunha de defesa do assassino do meu filho. Em seguida ele pediu para concluir.
O SR. JOSÉ OSMAR MEDINA PESTANA - Deixa eu só terminar, por favor. E isso compete ao Sistema Nacional e ao Ministério da Saúde tomar as decisões. A ABTO, os outros médicos não se envolvem nesse tipo de coisa, a não ser quando forem consultados. Se eu for chamado pelo Ministério da Saúde para ir lá como perito e fazer algum tipo de colaboração, eu vou fazer, mas eu não tenho condição. A minha formação não é de alguém que faça algum processo de investigação. Eu sou médico, eu atendo um paciente que está doente para procurar resolver o problema dele.
Ufa! Agora entendi. Medicos so se envolvem nas investigaçoes se forem chamados. Medico no maximo pode ser testemunha de defesa, ainda que a irregularidade seja conhecida e comprovada.

Fica facil de entender como este cidadao segue afirmando que no Brasil nao ha trafico de orgaos. Se ignorarmos os fatos reais fingindo nao conhece-los, nao existira assassinatos a tiro, pedofila, violencia domestica, corrupçao, trafico de drogas entre outras coisas mais.

Veja este outro exemplo. O Hospital Pedro Sanches, onde Paulinho recebeu atendimento de emergencia, esclareceu a populaçao atraves de nota publicada em jornal o seguinte:


Alvaro Ianhez realizou o 1o diagnostico de morte encefalica. Ele era o chefe da equipe de transplante. Vejamos o que diz a lei de transplantes 9.434/97, o orgulho dos transplantistas:

CAPÍTULO II
DA DISPOSIÇÃO POST MORTEM DE TECIDOS, 
ÓRGÃOS E PARTES DO CORPO HUMANO PARA FINS DE TRANSPLANTE.
Art. 3º A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplante, mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina.
E eu pergunto novamente: Entao dr. Medina?
O sr. esta de acordo com a participaçao de Alvaro Ianhez no diagnostico de morte encefalica do meu filho? O sr. nao acha que apoiar Ianhez é contrariar a lei de transplantes que o sr. tanto defende?

Ou sera que a lei nao tem tanto valor assim, quando quem a desobedece é amigo?

Mais uma vez tenho aqui demonstrado que, nem sempre o que falam a respeito dos transplantes, corresponde a verdade. Muitas vezes as pessoas falam uma coisa, mas agem de forma diferente.

Fique atento com o marketing! Mantenha-se vivo e diga nao a doaçao de orgaos.
Hoje nao é seguro ser doador no Brasil.

domingo, 2 de junho de 2013

Depoimento esclarecedor. Vale a pena ler.


Na abertura dos trabalhos da CPI do Trafico de Orgaos em 2004, logo apos o meu depoimento, foi a vez de Liliana Elias Cardoso falar sobre a morte do seu filho e o que aconteceu com os seus orgaos. A Dra. Liliana era medica veterinaria do exercito em Brasilia e apos uma enorme tentativa em descobrir a verdade, parece ter cansado e desistiu. Ja tentei varios contatos, mas nao obtive respostas.

Revendo a documentaçao que tenho sobre o tema trafico de orgaos, que esta sendo traduzida para o  ingles, decidi usar este depoimento que é muito importante, pois retrata o que o Estado brasileiro e demais autoridades, tem feito em relaçao a denuncias de trafico de orgaos.

Liliana Elias Cardoso e o filho Marcos, cujos orgaos
desaparaceram misteriosamente em Brasilia.
Boa-tarde, senhores. Em primeiro lugar, eu queria me solidarizar com o Paulo, porque, assim como ele, eu também sou mãe, também perdi um filho e também optei pela doação. Da mesma forma como ele, eu também desejei que isso atendesse, que essa minha atitude atendesse pessoas que precisavam de órgãos na lista de espera, também da mesma forma como ele, eu percebi que, durante a nossa busca de respostas, o que é normalmente questionado é a nossa idoneidade, e o fato em si ou os fatos em si envolvendo aquilo que ocorreu ou deixou de ocorrer são poucos investigados. Gostaria muito de não estar aqui, gostaria de ter conseguido essas respostas nas outras instâncias às quais eu recorri. 


Fico muito triste por ter chegado a esse ponto, mas eu acho que é este o momento de se fazer uma reflexão sobre o que está acontecendo e lembrar que não se faz transplantes em nenhum lugar se não tiver doador e a gente não vai ter doador se o sistema de saúde não atender direito, não atender com dignidade a família, esse doador e não disponibilizar de todos os meios possíveis e imagináveis para que a gente possa fazer investigação e levantar a verdade, só a verdade, nada mais, porque é só isso que as pessoas que estão aqui estão buscando. 

Isso eu tenho a certeza absoluta. Por isso que eu gostaria de deixar registrado que a experiência do Paulo certamente não é única. Eu vou ler rapidamente, eu não tenho muito material, é bem rápida a minha experiência, só para que haja uma situação do fato. No dia 2 de março de 2002, entre 18h30 e 19h, o meu filho de 9 anos chegou ao hospital de base com traumatismo crânioencefálico por conta de um acidente. Eu fiquei com o meu filho entubado na emergência por 24 horas, porque não ocuparia um leito de UTI com paciente a caminho de morte cerebral. No dia 3 de março, de manhã, os médicos reapareceram. O neurologista afirmou que o seu estado era irreversível e perguntou se eu autorizaria a doação dos órgãos. Disse que autorizaria, desde que o hospital tivesse condições de realizar os procedimentos porque eu tinha certeza de que isso era muito complexo, eu não tinha certeza se o hospital poderia fazê-lo. O médico me respondeu que eu deveria aguardar a presença da chefe da equipe de captação de órgãos para tirar minhas dúvidas. 

Várias horas depois, eu saí para dar notícias a amigos e familiares e, quando eu retornei, haviam começado um exame para verificação de morte cerebral no meu filho e novamente me informaram que não havia ninguém para tirar minhas dúvidas, que eu deveria esperar pelo chefe da captação, que era o único autorizado a me dar as explicações. 

Nós estávamos, eu e meu filho, em plena emergência lotada, o técnico do eletroencefalograma tentava afastar as pessoas que passavam por perto do leito para não atrapalhar o exame. Eu não fui avisada do início dos procedimentos de verificação de morte cerebral, como prevê a lei, nem me informaram que eu poderia chamar um médico, trazer um médico da minha confiança para acompanhar esse tipo de procedimento

Já à noite desse segundo dia, o meu filho foi para uma vaga de UTI, e me disseram no elevador que ele estava indo para a UTI, porque ele era provável doador, porque senão não teria ido. No início da noite... No início dessa noite, eu conheci o chefe da Central de Captação de Órgãos do Distrito Federal, que trabalha dentro do Hospital de Base. No início da noite do dia 4 de março, o meu filho foi levado para o centro cirúrgico. Já haviam sido selecionados receptores para córneas, rins e um receptor para fígado e me disseram que coração, pulmão ou qualquer outro tipo de órgão ou tecido não seriam remetidos para nenhum outro lugar porque eles não tinham condições de fazê-lo, apesar das inúmeras campanhas clamando, pedindo, implorando por órgãos neste nosso País. 

Na manhã do dia 5 de março, eu fui informada pelo chefe do transplante hepático do Hospital de Base não ter sido possível realizar o transplante hepático por falta de material ou equipamento considerado imprescindível à manutenção da vida do receptor. Então, aí eu me pergunto: 

- Por que retiraram o fígado do meu filho se não tinham condições de fazer o transplante? 
- Por que o meu filho não foi encaminhado a um centro que tivesse condições de fazer esse tipo de procedimento? 

Porque qualquer família que doa, não doa por doar; doa porque quer ver o transplante realizado. O mesmo médico que me disse que o transplante não havia sido realizado, disse que esse órgão, o fígado, havia sido encaminhado para a anatomia patológica do hospital, onde estava o seu corpo, aguardando remoção para o IML, para a realização da necropsia. 

Depois dessa necropsia, durante o funeral do meu filho, eu percebi a ausência de glóbulos oculares, um afundamento das órbitas, que eu não esperava, já que a autorização para a captação mencionava córneas, que são tecidos, e não olhos. Apesar de se saber que isso é hábito, não é isso que estava na autorização. Quando eu retirei o laudo de necropsia do IML, algumas semanas depois, eu verifiquei que o fígado, que não foi aproveitado no transplante, também não foi devolvido ao corpo do meu filho

Eu fiz o funeral do meu filho acreditando que o seu corpo estava recomposto, apenas sem os órgãos ou tecidos, que estavam beneficiando receptores selecionados. O meu esforço para saber para onde foi o fígado doado obteve 2 respostas divergentes: 

- O Hospital de Base, através de uma sindicância, afirma que o fígado foi encaminhado para o lixo hospitalar e incinerado, que não tem registro da entrada, nem saída e nenhum documento comprobatório. 

- O Ministério da Saúde, que recebeu o mesmo tipo de solicitação, informa que o fígado foi sepultado no cemitério local, dentro das rotinas existentes e obedecendo à legislação. 

Pouco depois — meses depois, aliás —, ainda observando o laudo do IML, comparando com o termo, com a declaração, a autorização para a retirada dos órgãos, eu percebi que o pâncreas do meu filho também havia sido retirado, apesar de não constar na autorização de doação, e nem na lista de órgãos captados, e nem no seu prontuário. Encaminhei solicitações pedindo esclarecimentos para vários órgãos: encaminhei para o Conselho Federal de Medicina, a 2 anos atrás, uma solicitação pedindo a apuração dos fatos — fazendo aniversário agora, neste mês. 

Dois anos, até agora eu não obtive nenhuma resposta. O Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde também tomou conhecimento do caso, pediu para que eu encaminhasse um relato detalhado do que aconteceu, que eu providenciei, e até hoje eu não obtive resposta. Encaminhei para a Auditoria do Ministério da Saúde uma solicitação de valores pagos. Na resposta, eu pude perceber que os valores pagos a respeito do tratamento do meu filho para o Hospital de Base não correspondem a um doador de órgãos. Inclusive, relatando tratamento ou inclusão de prótese, que ele não fez. O Ministério Público também foi acionado. Eu entrei, em março de 2002, com uma denúncia e, por volta de julho de 2002, a denúncia foi arquivada, descrevendo que “o fato de o fígado não ter sido transplantado não constitui crime”

Mas não foi feita indicação sobre o destino do órgão. Com relação à Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, encaminhei a esta entidade um email relatando também o que aconteceu, resumidamente, com o meu filho, e eles me fizeram um contato pedindo um telefone para que nós conversássemos. Eu encaminhei o telefone e o endereço para contato. Esse contato foi feito, no entanto nós não conseguimos terminar a conversa, a ligação foi interrompida. Mas em nenhum momento a resposta para o meu questionamento foi dada. Acho que a única pessoa que respondeu à minha solicitação de resposta foi o ex-Presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, se não me engano de 98, que me encaminhou uma carta lamentando o que tinha acontecido comido, que era um dos piores exemplos do que poderia se chamar captação de órgãos no nosso País e que eu não deixasse de acreditar. E é isso que eu estou tentando fazer. No final dessa história toda, eu percebi o seguinte — isso para mim é um fato inquestionável — hoje, a família do doador não tem a quem recorrer. Isso para mim é inquestionável, porque eu passei por isso e ouvi vários depoimentos. A resolução sobre morte cerebral muitas vezes não é cumprida. Foi como aconteceu comigo. Ninguém é contra a doação. Tanto que quem está aqui fez a doação de órgãos. Os estrangulamentos não estão claros onde acontecem. E o fato de se comemorar número de transplantes no nosso País não resolve nada, porque a gente não sabe exatamente o que está acontecendo. 

São poucas as pessoas que se arriscam a buscar respostas. E as pessoas que se arriscam sofrem muito. E, de fato, o que eu gostaria de pedir era que o tratamento da família do doador fosse prioridade. Prioridade absoluta, nesse caso, para que a gente pudesse ter segurança de que qualquer coisa que não cumpra a legislação possa ser fiscalizada, possa ser meticulosamente levantada para que a verdade sempre prevaleça. 

E eu não gostaria mais de ouvir coisas do tipo: “O seu filho já está morto. Por que tudo isso?” ; ou, então: “Por que você está fazendo tudo isso? Você acha que isso vai dar em alguma coisa?”; ou, então: “Olha, o teu caso é para protelar.” Isso são coisas que a gente ouve. E a gente não quer mais ouvir isso. Por isso, eu coloco a minha esperança e me coloco à disposição para fornecer todos os documentos comprobatórios que forem necessários para esse tipo de trabalho.