Desembargadores comprados

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Caso Boris - Desmoralizando mais um CRM

É mais um caso que vai para a vala do esquecimento. Eu escrevi sobre o caso neste post

Na época em que o jornal A Crítica publicou a notícia sobre o caso, eu fui entrevistado. Quando me perguntaram o que eu teria a dizer para o pai de Boris, Sr. Naeff Ribeiro, eu respondi que infelizmente o caso não iria muito longe, por tudo o que já conheço e vivi nos últimos anos. E foi exatamente o que aconteceu, até onde pude apurar.

Naeff percebeu no prontuário de seu filho, que fora internado por um problema de intestino, a descrição da retirada de um rim. Ao questionar tal anotação, recebeu a seguinte resposta:
“O senhor Naeff focou em cima de um erro de digitação de um laudo, onde escrevi que houve a ‘retirada de um rim’. Quando na verdade eu quis dizer que na primeira vez que a criança esteve internada, em 2006, foi retirado uma ‘parte’ de um rim devido um abscesso. Quando ele questionou, me desculpei e corrigi o erro”.
Entenderam? Ela escreveu uma coisa, mas quis dizer outra. Seria até aceitável um erro como este, não fosse o fato de Naeff ter em seu poder exames que comprovam que nunca, em nenhum momento no passado, houve a retirada do rim como afirmou a gerente técnica do Pronto Socorro da Criança da Zona Oeste, Eriane Leal de Oliveira.

Isto me lembra um certo nefrologista que escreveu que meu filho estava SEM morte encefálica, mas quis dizer que estava COM morte encefálica. Um pequeno erro.

Mas não para por ai. A exumação de Boris foi solicitada e adivinhem? Foi encontrada uma bolsa coletora de urina dentro do corpo do garoto. Em nenhuma página do prontuário tal procedimento está descrito. A bolsa, suspeita Naeff, estava posicionada em substituição de um rim, o que fora retirado conforme o prontuário. Para tal fato, a gerente Eriane também tem uma explicação:
Em relação à bolsa coletora de urina que não foi descrita no prontuário, a médica explicou que faz parte do procedimento da colocação de “tela de marlex. Uma tela de marlex faz com que o aparelho do abdômen não se junte, dá mais espaço pro intestino que está inchado. Essa tela pode ser auxiliada por uma superfície de plástico, isso pode ser feito conjuntamente. É o que chamamos de ‘técnica de bogotá. Mas o médico cirurgião não achou necessário descrever no prontuário”, ratificou. 
Entenderam? Um procedimento simples, e que de tão simples, o médico não achou necessário descreve-lo no prontuário. Tal bolsa não teria sido descoberta não fosse uma exumação da qual o Sr. Naeff, assim como eu, foi obrigado a presenciar. Não bastasse perder um filho, ve-lo apodrecendo é o resultado de quem busca por justiça num país de 3o mundo.

Conforme havia previsto, o caso foi abafado. O Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas ICEA onde ocorreu o fato, emitiu uma nota, um mês após o caso ser publicado. Vale observar alguns trechos da nota.
Desde que essas denúncias eclodiram, o Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas através de suas assessorias, de Comunicação e Jurídica, tem sido cauteloso em relação às denúncias deste senhor. Essa cautela se deve ao fato do desejo de preservar não só a integridade desta empresa, mas, principalmente, a dos profissionais que são sócios deste Instituto.
Eles estão preocupados em preservar a integridade da empresa e dos seus profissionais que são sócios! E o Boris? Ninguém está preocupado com o que aconteceu à ele? Percebe-se que o ICEA possui assessoria de imprensa e jurídica e todo um batalhão para ajudá-los enquanto Naeff tem a si mesmo. Luta igual?

Agora prestem atenção a este trecho, pois é o foco principal deste post.
Ao analisar o farto material contido nos autos do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM/AM) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), como prontuários médicos, fichas de atendimento e internação hospitalar, descrições cirúrgicas, etc., vislumbramos que foi concluído que os procedimentos cirúrgicos foram corretos pois o quadro clínico do paciente era compatível com obstrução intestinal de causa desconhecida, que teve como causa morte: falência de múltiplos órgãos e sistemas, choque séptico, sepse, e abdômen agudo cirúrgico. Tratou-se de um caso grave que evoluiu mal apesar de toda atenção e conduta tomadas pelos médicos que atenderam o menor, devendo ser ressaltado que os atendimentos prestados observaram os preceitos técnicos e éticos da profissão.
Percebe-se um padrão nas respostas do CRM. "farto material..." analisado, é mesmo uma piada. Se você analisa farto material sem levar em conta as omissões deste material, este mesmo material não tem valor algum. O CRM do Amazonas concluiu que o atendimento observou os preceitos técnicos e éticos da profissão. Para o povo em geral, isto pesa muito. Mas para quem conhece a rede, dá para desmoralizá-los facilmente como vou fazer agora.

Como vimos no decorrer deste post, a gerente Eriane declara sem qualquer cerimônia que o médico achou que não era necessário descrever a colocação da bolsa coletora de urina no farto material analisado pelo conselho (diga-se o prontuário). Além disso, foi obrigada a "corrigir" uma pequena falha em que afirmava a retirada de um rim (um erro bobo). 

E o que diz o código de ética da medicina?
Capítulo X - Documentos médicos
Art. 87. Deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente.
§ 1º O prontuário deve conter os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina. 
Estamos diante de mais um fato incontestável de corporativismo utilizado para acobertar crimes. O prontuário não estava adequadamente preenchido, faltando informações importantíssimas e até com erros graves que precisaram ser corrigidos. Isto, segundo o próprio código de ética é uma infração. Mas nem o CRM e nem o CFM foram capazes de encontrar qualquer falha nos procedimentos, absolvendo todos os acusados utilizando para isto a seguinte frase: "ao analisar o farto material contido nos autos, o médico denunciado agiu de forma correta quando realizou o procedimento cirúrgico e o CRM não encontrou nenhum indício de infração ao Código de Ética Médica”

E o resultado desta absolvição? O que gerou para o caso?

Leia você mesmo.
No que tange a condução jurídica do caso, a Assessoria Jurídica do ICEA, Dra. Adriana Flores, OAB/AM 4.273, informa que houve a instauração do Inquérito Policial que recebeu o número 078/2013 que tramitou junto ao 08o. DIP. O Delegado responsável pelo inquérito concluiu: "(...)verifico que resta afastado o eventual indiciamento por homicídio culposo, por inexistirem elementos de convicção que possam demonstrar que a conduta da equipe médica, em especial do médico chefe da cirurgia, senhor (...), foi negligente, imprudente e imperito." Logo, não houve qualquer imputação de responsabilidade seja na esfera administrativa, (CRM e CFM) seja na esfera criminal .
Sim caros leitores. Tudo foi arquivado pelo delegado responsável. Não houve crime algum. Apenas um rim desaparecido e uma bolsa coletora encontrada durante a exumação que não estava descrita no prontuário.


Parem de acreditar em Van´s que roubam crianças para tráfico de órgãos. Os órgãos estão sendo roubados dentro dos hospitais. Diante dos olhos dos familiares que nada suspeitam e confiam plenamente no que dizem os médicos. 

Fiquem de olho nos prontuários. Em caso de suspeita, peçam uma exumação. É doloroso, mas o corpo tem todos as respostas.

Veja a máfia das próteses. Até componentes importantes como os Stents estão sendo implantados com risco de vida para pacientes por causa de dinheiro. A medicina no Brasil tornou-se um grande negócio com a conivência de autoridades que nada fazem para impedir crimes praticados por médicos e hospitais. Abram os olhos quando levar seus filhos à hospitais e clínicas pelo país. Como você pode perceber, você estará sozinho contra um exército de mercenários.


O padrão é o mesmo. Cobranças indevidas por procedimentos que não foram realizados. Prontuários sem as informações corretas e um pai desesperado em busca de justiça. Em países sérios, os pais ficam em casa enquanto as autoridades trabalham. Em países de terceiro mundo, ou os pais saem de casa para reivindicar seus direitos enquanto as autoridades tentam nos calar.

2 comentários:

  1. Amigo, aqui é o Braguinha.
    Não conhecia esse caso Boris. Vou pesquisá-lo mais para ver se ele está na wikipedia e se não estiver irei criar o perfil.

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  2. O título está incorreto. É impossível desmoralizar mais um CRM. Estão no fundo do poço.

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