Desembargadores comprados

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Medico matando medico.

Um médico, insatisfeito com o resultado de uma cirurgia de correção na uretra, invade o consultório de seu médico e dispara vários tiros. Em seguida, se mata. Um provável erro médico, ou simplesmente uma insatisfação do cliente, foi capaz de provocar uma reação inesperada. Afinal, medico não tem obrigação nenhuma de salvar, recuperar ou restabelecer a saúde de um paciente, ainda que este paciente seja tambem um medico.  A única obrigação é do paciente com o médico, que deve pagar a conta, independentemente do resultado.

Ahhhh.... Mas para resolver questões comercias, existe a justiça! (Sim caros leitores. Saude virou questao comercial)

Sim! Existe a justiça, Ministério Público e uma serie de autoridades que deveriam analisar o caso com isenção e dar um veredito. O problema é que o paciente era um médico desconhecido, a até onde foi divulgado, nem medico mais era. Sabia portanto a influência do homem que ocupa um dos maiores cargos na medicina no Brasil - Vice-Diretor Clínico e Membro do Conselho Consultivo do Instituto de Ensino e Pesquisa do Sírio-Libanês. As chances de se vencer uma disputa judicial contra este medico de peso, é praticamente nula. No Brasil não se considera o mérito e sim a biografia. Se é médico renomado, o processo já pende para um lado em detrimento de outro, não importando quem tem razão.

Enfrentar os Conselhos de Medicina, promotores, advogados, juízes, desembargadores nada mais é que perda de tempo, e o autor dos disparos, sabedor deste corporativismo, não viu outra alternativa, exceto a da solução com as próprias mãos.

O Brasil está conseguindo tornar-se uma Europa medieval onde prendemos, processamos e queimamos as casas daqueles que gritam macaco em um estádio de futebol, e deixamos soltos e impunes aqueles que destroem fisicamente a vida de outros por um erro médico – as vezes acidental, as vezes por pura imperícia ou negligencia. Ou até mesmo por incapacidade.

Não estamos longe de assistir cenas onde um paciente invade um hospital com metralhadora em busca de um leito de UTI para seu filho ou para alguém que ama. Não estamos longe de assistir cenas de pessoas roubando sangue de outras para poder ter acesso a uma cirurgia. Estamos vivendo uma barbárie, financiada e garantida pela ineficiência da justiça, que manca para um lado dependendo de quem é o réu.

Quanto tempo temos de esperar um veredito? 15 anos como no caso do meu filho, ou 25 anos como no caso de Taubaté, que até o momento ninguém foi preso? Vamos esperar uma vida inteira para resolver um problema?

Você tem uma pessoa que ama cuja vida foi destruída por um erro médico. Ela precisa de amparo não somente psicológico, mas financeiro para minimizar o sofrimento, e muitas vezes para ter uma vida digna. O que você faz? Espera entre 15 a 25 anos assistindo toda a família sendo arrastada para a lama, ou preferiria uma solução mais rápida?

Uma pessoa comum atira contra alguém, é presa e julgada em 2 anos. Um médico tira a vida de uma pessoa, não é preso, não é julgado e você ainda é obrigado a paga-lo. Em alguns casos, indeniza-lo. O que fazer diante disso, se a justiça tende a beneficiar quem é médico?

Onde recorrer? Ao Papa? Ou ao escritório central da “Cosa Nostra” mais conhecida como Conselho de Medicina? Onde?

E onde vamos parar?

Vamos parar quando o brasileiro perceber que o problema não é o réu, e sim a justiça. Quando o brasileiro perceber que seus direitos não estão sendo solapados no hospital, mas nos processos que nunca dão em nada. Isto vai parar quando o brasileiro perceber que um promotor começa a trabalhar ao meio dia, vai almoçar as 13h e volta do almoço as 16h, quase na hora de encerrar o expediente, e diz que não tem tempo para investigar embora tenha implorado para que a PEC 37 afundasse. Vai parar quando o brasileiro descobrir a grana solta que rola nos gabinetes de desembargadores que votam de acordo com a maior oferta. Enfim, quando o brasileiro descobrir que a corrupção não e fruto do corrupto ou do corruptor e sim da inercia do poder judiciário, tão ou mais corrupto quanto. Quando perceber finalmente que não vivemos uma sensação de impunidade e sim a impunidade instalada, e cristalina, diante dos nossos olhos.

Não existe país sem leis. Não há jogo sem regras. O papel não pode ser mais forte do que a força, e parece que o brasileiro está descobrindo isso. O dinheiro compra tudo, mas a bala ainda é mais eficiente.

2 comentários:

  1. É urologista? Ainda bem que não deu morte cerebral, senão, bau bau

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  2. O médico que atirou, antes havia procurado o CRM. Como eles não fizeram nada,como sempre, resolveu agir por conta própria.

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