Desembargadores comprados

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ministério Público investiga "doação de órgãos" para pesquisa em São Paulo

Para quem acompanha as notícias deve ter ficado arrepiado com o título desta reportagem publicada no R7.  Vamos a um trecho:

O MPE (Ministério Público Estadual) de São Paulo instaurou inquérito para apurar irregularidades nas doações de órgãos no SVOC (Serviço de Verificação de Óbitos da Capital). Ligado à USP (Universidade de São Paulo), o setor recebe em média 14 mil corpos por ano - cuja causa da morte precisa ser apurada.
A Promotoria diz que o documento para liberação dos cadáveres para enterro seria obrigatório e ainda induziria famílias ao erro ao tratar de "retenção" de órgãos, quando se fala de "doação". E não existiria nenhum controle sobre a destinação feita.
Muitos órgãos estão sendo simplesmente "destinados" à pesquisa e ao estudo com base, segundo o MPE, em um "informe aos familiares", assinado por parentes, sem a menção expressa a possíveis doações. O Ministério Público apurou ainda que o SVOC retira vários órgãos do mesmo corpo, mesmo sem ter relação com a necropsia. Aponta ainda que, diferentemente do que está descrito no documento, a retenção não é "eventual", mas ocorre "em inúmeros casos".
Ótimo! Vamos prender todo mundo? Não!!!

Isto não é nenhuma novidade. A venda de órgãos e cadáveres já foi discutida em 2004 na CPI, e o Ministério Público não tomou qualquer providência. O maior mercado da medicina hoje é vender partes humanas. É o crime perfeito. São médicos, portanto com antecedentes incontestáveis, políticos e entidades acima de qualquer suspeita.

Um pouco de história não faz mal.

Em junho de 2014 eu publiquei em meu blog (clique aqui para ler) a notícia de que, partindo de uma denúncia anônima, a polícia encontrou diversas partes humanas enterradas nos jardins de uma universidade, mais especificamente a universidade São Marcos no Ipiranga. 

6 meses depois, eu enviei alguns e-mails para promotoria para obter informações de como andava o inquérito, e me responderam que ainda estava em fase de investigação e não podiam falar nada. Pois bem, agora uma nova notícia dizendo que ainda está em fase de investigação. Ou seja, vai longe. 

Ninguém preso. Nenhuma ação policial mais rigorosa. Só investigação. Até tudo virar processo (se é que vai virar) terá passado uns 3 anos. O tempo que levará para ser julgado, mais outros 10 anos. Em outras palavras, o brasileiro está pagando caro para uma investigação que já está enterrada. 

Se encontrarem partes humanas no seu jardim, o que fariam com você? Prenderiam certo? 
E na universidade? Não prenderam ninguém? 

Então, se você resolver matar alguém um dia, enterre o corpo na universidade. É mais seguro e ninguém vai preso. Afinal são somente pedaços humanos sem valor nenhum (entendem as autoridades).

Não se animem. Se fosse dar em algo, a imprensa não estaria noticiando.

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