Desembargadores comprados

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Vitalino estava vivo no necrotério. Ele é apenas mais um.

Os transplantistas dizem que o diagnóstico de morte de um paciente é inequívoco, e que segue um protocolo rígido. Se fosse verdade, as imagens que temos abaixo jamais existiriam. E apesar de existirem, os transplantistas continuarão dizendo que diagnoticar a morte de uma pessoa é tarefa extremamente segura. Segura pra quem?


O cidadão acima é Vitalino Ventura da Silva. Ele está no necrotério pois foi diagnosticado como morto, mas podemos perceber que ele respira e ainda está vivo. Vitalino foi avaliado por uma médica e foi assistido por outros 10 profissionais. No total 11 pessoas não perceberam que Vitalino estava vivo.

Um sujeito como ele, estando sedado, é uma lebre para os predadores transplantistas. E tem gente que ainda acredita que doar órgãos é um gesto de "cidadania". Incrível como o brasileiro não faz idéia do que é cidadania. Cidadania é Vitalino receber tratamento adequado e o estado lutar pela sua vida. O que vemos hoje são corredores lotados de macas e pacientes de todas as enfermidades, sem atendimento básico. E quando tudo isso não existe, o pobre sujeito transforma-se em cidadão, doando os órgãos! Não é lindo?

Quer saber como Vitalino quase morreu?
Vitalino respirava com a ajuda de um aparelho na traqueia e não falava, pois há um ano teve câncer na laringe, que foi retirado. Como foi considerado morto, foi enviado para o necrotério sem os aparelhos respiratórios, com algodão tapando as narinas e com gazes na saída da traqueia.
Tentativa de homicídio?

Não!!! Foi apenas, digamos, um equívoco... pequeno equívoco.

A família, como sempre, não teve acesso ao atestado do suposto óbito e nem ao prontuário, o que seria um direito inviolável do paciente. No Brasil quem manda no prontuário são os médicos. Eles decidem se entregam ou não as provas do crime! Se o prontuário for destruído, acabaram-se as provas! Não é legal??? 

A medicina é a profissão em que aquele que comete o crime, tem o poder de sonegar as provas.

Vitalino está agora sob cuidados do mesmo hospital que o enviou para o necrotério. Ele está vivo e precisa de uma UTI, mas não há UTI´s disponíveis. Vitalino, como um paciente de urgência, não é considerado cidadão, pois cidadania envolve oferecer aos brasileiros a assistência médica necessária e PAGA através dos impostos.

Sabe o que acontece agora?

A família, como tem o exercício da cidadania suspenso (não tem UTI) terá de recorrer a defensoria pública para exigir um direito de cidadão. Mas se fosse doador de órgãos, já estaria em um leito de UTI para que os órgãos não fossem danificados.

Esta é uma aula prática de cidadania. Você não tem o mínimo necessário para cuidar da sua vida, quando chega aos 58 anos (muitos deles pagando impostos), e é enviado para o necrotério ainda vivo. Depois volta ao hospital e não tem leito de UTI, e precisa acionar a justiça para conseguir um que é simplesmente um direito seu, que lhe está sendo roubado.

As perguntas que precisam ser respondidas.

Vitalino não teria sido enviado ao necrotério, justamente por não ter um leito de UTI?

Seria mais fácil considerá-lo morto já que não havia condições de tratamento adequado?

Quem são as pessoas e quais formações possuem para diagnosticar a morte?

A família também vai precisar entrar na justiça para ter o prontuário de Vitalino, um direito dele?

Seja um cidadão! Doe órgãos.


Em tempo. Vitalino morreu no dia 20/07/2015 enquanto eu estava escrevendo este post. Eu precisei atualizar e mudar o texto. Estamos diante de um caso de homicídio praticado pelo Estado. Desejo todo o conforto a família.

A médica foi afastada de suas funções e seu nome não foi divulgado.

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